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Relatora da CPI pede acareação entre Torres e delegado da PF: “ação criminosa do ex-ministro”

Senadora Eliziane Gama (PSD-MA) também quer a reconvocação do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, preso pela PF nesta quarta-feira (9)

A relatora da CPMI do Golpe, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), vai pedir uma acareação entre o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e o ex-superintendente da Polícia Federal da Bahia, Leandro Almada, sobre uma reunião onde ações ilegais da PF nas eleições presidenciais foram discutidas.

Acareação é um processo no qual duas versões divergentes sobre um mesmo fato são confrontadas.

A senadora Eliziane Gama avalia que a versão de Anderson Torres sobre sua ida à Bahia, segundo a qual ele teria apenas visitado uma obra na superintendência regional da PF, é totalmente destoante do que foi levantado pela investigação.

Como confirmou Leandro Almada, que era chefe da superintendência, Anderson Torres esteve na Bahia para tentar articular ações conjuntas da Polícia Federal com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições.

Essas ações, como mostram documentos, se concentraram na região Nordeste para tentar atrapalhar que eleitores chegassem aos seus locais de votação.

Eliziane Gama destacou que todas as provas já obtidas sobre as ações da PRF no segundo turno mostram “um direcionamento dos policiais para a região Nordeste, inclusive com um aumento exponencial de diárias. Houve uma concentração de forma exagerada na região Nordeste”.

A ida de Torres à Bahia e a reunião que ele teve com Leandro Almada foi para “discutir o mapa que foi construído pelo serviço de inteligência do Ministério da Justiça”, que indicava os locais em que Lula obteve maior vantagem no primeiro turno.

“Onde houvesse pontos com uma presença maior de eleitores ligados ao então candidato Lula, para esse local também haveria uma presença maior de policiais e integrantes da Polícia Rodoviária Federal”, disse a relatora.

O “ponto central” da reunião de Torres com Almada “era uma ação criminosa, que é atrapalhar o resultado eleitoral”.

O ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi preso nesta quarta-feira (9) por ter articulado a tentativa de atrapalhar as eleições.

A Polícia Federal afirmou que Vasques e outros agentes da PRF “teriam direcionado recursos humanos e materiais com o intuito de dificultar o trânsito de eleitores no dia 30/10/2022”, data do segundo turno.

Para tentar ajudar seu candidato, Jair Bolsonaro, Silvinei Vasques coordenou uma operação que “fiscalizou” mais de 2 mil ônibus no Nordeste no dia do segundo turno. Na região Sudeste, que é muito mais populosa, foram cerca de 500 ônibus fiscalizados.

Era dessas ações que Anderson Torres queria que a Polícia Federal fizesse parte.

No requerimento que será avaliado pela CPMI, Eliziane Gama argumenta que é necessário que se “esclareça inconsistências e divergências entre depoimentos prestados por testemunhas e investigados”.

No depoimento prestado à CPMI na terça-feira (9), Anderson Torres disse que não teve nenhum envolvimento na tentativa de golpe do dia 8 de janeiro e que todas as provas colhidas contra ele não servem para nada.

Quando da tentativa de golpe, Torres era secretário de Segurança Pública do DF, mas tinha viajado para os Estados Unidos deixando o órgão acéfalo. Em sua casa, a Polícia Federal encontrou uma minuta de decreto presidencial para intervir no TSE e mudar na marra o resultado da eleição.

RECONVOCAÇÃO

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, a relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), disse que vai pedir a reconvocação do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (9) na Operação Constituição Cidadã, que aponta uso da máquina pública para interferir nas eleições de 2022. Acusado de montar barreiras nas estradas para dificultar o acesso de eleitores às urnas, ex-diretor foi ouvido pelo colegiado no dia 20 de junho. 

Para Eliziane, a CPMI está adotando uma linha de investigação correta e em consonância com fatos. Ela afirmou que, apesar de a comissão não ter tido acesso a inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) nem da Polícia Federal, a prisão de Vasques está em compatibilidade com os trabalhos do inquérito parlamentar. 

“Quando Silvinei esteve na comissão, mentiu de forma escancarada em várias linhas. Tivemos vários pontos que pudemos comprovar, inclusive no momento da oitiva dele. Na sequência, encaminhamos uma representação junto ao Ministério Público Federal, para que tomasse as devidas providências. Logo em seguida, conversei com o presidente [da CPMI], deputado Artur Maia e com a imprensa, [dizendo] que havia a necessidade de reconvocação do Silvinei. E hoje, mais do que nunca, a partir desta prisão, está clara a necessidade dessa reconvocação”, declarou a relatora da CPMI.

Fonte: Agência Senado

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