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Após a trégua, é libertado primeiro grupo com 24 mulheres e 15 crianças prisioneiras em Israel

Apartheid israelense mantém encarcerados 7.200 palestinos por se oporem à ocupação.

39 mulheres e crianças palestinas foram libertadas nesta sexta-feira (24) dos calabouços israelenses, em troca de 13 mulheres e crianças israelenses mantidas cativas em Gaza, na primeira fase da trégua temporária de quatro dias que inclui, ainda, o ingresso de 800 caminhões de ajuda humanitária e 32 caminhões com combustível. Também foram libertados 11 tailandeses, que trabalhavam na agricultura no entorno de Gaza, e um filipino.

Na cidade de Beituna, próxima a Ramallah, na Cisjordânia, centenas de palestinos saíram de suas casas para dar as boas vindas aos recém libertados, gritando “Deus é grande”, empunhando bandeiras palestinas, buzinando e soltando fogos de artifício que iluminaram o céu noturno.

A celebração ocorreu mesmo sob pressão e ameaças israelenses, que tentaram intimidar os palestinos a não receberem com festa suas familiares e amigas em liberdade.

O acordo foi intermediado pelo Qatar e pelo Egito e não foi vetado por Washington. Sob intensa pressão internacional contra a carnificina, e interna, pelo descaso com a sorte dos reféns, o governo Netanyahu/Ben-Gvir se viu forçado a acatar a trégua, depois de sete semanas de genocídio e limpeza étnica que causam asco e espanto ao mundo.

Após o anoitecer de sexta-feira, uma fila de ambulâncias emergiu de Gaza através da Travessia de Rafah para o Egito carregando os reféns libertados, de acordo com imagens ao vivo na TV estatal egípcia Al-Qahera. Na chamada “Praça dos Reféns” em Tel Aviv, uma multidão comemorou a notícia.

Horas antes o Hamas procedera à entrega, à Cruz Vermelha Internacional, de nove mulheres israelenses e quatro crianças. Elas foram consideradas em bom estado de saúde e levadas para hospitais em Israel para se reunirem com suas famílias.

40% dos palestinos que integram a lista de 300 nomes que foi divulgada por Israel para a troca são menores de idade. Segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos, um grupo de defesa dos direitos humanos, cerca de 7.200 palestinos estão encarcerados por Israel, sendo que 2 mil foram presos no último mês.

REFÉNS DE ISRAEL

O sistema prisional israelense inclui um sistema que equivale à oficialização de reféns, sob a chamada “detenção administrativa”, em que os palestinos podem ficar detidos por meses sem saberem do que são acusados e sem serem levados a julgamento.

Quando há julgamento, são submetidos a tribunais militares que quase nunca absolvem réus e que passam por cima do devido processo legal, segundo as denúncias das entidades de direitos humanos, inclusive israelenses. 

Em 1º de novembro, esses “reféns” de Israel eram 2.070, de acordo com a organização israelense de direitos humanos HaMoked, comparado com 1.319 no início de outubro. Muitos das centenas de prisioneiros recentes decorrem da prisão de palestinos na Cisjordânia acusados de filiação ao Hamas.

Um deles, Iyas, de 17 anos, foi um dos libertados. Seu pai, Abdulqader Khatib, um funcionário da ONU, disse “como pai, estou muito feliz, mas como palestino, meu coração está partido por meus irmãos em Gaza”.

“NEM ACREDITO QUE ESTOU FORA”

“Não consigo acreditar que estou fora”, disse Marah Bakir, que tinha 15 anos quando foi presa. “Marah finalmente está em casa. Acabamos de recebê-la no centro de interrogatório de Maskobya”, disse seu pai, Jawdat Bakir, que mora em Jerusalém Oriental.

Ele relatou que a polícia lhe disse que “não podiam comemorar de forma alguma”, ameaçando invadir sua casa, destruir tudo e prendê-lo.

O ministro da Segurança, Itamar Ben-Gvir, ladrão de terra na Cisjordânia e apologista do apartheid, determinou “punho de ferro” contra tais comemorações em Jerusalém Oriental. O pai da prisioneira, não pode nem distribuir doces para os vizinhos, como manda a tradição árabe palestina.

Sawsan, a mãe de Marah, disse estarem felizes por que a filha está livre, “mas nossa alegria é incompleta devido à situação em toda a pátria”. Ela esperava pela libertação de Marah há oito anos: “agora só queremos comemorar e veremos o que acontece mais tarde.”

Nehaya Khader Sawan, que sofre de câncer, disse à Al Jazeera que, embora estivesse “exausta”, estava feliz por estar em casa. Ela fora condenada a 44 meses de prisão em 2021.

Sua sobrinha disse que ela não conseguia continuar falando e precisava descansar, explicando que a tia ficou desorientada o dia todo, pois “não tinha ideia para onde estava indo” para ser liberada, nem quando. “Ela não consegue falar [como antes]. Ela é uma paciente com câncer e, na prisão, sua condição se deteriorou”, disse sua sobrinha à Al Jazeera.

