Trabalhadores da Petrobras criticam nomeação de diretor de Inovação

São Paulo – O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, nesta quinta-feira (22), a nomeação de Paulo Palaia para diretor-executivo de Transformação Digital e Inovação (DTDIT). A indicação de Palaia ocorreu no início deste mês pelo diretor-presidente Caio Mário Paes de Andrade, para substituir o então responsável pela área, Juliano Dantas. As escolhas seguiram procedimentos internos de governança corporativa que aprovaram, por maioria, o encerramento antecipado do mandato de Dantas e a nomeação do novo executivo. 

As mudanças, porém, foram criticadas pela representante dos trabalhadores no conselho, Rosangela Buzanelli Torres, contrária à substituição e à indicação. De acordo com a conselheira eleita, o novo diretor-executivo de DTDIT tem vasta experiência em Tecnologia da Informação (TI), mas deixa “uma lacuna crítica no quesito de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O currículo de Palaia, ainda segundo os petroleiros, não atende ao requisito legal e estatutário de título de pós-graduação previsto para a área. 

O novo executivo é bacharel em Processamento de Dados pela Universidade Braz Cubas, com aperfeiçoamento em Gestão Estratégica de TI pela Universidade Berkeley, na Califórnia. Palaia acumula mais de 37 anos de carreira na área de Tecnologia da Informação. Nos últimos 27 anos atuou como principal executivo de tecnologia nas instituições por onde passou, incluindo mais de nove anos na companhia aérea Gol. Atualmente, era sócio de empresa de consultoria. 

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Falta expertise em pesquisa

Mas, apesar do conhecimento de TI, pondera a conselheira eleita, Palaia não tem expertise para responder pelo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). A DTDIT também responde ao Cenpes, um dos maiores e mais complexos centros de pesquisa aplicada à indústria de energia do mundo. 

É ele quem coordena a pesquisa e o desenvolvimento da Petrobras, responsável pelos grandes avanços tecnológicos da empresa pública. O trabalho do centro garantiu, por exemplo, que a Petrobras se consolidasse como uma das maiores empresas de energia do mundo e alcançasse, diversas vezes, o pódio do “Oscar da indústria de óleo e gás”. Com o novo diretor-executivo, a representação dos trabalhadores teme a fragilização do Cenpes. 

“Responder pelo Cenpes requer muito mais do que conhecimento de TI, fartamente comprovado pelo nomeado, mas fundamentalmente requer experiência e expertise na indústria de óleo e gás. Além disso, exige a compreensão da relevância e das particularidades da Pesquisa e Desenvolvimento na indústria de óleo, gás e energia, que são de longo prazo e não ‘produtizáveis’”, contestou Rosangela em nota

O que é o CA da Petrobras

O Conselho de Administração da Petrobras tem de sete a 11 membros, eleitos em Assembleia Geral Ordinária. O órgão é responsável por tomar decisão e traças estratégias para o futuro da companhia. A União, acionista majoritária da Petrobras, é quem o controla, com indicação de sete conselheiros. Outros duas vagas destinam-se a representantes do acionistas minoritários e um é indicado pelos titulares de ações preferenciais. Os empregados da estatal, no entanto, contam com apenas uma cadeira no CA. 

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