O Negro, por Augusto dos Anjos

Zumbi dos Palmares, tela de Antônio Parreiras, 1927

O soneto abaixo foi escolhido pelo professor Eduardo de Oliveira, fundador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), grande poeta da negritude e grande líder negro do nosso país, como epígrafe de sua obra “Quem é Quem na Negritude Brasileira“.

Este poema de Augusto dos Anjos foi publicado pela primeira vez, em jornal, no ano de 1905, mas faz parte dos “poemas esquecidos”, tardiamente resgatados para publicação em livro.

Neste 20 de novembro, em que celebramos o Dia da Consciência Negra, esta é uma de nossas homenagens.

C.L.

AUGUSTO DOS ANJOS

Oh! Negro, oh! filho da Hotentotia ufanaTeus braços brônzeos como dois escudos,São dois colossos, dois gigantes mudos,Representando a integridade humana!

Nesses braços de força soberanaGloriosamente à luz do sol desnudosAo bruto encontro dos ferrões agudosGemeu por muito tempo a alma africana!

No colorido dos teus brônzeos braços,Fulge o fogo mordente dos mormaçosE a chama fulge do solar brasido…

E eu cuido ver os múltiplos produtosDa Terra — as flores e os metais e os frutosSimbolizados nesse colorido!

Fonte: horadopovo.com.br/o-negro-por-augusto-dos-anjos