Rosângela Bittar: está claro que Bolsonaro cairá. Dúvida é se será impeachment ou TSE

A jornalista Rosângela Bittar avalia que “aparentemente, há fatos e indícios demais que justificam o afastamento” de Jair Bolsonaro do poder. “A dúvida é sobre como vai sair, se pela impugnação da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou pela deposição via Congresso, o impeachment. Para os dois desfechos ainda não existem as condições necessárias, em provas, perdas de apoio, enfraquecimento político”, ressalta a jornalista em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo ela, a impugnação no TSE, que até há duas semanas era vista como a hipótese mais fácil, “perdeu favoritismo” devido à “falta de provas incontestáveis”. “Robôs espalhando notícias falsas, com formação de rede do ódio e seus efeitos decisivos na eleição, são provas “tênues” politicamente, questões áridas e técnicas, de difícil compreensão, até mesmo para os juízes da corte eleitoral”, avalia.

Rosângela observa, ainda, que o tempo passado desde a eleição e o fato de a cassação também alcançar o vice, general Hamilton Mourão, podem resultar em um “passo em falso e desnecessário”. “Quanto ao impeachment, há muita coisa para se imaginar, mas ainda pouca coisa a ver. A pandemia impede que os líderes e negociadores realizem reuniões. Ninguém articula deposição de presidente da República via internet”, destaca.

Apesar disso, ela avalia que “a imagem do presidente dificilmente se reerguerá” e que Bolsonaro “fez um cálculo objetivo ao apostar todas as suas fichas no Centrão”, que deverá entrar fortalecido nas eleições municipais. “O que fará depois, são outros quinhentos. Se o cofre a proteger estiver vazio, enfraquecido, isolado, o grupo embarcará, como é de sua natureza, na expectativa de poder futuro”, afirma.

Fonte: Brasil 247 – Foto: Reprodução | Reuters

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