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Torres sabia das ameaças dos terroristas no 8 de janeiro, afirma coronel

Depoimento à CPI do DF do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge da Silva Pinto, desmente Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança do DF

O coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge da Silva Pinto, que coordenava parte da inteligência, afirmou que o ex-secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, foi avisado, no dia 5 de janeiro, que um grupo armado discutia pelas redes sociais a “tomada do poder” nos atos que ocorreram no dia 8.

O coronel disse também ter feito ao menos sete avisos aos seus superiores sobre os terroristas.

Os terroristas tinham registro CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) e vinham de outros Estados, segundo contou o coronel na CPI dos Atos Antidemocráticos, que transcorre na Câmara Legislativa do DF.

A área de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do DF enviou para Anderson Torres um “documento que tratava da participação de CACs dentro de um grupo de Whatsapps. Um [grupo] deles estava tratando sobre essa condição de tomada do poder”, afirmou.

O depoimento do coronel desmente Anderson Torres. Em depoimento à Polícia Federal, Torres afirmou que as informações que recebeu da inteligência não indicavam ‘ações radicais’ na Praça dos Três Poderes.

Esse relatório foi elaborado inicialmente pelo Ministério da Justiça.

“Alguém que integrava o grupo de Whatsapp verificou que algumas pessoas tratavam dessa tomada de poder, mas não havia a possibilidade de indicar que era uma quantidade grande, quem eram as principais pessoas envolvidas e se já estavam em Brasília”, continuou.

Nos grupos de Whatsapp, relatou, os bolsonaristas estavam organizando a “tomada do poder” para o dia 8 de janeiro e uma greve geral para o dia 9.

“Eu posso garantir que todos esses dados produzidos chegaram aos profissionais de inteligência e é bem provável que tenham chegado aos decisores. É bem provável que os decisores tenham se comunicado”, disse.

No dia em que o atentado contra a democracia foi realizado, o secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Anderson Torres, estava nos Estados Unidos, mas não havia licença para isso. Suas férias, autoconcedidas, só seriam iniciadas no dia seguinte.

Ele havia assumido o cargo no dia 2 de janeiro e suas ações depois disso foram baseadas em demitir pessoas importantes na estrutura da Secretaria. Torres está preso por seu envolvimento, desarticulando a Segurança do DF, no atentado terrorista.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pontua que Anderson Torres, “deliberadamente, ausentou-se do comando e coordenação das estruturas organicamente supervisionadas pela” Secretaria de Segurança Pública.

Como reportou o coronel Jorge da Silva Pinto, Anderson Torres já sabia da intenção de “tomada do poder” de pessoas armadas no dia 5 de janeiro. Mesmo assim, viajou deixando a Secretaria acéfala.

Na investigação sobre o ataque do dia 8 de janeiro, a Polícia Federal encontrou na casa de Anderson Torres um decreto presidencial que instalaria um “estado de defesa” sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a anulação golpista das eleições presidenciais. O documento estava guardado dentro de uma pasta do governo federal.

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