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Salgueiro leva urgência Yanomami à Sapucaí; Imperatriz e Grande Rio se destacam

Seis agremiações se apresentaram no primeiro dia das comemorações dos 40 anos da Passarela do Samba

O primeiro dia de desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí contou com as apresentações do Grupo Especial carioca. Seis agremiações se apresentaram nas comemorações dos 40 anos da Passarela do Samba: Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense.

Em um ano marcado pelas inovações na iluminação da avenida, os destaques do primeiro dia ficaram para o impactante enredo do Salgueiro, que trouxe os indígenas Yanomamis em seu enredo e os grandiosos das onças da Grande-Rio e as Ciganas da Imperatriz. 

Terceira escola a entrar na Avenida, o Salgueiro chegou dando seu recado embalado pelo samba considerado um dos melhores da safra este ano. O canto da comunidade levantou a Sapucaí e o andamento do samba fluiu muito bem. Considerado um dos melhores sambas da safra de 2024, a obra assinada por Dudu Nobre teve um excelente rendimento na Sapucaí. Tanto os componentes da escola, quanto boa parte do público no Sambódromo cantou a pleno pulmões a canção que entoou a apresentação salgueirense.

O Salgueiro trouxe o enredo “Hutukara”. Um grito de alerta que levantou a bandeira sobre o sofrimento do povo Yaonomani com o desmatamento e o garimpo ilegal. O enredo contou desde a criação do mundo Yanomani, seus mitos e Deuses, a vida na floresta, a tragédia ocorrida, seu modo de enxergar a vida, e terminou exaltando a necessidade de respeitar os povos originários. 

MEU DESTINO É SER ONÇA

Quarta escola a se apresentar na Sapucaí, na madrugada desta segunda-feira, a Grande Rio recontou o mito do povo tupinambá para a criação do mundo, destacando a onça como símbolo de força, determinação e liberdade. O tema foi inspirado do livro “Meu Destino É Ser Onça”, do escritor Alberto Mussa.

Apostando na força da brasilidade do enredo, a Grande Rio passeou, ainda, por lendas indígenas e mostrou a presença da onça em diversas manifestações culturais.

ESMERALDA

Com a missão de encerrar o primeiro dia de apresentações do Grupo Especial, a Imperatriz fez um desfile marcado pela estética exuberante do carnavalesco Leandro Vieira. O enredo abusou do misticismo e resgatou a história do testamento da cigana Esmeralda, baseado numa obra do poeta nordestino Leandro Gomes. Na pista, a Imperatriz deu um verdadeiro show, colocando a escola na briga pelo bicampeonato

“Imperatriz Leopoldinense traz para a Avenida o seu canto forte, sustentado por uma bela melodia harmoniosa, ótimo entrosamento e sincronia rítmica, componentes concentrados defendem o samba-enredo na sua totalidade dançando com leveza e fluidez fazendo desse desfile uma bonita apresentação no quesito harmonia e evolução”, analisou a comentarista Célia Souto.

Veja os destaques dos desfiles desta noite: 

PORTO DA PEDRA

A Porto da Pedra retornou ao Grupo Especial do Rio, 11 anos depois, ao vencer a Série Ouro em 2023. Em 2024, a volta cantou o enredo “Lunário Perpétuo: A profética do saber popular”, que explorava as influências do livro “Lunário” na cultura nordestina.

Na comissão de frente abriu o desfile com uma alegoria com holografias e uma dançarina “levitando” a 12 metros de altura presa pelos cabelos. Parte de uma estátua do primeiro chassi do abre-alas quebrou no meio da avenida.

A escola também teve problemas com a evolução entre os quinto e sexto carros, o que deixou um buraco entre alas. Na dispersão, uma mulher chegou a ser atingida por um dos carros. Apesar de tudo, a Porto da Pedra conseguiu encerrar sua participação sem estourar o tempo.

BEIJA-FLOR

Quarta colocada no carnaval de 2023, a Beija-Flor trouxe um samba homenageando Maceió e Rás Gonguila, o “herdeiro” do trono imperial de um país da África, além de fundador do maior bloco de carnaval de Maceió na época.

Pelo 48º ano, o cantor Neguinho da Beija-flor veio interpretando o samba da agremiação, que fez uma viagem pelo carnaval de Alagoas.

A comissão de frente da escola chamou a atenção ao trazer dez integrantes formando um pião humano. Outro momento que empolgou o público foi o que trouxe as luzes do sambódromo piscando em sintonia com as batidas da bateria da escola durante o refrão do samba.

