Estrangulamento financeiro da PF por Bolsonaro inviabiliza segurança dos candidatos nas eleições

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Até emissão de passaportes pode parar depois do anúncio de contingenciamento de R$ 150 milhões no orçamento da Polícia Federal, mais de 10% do total previsto para a corporação no ano. É a vingança de Bolsonaro

Caiu como uma bomba entre delegados e agentes da Polícia Federal o anúncio de que o governo federal irá decretar um  contingenciamento de R$ 150 milhões no orçamento corporação, equivalente a 11% do total previsto para o ano .

Insatisfeito com o trabalho de delegados que não se submetem às rígidas e ilegais diretrizes bolsonarista, o presidente e seu ministro da Justiça, Anderson Gustavo Torres, oriundo da própria PF, têm promovido um verdadeiro estrangulamento financeiro do órgão.

Com o contingenciamento, afirmam delegados ouvidos pela jornalista Malu Gaspar, ficará comprometido o trabalho da PF na segurança dos candidatos nas eleições deste ano, operação que prevê empregar no trabalho cerca de 300 agentes a um custo de R$ 57 milhões.

O corte já foi oficialmente comunicada por Anderson Torres à cúpula da PF, que tenta reverter o corte. A ordem das chefias da corporação nos grupos de WhatsApp de delegados e agentes é para “parar tudo”. Prevê-se a inviabilização da emissão de passaportes, cortes em viagens, cursos e até mesmo no combustível de viaturas.

Relações degradadas 

A degradação nas relações do governo Bolsonaro com a PF vem de longe, pois setores da corporação insistem em prosseguir com o trabalho profissional a que são obrigados como funcionários públicos, e aprofundou-se em maio e ainda mais nas últimas semanas, .

Em 4 de maio, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) aprovou a realização de paralisações parciais e progressivas e manifestações em todo o Brasil. “É vergonhoso, sobretudo em um governo que se dizia pautar pela segurança pública o atual estágio a que estão submetidos os policiais, com significativas perdas como: desamparo da família do policial morto em serviço; redução real do salário”, afirmou a associação em nota aprovada na assembleia. Na ocasião, os policiais federais também pediram a demissão de Anderson Torres que, ao tomar posse havia prometido a reestruturação das entidades que compõem a Polícia Federal.

A situação piorou ainda mais depois que entidades vinculadas aos policiais federais defenderam o TSE e o processo eleitoral dos ataques de Bolsonaro. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (FENADEPOL) defenderam, em 19 de julho, a necessidade de garantir a lisura do processo eleitoral.

Na nota, as entidades manifestaram “total confiança no sistema eleitoral brasileiro e nas urnas eletrônicas” e foram incisivas na crítica a Bolsonaro: “Acatar a legislação eleitoral vigente e respeitar a constituição, bem como as decisões democráticas é imprescindível a todo e qualquer representante eleito ou postulante a cargo eletivo”.

Fonte: Revista Fórum