CPI da Covid convoca Osmar Terra e laboratório que produz cloroquina

São Paulo – A CPI da Covid iniciou a manhã desta quarta-feira (9) aprovando a convocação de novos depoentes, como Osmar Terra, integrante do chamado “gabinete paralelo”, e de Renato Spallicci, presidente da Apsen, farmacêutica que produz a cloroquina.

Osmar Terra é apontado como um dos conselheiros do presidente Jair Bolsonaro e influencia em suas decisões negacionistas. Já Spallicci deve responder sobre um pedido de 100 quilos de sulfato de hidroxicloroquina por US$ 155 mil (cerca de R$ 821.500). Mensagens entre autoridades indianas e o embaixador brasileiro em Nova Deli, Elias Luna Santos, apontam como compradora e beneficiada da transação a Apsen Farmacêutica, do bolsonarista Spallicci.

A CPI também aprovou o requerimento para convocação da coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, Franciele Francinato. Outro requerimento, também aprovado, solicita a acareação entre Franciele e a doutora Luana Araújo, para prestar esclarecimentos sobre vacinação de gestantes. O senador Otto Alencar (PSD-BA) busca saber quem foi o responsável por orientar que gestantes que tomaram a primeira dose da vacinação com AstraZeneca pudessem tomar a segunda dose de qualquer outro laboratório.

Foi aprovada também a convocação do desenvolvedor do aplicativo TrateCOV ou do técnico responsável da empresa contratada. A ferramenta foi publicada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de incentivar pacientes de covid-19 a utilizarem o “tratamento precoce”.

A CPI aprovou outras novas convocações. Dentre elas, a do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Marques, autor de um levantamento falso citado pelo presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro disse que, segundo o estudo, 50% das mortes classificadas como causadas pela covid não teriam ocorrido por conta da doença.

O ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo, também teve convocação aprovada. O empresário José Alves Filho também teve o nome aprovado pela CPI, após ser citado por outros depoentes. Felipe Cruz Pedri, secretário de comunicação institucional, também prestará depoimento na CPI.

No começo da CPI da Covid, os senadores criticaram o governo federal por enviar sob sigilo documentos solicitados pela comissão. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) afirmou que a classificação do governo é “uma manobra para criar confusão”. O relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a maioria das informações chegam sob sigilo, lembra que CPI não pode concordar com classificação de sigilos sem amparo legal.

Em seguida, foi aprovado o requerimento de alteração da classificação dos documentos recebidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito, mantendo sob sigilo somente aqueles que classificados por lei, como dados bancários, temas de segurança nacional ou de investigações.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/politica/2021/06/cpi-da-covid-osmar-terra-cloroquina