Élcio Franco cita cemitério de vacinas e ignora cemitérios cheios de mortos

São Paulo – Durante seu depoimento na CPI da Covid, nesta quarta-feira (9), o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco tentou justificar a demora no acordo com o Instituto Butantan para comprar a CoronaVac. Alegou haver “incerteza de sua eficácia” e chamou a terceira fase de testes clínicos de “cemitério de vacinas”. A afirmação foi criticada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), ao afirmar que foi uma ação ordenada por Jair Bolsonaro e resultou em milhares de mortes.

“A sua fala sobre não comprar a vacina chinesa, qualquer criança faz a leitura que recusou a compra. O ministro Eduardo Pazuello fez a mesma coisa: vir aqui e proteger o presidente da República. Vocês só se preocuparam em cumprir as ordens dele. Você diz que se preocupou com o cemitério de vacina, mas deveria ter se preocupado com os mortos em cemitérios”, afirmou o senador petista.

Em seu depoimento, o ex-secretário-executivo apresentou uma versão que contradiz o relato do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Segundo Franco, as negociações para a compra da CoronaVac não teriam parado por ordem do presidente Jair Bolsonaro. “A gente não tinha interesse na vacina chinesa, mas tínhamos sobre a vacina do Butantan”, disse.

Humberto Costa rebate o argumento sobre a falta de segurança em investir na CoronaVac. “Era tão seguro investir na Fiocruz quanto no Butantan, mas não fizeram isso. É uma resposta política de Bolsonaro. O presidente não estava preocupado em vacinar o povo, apenas em evitar que o governador de São Paulo capitalizasse a vacina. Não foi investido na CoronaVac por questões políticas”, criticou Costa.

O senador Humberto Costa citou lei orgânica da saúde que determina que, quando se esgota a capacidade de resposta de um ente, os superiores têm obrigação de responder. “O papel do Ministério da Saúde é planejar, organizar e controlar as medidas durante emergências em saúde pública. O Tribunal de Contas da União (TCU) fez um relatório e diz que o Ministério da Saúde não cumpriu esse papel”, alertou.

O parlamentar lembrou ainda que, em maio de 2020, estados e municípios mandaram sete ofícios pedindo que a pasta da Saúde enviasse aos estados kits intubação. “O ministério demorou um mês para aceitar ajudar e providenciou apenas 5% da demanda solicitada. Em novembro, parou de ser enviado. O Ministério da Saúde e o governo federal não podem se emitir da responsabilidade em Manaus e da falta de vacinas para a população.”

Élcio Franco voltou a mentir durante a CPI da Covid. Assim como no começo de sua oitiva, o ex-secretário-executivo disse que não ocorreu aquisição de cloroquina para covid-19, mas para o programa antimalária. Entretanto, reportagem da Folha de S.Paulo informou que o Ministério da Saúde desviou, para covid-19, dois terços de 3 milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pela Fiocruz. Na ocasião, o desvio de finalidade do medicamento deixou descoberto o programa nacional de controle da malária, com risco de desabastecimento para pacientes da doença.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) perguntou novamente sobre a importação dos medicamentos. Segundo Élcio Franco, a “intenção dos medicamentos foi para o atendimento antimalária”, mas quantidade foi maior para “incluir a prescrição offlabel de médicos aos pacientes de covid-19”.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) lembrou que Bolsonaro recebeu os medicamentos direto dos Estados Unidos, conforme foi anunciado após encontro com ex-presidente Donald Trump. “Ele disse que era para tratar covid-19. Não podemos aceitar essa declaração mentirosa”, afirmou.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/politica/2021/06/elcio-franco-cemiterio-vacinas-cpi-da-covid