Governo demite 11 chefes de saúde indígena e 43 dirigentes da Funai após caso Yanomami

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exonerou nesta segunda-feira (23) chefes de 11 distritos responsáveis pela saúde das comunidades indígenas.

O governo federal também destituiu 43 ocupantes de cargos de comando da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). As 38 exonerações e cinco dispensas atingem coordenadores nacionais e regionais; assessores; o corregedor Aurisan Souza de Santana e o diretor do Museu do Índio, Giovani Souza Filho.

A mudança ocorre após Lula ter viajado para Roraima no sábado (21), quando o governo federal decidiu decretar emergência no território yanomami por conta da tragédia humanitária vivida pelos indígenas.

O Ministério da Saúde decretou estado de emergência para enfrentar a calamidade sanitária e combater a falta de assistência básica que atinge os Yanomamis.

Segundo o Ministério da Saúde, as substituições fazem parte do “processo natural da transição de governo” – quando quase a totalidade dos ocupantes dos chamados cargos de confiança são substituídos por outras pessoas, não comprometendo o trabalho de assistência à população indígena.

Por meio de um Centro de Operações de Emergências, o ministério quer “planejar, organizar, coordenar e controlar as medidas a serem empregadas”.

Segundo as denúncias sobre a situação dos ianomâmis, cerca de 570 crianças, além de adultos, morreram nos últimos quatro anos de contaminação por mercúrio, fome, desnutrição e outras doenças que poderiam ser tratadas, como malária.

A região é palco de invasão e ações violentas frequentes contra os indígenas por parte de garimpeiros, além de denúncias de negligência do governo do Estado e da gestão Bolsonaro.

Após a visita a tribos yanomamis, o presidente da República usou sua rede social para acusar o governo do antecessor de patrocinar um genocídio no território indígena.

“Mais que uma crise humanitária, o que vi em Roraima foi um genocídio. Um crime premeditado contra os Yanomami, cometido por um governo insensível ao sofrimento do povo brasileiro”, escreveu.

“É desumano o que eu vi aqui. Sinceramente, se o presidente que deixou a Presidência esses dias em vez de fazer tanta motociata tivesse vergonha e viesse aqui uma vez, quem sabe esse povo não tivesse tão abandonado como está”, acrescentou.

Veja a lista dos exonerados:

Eloy Angelo dos Santos Bernal – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Porto Velho;

Alberto José Braga Goulart – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Maranhão;

Luiz Antonio de Oliveira Junior – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Mato Grosso do Sul;

Audimar Rocha Santos – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Cuiabá;

Marcio Sidney Sousa Cavalcante – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Leste de Roraima;

Átila Rocha de Oliveira – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Parintins, no Amazonas;

Igle Monte da Silva – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Alto Rio Juruá no Acre;

Gabriel Ribeiro Santos – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Minas Gerais e Espírito Santo;

Alexandre Rossettini de Andrade Costa – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Interior Sul;

Adilton Gomes Assunção – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Bahia;

Ruy de Almeida Monte Neto – Coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena/Ceará.

As demissões foram publicadas no Diário Oficial da União e são assinadas pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.

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