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Quem é Justice Smith, o mago inseguro de ‘Dungeons & Dragons’

Sob muita expectativa, Dungeons & Dragons – Honra entre Rebeldes estreou nos cinemas com a tarefa laboriosa de transpor o universo fantástico de um jogo de tabuleiro para as telas — e conseguiu. Com dragões, Orcs, magos e gigantes, a adaptação constrói uma trama recheada de criatividade e bom humor, sustentada por um elenco formidável: Chris Pine, Hugh Grant, Michelle Rodriguez e Regé‑Jean Page. Os atores mais jovens não deixam a desejar: é o que prova o americano Justice Smith, que, aos 27 anos, já carrega um currículo de chamar a atenção. Em D&D, ele é Simon, um mago inseguro que integra a turma de Pine na jornada aventuresca.

Smith primeiro se tornou rosto conhecido em produções juvenis, como Cidades de Papel, Todo Dia e Por Lugares Incríveis — mas ganhou maior destaque ao protagonizar a série The Get Down, da Netflix. Antes de D&D, fez sua estreia nos blockbusters com Jurassic World, em 2018, e logo depois estrelou Pokémon: Detetive Pikachu, em 2019. Agora, o americano experimenta uma guinada mais madura em sua carreira: recentemente, participou do apetitoso thriller da Apple TV+ Sharper — Uma Vida de Trapaças, ao lado de Julianne Moore, John Lithgow e Sebastian Stan. A VEJA, Justice Smith falou sobre o trabalho em Dungeons & Dragons e revelou o que aprendeu ao dividir o set de filmagens com atores veteranos:

Ouvi dizer que você participou da criação dos gestos de feitiços do personagem. Como foi esse processo? Os diretores me arranjaram um coreógrafo e trabalhamos juntos via Zoom para criar a aparência de cada feitiço. Eu fui contra que fossem somente grandes gestos com a palma da mão aberta, vejo isso em vários filmes e queria que realmente tivesse alguma linguagem por trás disso. Então sugeri incorporar algumas palavras na língua de sinais, que estudei na quarentena. Senti que isso ajudou a fundamentar a comunicação do lançamento de feitiços com o espaço ao redor, como se fosse real.

Quanto você sabia sobre o universo de D&D antes do filme? Já havia jogado? Eu não conhecia muito. Sempre quis jogar, mas não tinha amigos que conhecessem e soubessem como, então não tinha ninguém para me guiar. Mas pude jogar antes de começarmos a filmar. Como elenco, fizemos uma campanha bem curta, dentro dos personagens, e improvisamos o que aconteceria depois. Foi muito especial e divertido, percebi o quanto jogar D&D é como atuar: desenvolver o personagem, criar uma história de fundo e vivê-los em uma série de circunstâncias. 

Estamos vendo uma onda de filmes e séries baseados em jogos. Acha que finalmente aprendemos a adaptar essas histórias? É muito difícil traduzir a experiência de jogo em algo estritamente narrativo. Nos jogos, o indivíduo tem tanta participação na história que, quando se remove essa capacidade de controlar o que está acontecendo, é preciso substituir por algo igualmente envolvente. Esse nível de engajamento é o que os cineastas e criadores de TV estão explorando agora. 

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O que você aprendeu com atores veteranos como Chris Pine e Hugh Grant em D&D? Chris é ótimo. Ele sabe tudo sobre o que está fazendo, e eu respeito isso. Ele leva o trabalho a sério, embora seja incrivelmente engraçado, ele também se preocupa muito com a história e em acertar todos os detalhes. E Hugh é igualmente engraçado. Muito sarcástico. Ele é o tipo de pessoa que você deseja impressionar. No set de filmagem, ele me disse que ficou muito impressionado com meu sotaque, o que me deu muita validação, porque você nunca sabe se está fazendo certo… Sou muito sortudo.

Este não é seu primeiro filme em grandes franquias, você também trabalhou em Jurassic World e Detetive Pikachu. Já se sentiu pressionado ao participar desse tipo de produção? Honestamente, não. Aprendi a separar como o filme vai ser recebido do meu lado pessoal, realmente não me afeta. Eu quero que o filme vá bem, quero que os fãs gostem do filme, mas quando estou atuando, tudo em que estou focado é na atuação. Quero, acima de tudo, gostar do que estou fazendo.

O que faz D&D se destacar nesse cenário de blockbusters? O filme é muito divertido, é engraçado, mas também não tem medo de ser vulnerável, e tem esse equilíbrio de não se levar muito a sério, mas também não tirar sarro da franquia. Nós convidamos o público a embarcar nessa jornada conosco – e acho que esse é um ponto forte do gênero de fantasia. Existe algum nível de escapismo e você precisa pedir ao público que acredite no que você está vendendo para que possam desfrutar plenamente. Acho que fizemos um filme fundamentado o suficiente para fazer o público acreditar.

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Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/quem-e-justice-smith-o-mago-inseguro-de-dungeons-dragons/