Segundo a Relatora Especial da ONU para os Territórios Ocupados Palestinos, Francesca Albanese, gerações de palestinos suportaram “privação arbitrária de liberdade generalizada e sistemática” sob a “ocupação israelense”.

“Desde 1967, mais de 800 mil palestinos, incluindo crianças, foram detidos com base numa série de regras autoritárias promulgadas, aplicadas e julgadas pelos militares israelenses”, ela afirmou em seu relatório publicado em junho de 2023.

TRÉGUA SE SUSTENTA

A serenidade da liderança palestina evitou que a trégua, negociada com tanta dificuldade, desandasse. Na parte da manha, tropas de Israel violaram o cessar-fogo e, de acordo com o relato da Associated Press, pelo menos duas pessoas foram mortas e outras 11 foram baleadas nas pernas ao tentarem retornar para o norte pela estrada de Saladin. Os feridos foram levados para o hospital Al Aqsa.

Centenas de palestinos, que foram expulsos para o sul do enclave palestino sob as bombas israelenses, foram vistos caminhando para o norte, tentando retornar para suas casas.

Para Mustafa Barghouti, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, a libertação de alguns prisioneiros palestinos das prisões israelenses é “promissora”, pois pode “abrir o caminho para uma troca completa de prisioneiros”.

Três “tabus” do governo israelense foram quebrados, ele afirmou. O primeiro, aceitar que houvesse uma troca de pessoas sendo realizada. O segundo, a pausa por quatro dias.

“Em terceiro lugar, Netanyahu disse que a única maneira de lidar com o Hamas é extirpá-los completamente e agora ele está negociando com eles e até fazendo um acordo com eles”, acrescentou.

“Mas a coisa mais importante que não devemos esquecer é que este cessar-fogo deve continuar porque os massacres em Gaza têm de parar”, disse Barghouti.

Por sua vez, o chefe do bureau político do Hamas, Ismail Haniyeh, se disse comprometido com o acordo de trégua e troca, desde que Israel também esteja comprometido. Para Haniyeh, o acordo foi resultado de duras negociações. “O inimigo apostou na restauração dos cativos por meio de armas, matança e genocídio. Mas depois de quase 50 dias, o inimigo se curvou às condições de resistência e à força de vontade de nosso bravo povo”.

PRESSÃO PARA PROIBIR A COMEMORAÇÃO PELAS MULHERES E CRIANÇAS LIVRES

Na madrugada do dia 24, tropas israelenses invadiram as casas das mulheres detidas e designadas para libertação para ameaçar os parentes a não fazerem festa com a sua chegada.

Junto a esta estupidez, forças israelenses foram alocadas em diversos pontos da Jerusalém Árabe para intimidar os moradores da capital palestina ocupada por Israel e assim tentarem proibir a celebração pela libertação das mulheres e crianças prisioneiras.

A comissária do Serviço Prisional de Israel, Katy Perry, está no interior da prisão de Damon para acompanhar a libertação das mulheres e crianças prisioneiras.

Na quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional, o fanático Itamar Ben Gvir, convocou uma reunião com os principais comandantes de polícia de Israel para instar a todos a impedirem comemorações pela libertação das prisioneiras, dizendo que deveriam se prevenir contra “desordem”.

Ele instruiu em particular a comissária das prisões, a Katy Perry a “esmagar” qualquer tentativa de celebração no interior das prisões e disse ao comissário de Polícia, Kobi Shabtai que use “punho de aço” contra tais tentativas.

Também instruiu a Kobi para aumentar a presença policial nas cidades onde há parentes das mulheres a serem libertadas, em especial em Jerusalém.

Apesar de toda a pressão, a comemoração começa a acontecer.

ALTERNATIVA

Para o colunista da Al Jazeera, Marwan Bishara, se o acordo funcionar hoje, significa que pode funcionar definitivamente nos próximos dias. Para ele, isso é importante porque, enquanto Gaza está, é claro, sofrendo e lambendo suas feridas, também está mostrando qual é “a alternativa à guerra”.

“Este é o outro lado da escuridão que se abateu sobre Gaza e um pouco sobre Israel nos últimos 50 dias. O substituto são pessoas felizes em Israel, pessoas mais felizes na Palestina, encontrando seus entes queridos e tentando reconstruir suas vidas em paz.”

Então, é importante olharmos para isso, independentemente de quão curto e complicado seja, e vejamos como o que é possível e por que acabar com essa guerra é tão importante, ele destacou.

“Porque esta é a alternativa à guerra. Israelenses e palestinos encontram-se com os seus entes queridos e talvez abram da guerra para uma solução séria para esta questão, pondo fim à ocupação, acabando com o cerco a Gaza e, sobretudo, para que os palestinos vivam livres do medo”.

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