‘Respeitem Renato Freitas’, cobram internautas após nova denúncia de discriminação contra o deputado

São Paulo – O vereador de Curitiba Renato Freitas (PT), eleito deputado estadual, denunciou nesta quarta-feira (23) ter sido vítima de ação discriminatória por parte de policiais militares dentro da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O parlamentar acompanhava a votação que resultou ontem na privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), quando percebeu que estava sendo filmado por um PM à paisana. Segundo ele, o policial se movia, olhava para outros lados, mas mantinha a câmera do celular apontada pela ele.

A sessão legislativa desta quarta foi marcada por galerias lotadas pela população que acompanhava com ânimos acirrados a tramitação do projeto. Mesmo assim, Freitas notou que, ao descer as escadas, depois de já terminada a votação, ele encontrou no corredor vários policiais do Batalhão de Choque, conforme descreveu em entrevista concedida nesta quinta (24) à emissora CBN de Curitiba. De acordo com ele, nesse momento, os agentes começaram a cochichar conforme ele ia passando com seus assessores. 

O vereador disse, no entanto, não ter dado importância. Até que o mesmo policial, que o filmava à paisana, se aproximou dos colegas fardados e, apontando para Renato, ordenou a um deles “fica de olho nesse daí”. “Dai eu já respondi à altura, porque eu me senti profundamente desrespeitado. Fui tratado como um criminoso, como um bandido, um meliante, um suspeito, no lugar no qual que fui eleito para representar a população paranaense”, relatou Freitas. 

Apoiadores cobram respeito

“Esse foi um desrespeito muito grande, também uma tentativa deles de me humilhar. Quando eu me apresentei, eu pedi respeito. Disse que eu era deputado estadual eleito e que aquele era meu lugar de trabalho, (mas) um dos policiais começou a dar gargalhadas. Então, eu percebi que não foi só uma tentativa de violência. Foi uma violência psicológica, que envolveu ameaça, mas também escárnio e desrespeito”, contestou o parlamentar. A denúncia foi compartilhada por ele nas redes sociais que passou a receber apoio de internautas e outros parlamentares pelo país que cobraram respeito.

A gravação também mostra Renato questionando os agentes pelo comportamento desrespeitoso. “Isso é uma grave ofensa, como se eu fosse suspeito”, contestou a um dos representantes da Casa que foi até o local, no corredor da Assembleia. À imprensa, a PM do Paraná argumentou, porém, que “não recebeu nenhuma denúncia com relação à conduta dos policiais militares presentes”. A corporação disse ter sido acionada pela Assembleia Legislativa para fazer o reforço da segurança diante da votação do projeto polêmico. Já a Assembleia informou que não se posicionará sobre o caso. 

Renato Freitas, por sua vez, anunciou que buscará as providências cabíveis nas esferas cível e criminal da Justiça. A avaliação de apoiadores é que o parlamentar vem sendo perseguido no Estado. Neste ano, ele chegou a ter seu mandato na Câmara Municipal de Curitiba cassado duas vezes por liderar um protesto contra o racismo na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, no centro histórico da cidade. Sua gestão, porém, foi restabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu o processo de cassação como injusto, associando ainda a uma discriminação racial contra Freitas, que é um homem negro. 

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‘Ratinho mentiroso’

Em paralelo à nova denúncia de racismo, internautas também vêm usando o Twitter para protestar contra o governador reeleito do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), apontado como “mentiroso”. O chefe do Executivo é responsável pelo projeto que autorizou a venda de grande parte da participação acionária do Estado na Copel, encaminhado há três dias. A medida foi incluída por ele dentro de um pacote com outras 16 iniciativas e aprovada às pressas por 38 dos 52 deputados estaduais, sem diálogo com a sociedade civil. 

A tramitação, de acordo com informações do site Plural, foi atropelada pelo regime de urgência e deve retornar para segunda votação já nesta quinta (25). O governo Ratinho alega que o Paraná arrecadará R$ 3 bilhões com a privatização, o que deverá ser revertido para investimentos no estado. Além disso, a gestão diz que a venda da Copel aumentará sua competitividade no setor elétrico. As benesses apontadas, porém, não foram confirmadas em quaisquer estudos. Ao contrário, nem mesmo os pareceres do Conselho de Controle das Empresas Estaduais (CCEE) foram encaminhados aos parlamentares. 

Os parlamentares críticos ao projeto advertem que, a médio e longo prazo, a privatização vai prejudicar a prerrogativa social atrelada às operação da empresa, visando apenas o lucro privado. 

Confira algumas repercussões

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