Causou polêmica na Avenida a presença do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. A história de Rás Gonguila, figura histórica do carnaval de Maceió, contada pela Beija-Flor, contou com um patrocínio de R$ 8 milhões da cidade de origem de Lira.

Na concentração, ao lado do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), Lira cumprimentou Anísio Abrão David, presidente de honra da Beija-Flor que já foi condenado na Justiça por fazer parte da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.

“Os governos realizam parcerias público-privadas, incentivam a cultura. Ninguém pode desconhecer que a escola de samba é um movimento democrático. Independentemente de como chegou até aqui, o carnaval é fundamental da cultura brasileira”, disse Lira, ao ser perguntado pela Folha sobre a relação entre políticos e contraventores.

SALGUEIRO

O Salgueiro buscou seu 10º título na elite carioca com uma homenagem ao povo yanomami, inspirada pelo livro “A queda do céu – Palavras de um xamã yanomami”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert. Em 2023, a escola ficou na sétima colocação.

Antes mesmo de entrar na Sapucaí, o Salgueiro emocionou o público ao lembrar de Quinho, seu intérprete por quase três décadas, que morreu em janeiro. Emerson Dias, seu substituto, começou o esquenta com o tradicional grito de guerra de seu antigo parceiro: “Pimba, pimba. Ai que lindo, que lindo”.

No desfile, cores e fantasias que narravam a união do povo indígena com a natureza. No chassi da frente do abre-alas, um grande jabuti “puxava” o carro. Essa relação também foi contrastada com os esforços yanomamis para impedir o extermínio de seus povos. No quinto carro, um indígena gigante era retratado nadando contra a corrente da destruição.

Pela primeira vez na história, lideranças Yanomamis participaram do desfile. No total, 13 líderes yanomamis foram à Sapucaí.Antes do desfile, o presidente da associação Hutukara, Davi Kopenawa, liderou um ritual religioso de preparo para entrar na avenida.

GRANDE RIO 

A Grande Rio levou para a avenida um enredo baseado no mito tupinambá do livro “Meu destino é ser onça”, no qual passeia por histórias das nações indígenas brasileiras. Símbolo dessas narrativas míticas, a onça representa as disputas pela identidade.

Rainha de bateria da escola, Paolla Oliveira representou o animal para mostrar que toda mulher brasileira é uma guerreira poderosa. A cabeça da fantasia da atriz se destacava ao se movimentar, virar uma máscara luxuosa e transformá-la no bicho com olhos luminosos.

Um dos carros da escola, que tinha o cantor Xamã como destaque, apresentou problemas e precisou ser empurrado. A escola ainda colocou o público como parte integrante do desfile e distribuiu 55 mil pulseiras de LED que se iluminam durante os apagões, recurso muito explorado no desfile.

TIJUCA

A Unidos da Tijuca cantou o enredo sobre Portugal no enredo “O conto de fados” e buscou inspiração em obras como “Os lusíadas”, de Luís de Camões, e as gregas “Ilíada” e “Odisseia”, de Homero. Em seu desfile, a nona colocada de 2023 viajou pela história e lendas do país.

Na comissão de frente, com a ajuda de um cenário móvel, a escola contou a lenda da fundação de Lisboa, que envolve as figuras mitológicas gregas de Ulisses e da mulher metade cobra Offiusa.

A escola ainda homenageou outro grande mestre da literatura portuguesa no quarto carro, com uma grande estátua de José Saramago.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Atual campeã do carnaval do Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida um enredo homenageando a obra do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros e mostrando a força da cultura cigana e seus mistérios.

Alguns dos destaques da escola foram a comissão de frente, com uma coreografia dentro de uma fogueira, além de elementos cenográficos aéreos. Entre eles, um enorme balão, que representava a lua e carregava uma bailarina a cerca de 10 metros do chão.

A bateria contou com algumas batidas de samba de roda e fez algumas paradinhas durante o refrão, deixando os integrantes da escola e o público entoarem o samba.

COBERTURA VIRA ALVO DE CRÍTICAS 

Detentora dos direitos de transmissão do carnaval paulista e carioca, a TV Globo decidiu tirar sua equipe de jornalismo para poder faturar com merchandising com a exibição da folia. A cobertura, no entanto, teve uma queda de qualidade gigantesca e que virou alvo de críticas do público.

Personagens do jornalismo da emissora, que sempre se destacaram na cobertura foram deixados de fora. O resultado: entrevistas fracas, acontecimentos perdidos e confusos.  

A exceção ficou por conta da participação do especialista em Carnaval Milton Cunha que assumiu a responsabilidade da exibição

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