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Lindberg diz que Haddad usa sofismas e brinca com fogo ao insistir em zerar déficit

“Não é o déficit que gera crescimento. São os investimentos possibilitados, os empregos contratados que geram”, afirmou o deputado. “Vamos cortar Minha Casa Minha Vida? Cortar investimentos públicos?”, questionou

O debate sobre a intenção de Fernando Haddad de zerar o déficit fiscal em 2024 tomou conta do PT no último sábado (9). Diante da desaceleração da economia e da cobrança de uma redução mais célere da taxa de juros e de uma política fiscal expansionista, pela presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann, Haddad tentou justificar sua meta contracionista com a afirmação de que nem sempre déficits fiscais significam crescimento.

Neste domingo (10) o deputado Lindbergh Farias (RJ) usou suas redes sociais para rebater o ministro, dizendo que ele usa de sofismas para defender sua posição. “De fato, déficits aparecem com mais frequência em momentos de desaceleração econômica. Agora, é inquestionável que estímulos fiscais em situações de baixo crescimento, como devemos enfrentar em 2024, têm sim um papel enorme no crescimento do PIB”, argumentou Lindbergh.

O governo Bolsonaro havia inviabilizado o funcionamento do país em 2023 obtendo superávit fiscal no último ano de seu governo e projetando o mesmo para 2023. Ele mandou uma proposta orçamentária para o ano seguinte que correspondia à meta irrealista de obtenção do déficit zero pretendida agora por Fernando Haddad para 2024.

Bolsonaro havia feito cortes em quase todos os setores econômicos e inviabilizado o funcionamento do país. Procedimentos básicos como verbas do SUS, como reajuste de merenda escolar, recursos mínimos para o funcionamento de universidades e Institutos Federais, pagamentos de bolsas de pesquisadores foram cortados. Até a fabricação de passaportes teve que ser suspensa por falta de dinheiro.

O governo Lula demonstrou que isso correspondia a uma devastação econômica inaceitável e conquistou um amplo apoio no Congresso Nacional para a aprovação da PEC da Transição. Esta PEC permitiu um espaço fiscal extra de até R$ 238 bilhões em suas contas neste ano de 2023. Isto permitiu que o país não quebrasse.

Mesmo com a desaceleração observada neste segundo semestre, o Brasil deverá repetir os mesmos 3% de crescimento do PIB obtidos em 2022 e criará também o mesmo número de empregos criados no ano anterior, ou seja, em torno de 2 milhões de postos de trabalho.

Se tivesse prevalecido a ‘meta” de Bolsonaro, o país entraria em um “default” em 2023. Por isso, a meta estabelecida por Fernando Haddad, de zerar o déficit em 2024, é tão grave quanto foi a meta projetada por Bolsonaro para o ano de 2023.

Ela é tão fora da realidade que nem mesmo o chamado mercado financeiro esperava por isso. No próprio documento apresentado pelo ministro na defesa de seu projeto de novo “arcabouço fiscal”, estava registrado que os banqueiros projetavam um déficit de até 1,5% do PIB nas contas públicas para o ano de 2024.

A deputada Gleisi Hoffmann havia dito que a meta de Fernando Haddad poderia levar o governo a fazer um contingenciamento de R$ 53 bilhões em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A deputada defendeu que o “sucesso do governo Lula” será buscado com outro tipo de meta, a de crescimento médio de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.

“Vamos cortar Minha Casa Minha Vida? Cortar investimentos públicos? Não é o déficit que gera crescimento. São os investimentos possibilitados, os empregos contratados que geram. Qual o problema de termos um déficit em 2024 para garantir investimentos e renda e impulsionar o crescimento sim da economia. O déficit dos EUA está em -5,5, França-3,3, Alemanha, -2,1″, escreveu o deputado carioca.

Lindberg citou a mensagem de Olivier Blanchard, que foi economista chefe do FMI para rebater Haddad. “Resumo o que penso com esse Twitter de Olivier Blanchard que foi economista-chefe do FMI. Blanchard não é de esquerda, é um liberal, e hoje considerado um dos maiores macroeconomistas do mundo. Ele fala do risco político de tentar reverter déficits em superávits de forma abrupta e levar à desaceleração econômica e à vitória de governos de extrema direita. Não brinquemos com fogo”, emendou.

O próprio Lula já havia entrado nesta briga em outubro quando criticou publicamente a meta de Haddad de déficit zero. Lula disse que “dificilmente” o governo conseguiria zerar o rombo das contas públicas em 2024. Diante dessa declaração, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, aumentou a pressão para uma mudança na meta para um déficit de 0,50% no ano que vem. Haddad, contudo, insistiu nesta estupidez e ganhou tempo para tentar aprovar medidas no Congresso que aumentem a arrecadação federal.

Ainda no encontro do PT, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que deve haver déficit orçamentário ano que vem se for preciso. O deputado avaliou que a busca pela meta de zerar o rombo das contas públicas pode fazer com que a sigla perca as eleições municipais. Ele defendeu ainda que é necessário “mobilizar bem” a militância para que a legenda saia vitoriosa na disputa pelas prefeituras em 2024.

Lindbergh Farias é um dos integrantes do PT que não esconde a insatisfação com a meta traçada por Haddad, alvo que ganhou sobrevida após o governo desistir de apoiar uma mudança do objetivo fiscal dentro do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024. O deputado chegou a propor duas emendas para alterar a meta, sugerindo déficit de 0,75% ou 1%, mas a estratégia não foi endossada pela equipe econômica que, por ora, deu vitória a Haddad no debate.

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