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Ataques são reação às medidas repressivas do governo do Rio Grande do Norte contra criminosos, diz Tadeu Alencar

O Secretário de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Tadeu Alencar, que acompanha a crise no Rio Grande do Norte, considerou que a motivação dos ataques de facções a estruturas públicas são uma “reação” às medidas de combate ao crime no Estado.

“Parece muito claro que essa é uma reação do crime organizado que reage a medidas repressivas que estão sendo adotadas pelo governo local, parece que inconteste, que essa tentativa da remoção de lideranças de organizações criminosas com atuação no estado vem gerando esta reação”, disse Alencar.

“Todos os indicativos, inclusive da inteligência, que vem apurando esses fatos dão conta que os principais motivos, ainda que não seja o único, é uma reação do crime organizado para tentar desestabilizar o governo e instaurar um clima de instabilidade no Rio Grande do Norte”, destacou Tadeu Alencar em entrevista ao canal Globo News. 

Desde a última terça-feira (14), 49 cidades foram alvos de ataques criminosos. O governo federal enviou tropas da Força Nacional para apoiar a atuação da polícia do Estado. Ao menos 72 pessoas já foram presas nas operações.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), condenou as ações criminosas ocorridas no estado e classificou os atos como “repugnantes” e “inaceitáveis”.

“Eu quero declarar todo nosso repúdio aos inaceitáveis episódios de violência ocorridos no nosso estado, e declarar que todo trabalho está sendo feito para que os criminosos sejam presos, julgados e punidos com todo o rigor da lei”, declarou a governadora.

Fátima Bezerra acrescentou que “o comando de nossas forças de Segurança está atuando desde a madrugada para localizar e prender os responsáveis por esses crimes repugnantes e inaceitáveis”.

Nesta sexta-feira (17), as forças de segurança do Rio Grande do Norte fizeram uma operação contra a facção “Sindicato do Crime” suspeita de articular a onda de violência que assola o Estado. Nesta semana, diversas cidades potiguares foram alvos de ataques promovidos por uma organização criminosa que lançou ofensivas contra órgãos públicos, delegacias de polícia e veículos da frota de transporte público.

A ação foi realizada em conjunto com as polícias Civil, Militar e Federal. São cumpridos 30 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão contra alvos ligados à facção denominada Sindicato do Crime.

O governo estadual calcula que ataques a pelo menos 45 cidades potiguares estão sendo articulados pela organização criminosa, com ordens partindo dos presídios.

O grupo alvo da operação, uma espécie de célula da facção, é liderado por José Kemps Pereira de Araújo, de 45 anos, conhecido como Alicate. Ele está preso e foi transferido da penitenciária de Alcaçuz para o presídio federal de Mossoró na última terça-feira (14), como medida do governo para tentar conter as ações criminosas no estado.

O grupo criminoso, que é investigado desde 2022, movimentava aproximadamente R$ 150 mil por mês com tráfico e assaltos. Além dessas atividades ilícitas, a organização tinha como característica principal matar e atentar contra agentes de segurança pública. Pelo menos quatro policiais foram alvo de atentados nos últimos cinco anos.

A suspeita da polícia é que as pessoas ainda em liberdade estivessem cumprindo as ordens de Alicate. Os mandados eram cumpridos em Natal, Parnamirim e Nísia Floresta, na região metropolitana da capital do Rio Grande do Norte.

De acordo com o balanço mais recente da Secretaria de Segurança Pública do estado, até as 7h desta sexta, foram realizadas 72 prisões. Ainda não há informações sobre o número de presos após a operação desta manhã.

Dentre os detidos estão um adolescente, 10 foragidos da Justiça recapturados e duas pessoas com tornozeleira eletrônica: uma presa portando arma de fogo e outra com um galão de gasolina.

ATAQUES

O Rio Grande do Norte entrou nesta sexta no quarto dia sob ataques. Pelo menos 39 cidades do estado foram alvos das ações criminosas no estado. A onda de violência começou na última terça, quando prédios públicos, comércios e veículos de pelo menos 10 cidades foram alvos de tiros e incêndios.

No mesmo dia, o Ministro da Justiça Flávio Dino autorizou o envio da Força Nacional para conter os ataques. Inicialmente, o ministro da Justiça e Segurança Pública determinou o envio de 100 agentes e 30 veículos. O efetivo deslocado, porém, já dobrou de tamanho.

Mesmo após a chegada da Força Nacional, um ônibus e três micro-ônibus foram incendiados em Natal. No bairro Guararapes, na zona oeste da capital, os bandidos abordaram um motorista, pediram que ele e o passageiro saíssem, e atearam fogo no veículo. As chamas também atingiram fiações elétricas.

SINDICATO DO CRIME

Trata-se de uma organização criminosa formada por dissidentes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O Sindicato do Crime foi criado em março de 2013 e se aliou ao Comando Vermelho, que está em guerra com a facção paulista.

O Sindicato do Crime ficou conhecido pela onda de atentados realizados em agosto de 2016 no Rio Grande do Norte. Na ocasião, também foram realizados ataques contra delegacias e demais prédios públicos, além de destruição de carros e ônibus tanto na capital quanto no interior.

Os ataques começaram após o governo instalar bloqueadores de celular na Penitenciária de Parnamirim, Região Metropolitana de Natal. Isso comprometeu a comunicação dos detentos e prejudicou os negócios da facção, apontada como responsável pelo crime organizado dentro das prisões do estado.

Em janeiro, um homem apontado como líder do Sindicato do Crime acabou preso em Pernambuco. A prisão foi realizada numa ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Força-Tarefa de Segurança Pública do Rio Grande do Norte (FT/Susp/RN), com apoio do Serviço de Inteligência do NIAZM-2/3ªCIPM e de policiais militares da Operação Malhas da Lei.

O mandado de prisão foi expedido pela 1ª Vara Regional de Execução Penal, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN).

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