Dez jogadores de futebol brasileiros são acusados de agredir mulheres: saiba quem são

Foto:  Divulgação

A acusação de estupro contra Daniel Alves é apenas uma numa longa lista de casos nos últimos anos, que envolvem Robinho, Neymar, Bruno, Cuca e outros. Um dado revelador: dos 10 casos, apenas 3 foram apurados no Brasil

O jogador Daniel Alves, que disputou a Copa do Mundo do Catar pela seleção brasileira, foi preso no fim da noite de quinta-feira (19) pela polícia da Espanha, sob a acusação de estupro. Ele está preso sem direito a fiança.

Daniel Alves é acusado de ter estuprado uma mulher  em 30 de dezembro de 2022 no banheiro da área VIP da boate Sutton, em Barcelona. Segundo a vítima, de 23 anos, o jogador teria pegado a mão dela e colocado em seu pênis, contra a vontade da mulher. Ela ainda diz ter sido levada a um banheiro, de onde Alves a teria impedido de sair e a estuprado.

O jornal espanhol “El Periodico” publicou reportagem nesta sexta-feira (20) na qual revela que o jogador brasileiro Daniel Alves se contradisse no depoimento à Polícia. Primeiro, negou tudo; depois admitiu te mantido relações sexuais com a mulher, mas alegou que “elas foram consensuais”.

Além de preso, Daniel Alves, de 39 anos, teve seu contrato com o clube mexicano Pumas rescindido por justa causa. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira pelo presidente do clube, Leopoldo Silva, que leu um comunicado diante da imprensa: “Com esta decisão, o clube reitera seu compromisso de não tolerar atos de nenhum integrante da nossa instituição que atentem contra o espírito universitário e seus valores”, diz o presidente, ao ler a nota.

Mais nove jogadores

Daniel Alves é mais um jogador brasileiro acusado de agressões contra mulheres nos últimos anos. Há casos de agressão física e moral, estupro e feminicídio. Chama a atenção o fato de, dos dez casos, apenas terem gerado processos no Brasil.

Saiba quem são os outros nove jogadores:

1.Robinho

Em janeiro de 2013, dentro de uma boate em Milão, Robinho estuprou uma jovem albanesa de 23 anos. De acordo com a investigação, a jovem estaria bêbada “ao ponto de ficar inconsciente” e teve relações sexuais quando não era capaz de resistir. A defesa de Robinho alegou no julgamento que houve consenso da mulher no ato sexual.

Depois de um longo processo, em janeiro de 2022, o Supremo Tribunal da Itália confirmou a condenação de Robinho e de seu amigo Ricardo Falco pelo crime.

2. Neymar

Em maio de 2021, o jornal americano The Wall Street Journal revelou que a Nike rompeu o contrato de patrocínio com Neymar porque fez uma investigação interna de um suposto caso de assédio sexual.

O caso teria acontecido em 2016, quando Neymar e Michael Jordan, ídolo do basquete mundial, participaram juntos de uma campanha publicitária em Nova York. Nessa viagem, uma funcionária da Nike relatou que teria sido vítima de assédio em um hotel.

Dois anos depois, durante uma reunião com lideranças da empresa, a funcionária fez a denúncia e a Nike abriu uma investigação interna, sem envolver as autoridades.

De acordo com a publicação, Neymar teria se recusado a contribuir com essa investigação e, por esse motivo, a empresa resolveu romper o contrato que mantinha com o atleta desde os 13 anos de idade dele.

Pelas redes sociais, Neymar disse que ”afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação é absurdo, mentiroso.”

3. Jean Paulo

O goleiro Jean Paulo, na época no São Paulo, foi acusado de agredir a esposa, Milena Bemfica, durante uma viagem de família nos Estados Unidos em dezembro de 2019. Ele foi preso no condado de Orange, na Flórida e foi pré-sentenciado por violência doméstica. O boletim de ocorrência apontou oito socos em Milena. Após audiência de custódia, o goleiro voltou ao Brasil e não pagou fiança, mas responde em liberdade.

