Em último debate, Rodrigo Garcia vira vidraça e ataca ‘polarização’

São Paulo – O último debate antes das eleições, encerrado à 0h30 já desta quarta-feira (28), mantido em baixa temperatura, não teve mudanças de posicionamento ou de dinâmica. Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticaram a gestão do governo paulista-tucano, enquanto Rodrigo Garcia (PSDB), na condição de vidraça, por ser o atual governante, se queixou de uma “suposta” tabelinha para atacá-lo. Buscou reafirmar sua posição de candidato da pacificação: “Eles querem trazer essa guerra política para cá”. Vinícius Poit (Novo) reafirmava a cada instante ser o único candidato “independente”, sem compromisso com ninguém. Mas poupou o atual governo na maior parte do tempo, centrando críticas no PT.

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Ao mesmo tempo, Haddad criticou várias vezes o governo Bolsonaro: na gestão da pandemia e na área social, principalmente. Tarcísio chamou o atual presidente de “o melhor da história”. Pouco atrás nas pesquisas, em terceiro lugar, Garcia enfatizou seu perfil “paulista” e de identificação com o estado. O petista falou em “repactuar” a relação entre União e São Paulo, além de retomada da democracia com o possível fim do governo Bolsonaro. “Domingo pode ser um grande dia.”

Tarcísio e Garcia trocaram críticas sobre obras. O atual governador paulista disse que o estado construiu e investiu praticamente sem ajuda federal, enquanto o ex-ministro tentava se apresentar como um gestor que tirou obras do papel. Tarcísio também falou sobre rodovias federais em São Paulo sob concessão, o que explicaria menos investimento, e Elvis Cezar (PDT) ironizou. “Fiz mais asfalto do que o senhor”, disse o ex-prefeito de Santana do Parnaíba, na região metropolitana da capital.

Tarcísio turista

No penúltimo bloco, Elvis ironizou também uma gafe recente de Tarcísio, que não soube responder onde era seu local de votação. O ex-ministro disse que o importante era não esquecer das pessoas. O candidato do PDT voltou à carga, citando aliados do bolsonarista, como Eduardo Cunha e Fernando Collor, ao que Tarcísio respondeu que não tinha responsabilidade sobre correligionários.

Poit perguntou a Haddad sobre entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva no programa do apresentador Ratinho, tentando mostrar que o petista desrespeitou o paulista do interior. “Não conheço ninguém no Brasil que tenha sofrido mais preconceito do que o presidente Lula. Se tem uma coisa que não dá para acusar o Lula, é de preconceito”, reagiu Haddad, para quem o candidato do Novo tentou criar uma polêmica que não existe. O petista também se dirigiu a Garcia para dizer que ele “esconde” políticos com quem trabalhou, como João Doria.

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Bolsonarismo como mau exemplo

No último bloco, novamente com pesquisas temáticas, Tarcísio perguntou a Haddad sobre diversidade. O petista apontou esta como a área em que o governo Bolsonaro, integrado pelo ex-ministro, “mais errou”. “Tanto na capital como no estado, temos uma história de diversidade. Acho que seria um equívoco enorme trazer a experiência do governo federal para cá, no que diz respeito à diversidade. Todos sairíamos perdendo: os negros, as mulheres, as pessoas com deficiência, os indígenas e quilombolas”. Por outro lado, Haddad citou a Lei de Cotas nas universidades, as cotas no funcionalismo municipal e o compromisso de paridade de gênero no seu secretariado, caso eleito, como exemplo de políticas que “abraçam a diversidade”.

Na sequência, o petista destacou a cultura como importante forte de criação de emprego e renda, e indagou a Poit sobre seus planos para a área. O candidato do Novo, no entanto, apresentou propostas confusas. Disse, por exemplo, que as crianças de São Paulo estão indo para vender balas no farol para “ocupar o tempo”, e não por necessidade. Haddad, por outro lado, criticou o governo estadual, que destina apenas 0,3% do orçamento para programas culturais. “O dinheiro não chega nas periferias, nas cidades do interior.”

Críticas na segurança

Elvis acusou Garcia de não investir adequadamente em Segurança, apesar do governo de São Paulo registrar excedentes de arrecadação de R$ 84 bilhões, segundo ele. Enquanto isso, a periferia sofre com aumento de furtos, roubos e homicídios. Garcia preferiu atacar Haddad. Disse que o petista tem medo de enfrenta-lo num eventual segundo turno e repetiu falsas alegações de que petista seria o “pior prefeito” da história da capital.

Rebatendo críticas anteriores de Haddad e Elvis, Garcia também disse que é “injusto” dizer que o Rio Pinheiros não está “limpo”. Sobre o Tietê, disse que a mancha de poluição teria reduzido 25% durante a gestão tucana. Nesse sentido, afirmou que para limpar o rio necessárias 1 milhão de novas ligações de esgoto, das quais prometeu fazer 800 mil nos próximos quatro anos. “Você já teve a sua chance, candidato”, disse Elvis, ressaltando que outro rio do estado, o Parnaíba, está “morto”.

Considerações finais

Ao final do debate, Garcia afirmou que para São Paulo continuar como o “melhor estado do país” é preciso ficar distante das “brigas políticas”, citando novamente a dita “polarização”. Poit prometeu priorizar a segurança pública, com poder de polícia para as guardas municipais. Tarcísio disse que não é “político profissional”, mas um engenheiro acostumado a resolver problemas, e disse que seu plano se baseia em dois pilares “cuidado com as pessoas e a promoção do desenvolvimento econômico”.

Haddad, por outro lado, afirmou que o próximo domingo será o “dia de restabelecer a democracia no nosso país, de restabelecer direitos que foram cortados tanto pelo governo federal, como pelo governo estadual”. Assim, o petista também disse que pretende “reindustrializar” o estado. “Não podemos perder mais empresas” afirmou. Além disso, prometeu mais comida na mesa, ao isentar impostos da cesta básica e aumentar o salário mínimo paulista. Elvis disse que o mais significativo na sua carreira foi ter feito a maior evolução da educação em todo o estado, na cidade de Santana do Parnaíba, onde foi prefeito. Do mesmo modo, também ressaltou êxitos no combate à mortalidade infantil no município.

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