4. Cuca

O técnico Cuca, atualmente sem clube, foi acusado de estupro coletivo de uma garota de 13 anos em julho de 1987. Na época, ele era atacante do Grêmio e foi condenado junto com outros três jogadores pela Justiça da Suíça, onde o crime ocorreu. Detidos por 28 dias preventivamente, dois anos depois foram condenados, mas todos cumpriram pena em liberdade.

5. Bruno

O goleiro Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a 20 anos e nove meses de prisão num dos casos mais famosos de feminicídio do país.  Ele foi condenado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver de Eliza Samúdio, mãe de um dos filhos dele. Em fevereiro de 2017, após seis anos e sete meses preso, Bruno conseguiu habeas corpus por uma liminar deferida pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello. No entanto, em 25 de abril de 2017, o STF voltou a julgá-lo e por três votos a um, decidiu que Bruno deveria voltar à prisão. Em 18 de julho de 2019, Bruno conseguiu uma progressão de pena para o regime semiaberto através de uma decisão da justiça de Varginha, deixando o presídio no dia seguinte.

6. Mancini

Alessandro Faiolhe Amantino, conhecido como Mancini, hoje aposentado, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão pela Justiça italiana por estupro e lesão corporal contra uma jovem na madrugada do dia 9 de dezembro de 2010, em Milão.

O crime ocorreu após o jogador conhecer a garota em uma festa organizada por  Ronaldinho Gaúcho, que atuava no Milan. Na época, Mancini era jogador da Inter de Milão. Segundo o jornal italiano  Gazzetta dello Sport, a garota bebeu e passou mal; Mancini ofereceu uma carona até a casa dela. Lá, a mulher desmaiou e Mancini a estuprou.

7. Danilinho

O atacante Danilinho, que em janeiro de 2022, aos 34 anos, encerrou sua passagem pelo Athletic, de São João del-Rei, sem nem mesmo entrar em campo, por problemas físicos foi acusado de estupro.

Danilo Verón Bairros, foi acusado de estupro e ameaça de morte em 2013, quando pelo Tigres, do México. A vítima, Debanhi Zuazua Rentería, afirmou que o ataque aconteceu no dia 11 de julho, quando ela ainda possuía 17 anos de idade. Antes disso, também no México, ele foi acusado de agressão pela ex-namorada Priscila Jiménez em 2011, na época, menor de idade, após o término do relacionamento.

8. Jobson

Jobson Leandro Pereira de Oliveira, mais conhecido como Jobson, é um atacante que jogou pelo Botafogo do Rio e hoje está no Rio Branco (PR).  Em 2016, foi preso suspeito de estuprar quatro adolescentes no Pará, em 2016. Uma das vítimas, na época com 13 anos, denunciou o jogador por aliciá-la junto com outras três adolescentes para a chácara dele, em Conceição do Araguaia, onde ele, com mais dois amigos, as teria estuprado. Jobson foi acusado de estupro de vulnerável, disponibilização de fotografia pornográfica de adolescente na internet e oferecimento de bebida alcoólica a adolescente. Em dezembro de 2022, a Justiça homologou um acordo de não persecução penal do caso. O pedido foi acordado entre Ministério Público Estadual (MPE) e os réus, quando o processo estava na etapa de alegações finais [O acordo de não persecução penal é uma possibilidade dada aos autores de crimes de “substituir” o processo criminal por outras formas de reparação dos danos causados com o delito. Instrumento jurídico que começou a vigorar em janeiro de 2020].

9. Marcelinho Paraíba

Hoje treinador de um time da segunda divisão na Paraíba, Marcelo dos Santos, o Marcelinho Paraíba, foi indiciado e preso preventivamente por estupro no final de 2011. Ele teve uma trajetória de sucesso como meio-campista jogando, entre outros clubes, no São Paulo, Grêmio, Flamengo, Olympique de Marseille e Hertha Berlim e passagens pela seleção.

A vítima, a advogada Rosália Zabatos de Abreu, acusou-o de estupro durante uma festa no sítio dele em Campina Grande, em novembro de 201.

Fonte: https://revistaforum.com.br/esporte/2023/1/21/dez-jogadores-de-futebol-brasileiros-so-acusados-de-agredir-mulheres-saiba-quem-so-130377.html