128 mil mortos: veja como cada estado vem lidando com a covid

O Brasil chegou nesta quarta-feira (9) ao registro de 128.539 óbitos por causa da Covid-19. De acordo com o , foram 1.075 confirmações de casos fatais em 24 horas. O Conass divulgou ainda que 4.197.889 pessoas já foram infectadas pelo coronavírus no país desde fevereiro. Os novos registros nas 24 horas desde a terça-feira (8), somaram 35.816.

Embora esteja ocorrendo em patamares ligeiramente mais baixos do que os registrados entre os meses de junho e julho, o avanço da covid-19 no Brasil mantém o país em um platô consistente, com números semanais de casos acima de 250 mil. O total de mortes caiu entre os dias 30/08 e 05/09, mas ainda é superior a 5.500 desde maio.

Em uma parte considerável dos estados do Norte e Nordeste, houve queda nos registros e a tendência foi mantida. No entanto, os recordes de contaminados e óbitos em unidades da federação do Centro-oeste, do Sul e do Sudeste são mais recentes. Mesmo onde há diminuição expressiva há vários meses, não há garantias de que os números vão se manter em patamares baixos.

Os resultados dependem de fatores como densidade populacional, medidas de proteção, isolamento social e até mesmo tendências ainda desconhecidas, como os índices de imunidade coletiva da doença. O Brasil de Fato traz os números e cenários de cada uma das unidades da federação e uma análise do professor Edison Bueno, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp  (ouça a entrevista abaixo do título da matéria).

“No caso do Brasil, um país de dimensões continentais, você vai ver vários estágios da pandemia. Alguns em decréscimo, outros em elevação, outros que já tiveram picos e estão voltando a ter elevação dos casos. No conjunto do país, uma coisa acaba compensando a outra e a resultante é uma queda muito leve de casos e óbitos e em um nível preocupante. Não está tendo uma queda acentuada no decorrer do tempo e não é previsível pelas características da pandemia, do vírus e das pessoas no Brasil, que isso vá acontecer.”

Região Norte

Com a maior taxa de incidência (número de casos a cada 100 mil habitantes) do país, a região Norte tem estados que viveram momentos dramáticos no início da pandemia. Os números caíram muito na maior parte deles, mas ainda há situações preocupantes, como é o caso de Tocantins. Com aglomerações maiores nas capitais, a interiorização da doença pode não representar dados tão expressivos quanto no resto do país, mas envolve riscos grandes para os povos indígenas e comunidades tradicionais, por exemplo.

Em Rondônia, após um pico de registros com quase 6.500 casos em sete dias no final do mês de julho, as confirmações de infectados caíram no mês de agosto, mas se mantiveram em uma espécie de platô, nunca abaixo de três mil contaminados por semana. O número de mortes também mostrou desaceleração, mas as flutuações por semana indicam que a queda não é constante a atingiu um limite.

Embora a maior parte dos quase 57 mil casos tenha sido registrada na capital Porto Velho, que responde por mais de 70% dos infectados, a doença avança também entre os indígenas.  Já são mais de 15 povos atingidos. O número de casos confirmados entre as populações tradicionais no estado é superior a 1.100 e as mortes já chegam a 24. 

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Profissionais de saúde ajudam paciente com sintomas do novo coronavírus trazida em uma ambulância de barco da comunidade Vila Amazônia após sua chegada a Parintins (AM) / Michael Dantas / AFP

O Acre é a unidade da federação que tem os menores números absolutos de contaminados e óbitos de todo o Brasil. O total de casos está acima de 25 mil e mais de 10 mil foram registrados em Rio Branco. Ainda assim, municípios como Cruzeiro do Sul (mais de 3 mil casos), Sena Madureira (mais de 1.400 casos) e Taruacá (mais de 1.500 casos) também vivem cenários alarmantes. A concentração nas cidades mais populosas indica que a circulação do vírus ainda está mais intensa nas grandes aglomerações.

O Acre foi um dos estados brasileiros que primeiro sofreu o crescimento avançado na doença. Ainda em maio, chagou a picos de mais de 2.200 casos em uma semana. Agora tem conseguido manter patamares mais baixo. Os registros de óbitos são inferiores a 25 a cada sete dias há um mês. A situação entre os povos tradicionais, no entanto, preocupa. Pelo menos 12 etnias indígenas foram atingidas e já há quase dois mil casos nas comunidades.

O Amazonas é o segundo estado do Norte com maior número absoluto de infectados pela covid, atrás apenas do Pará.  A capital Manaus passou por semanas dramáticas em maio, com períodos em que o total semanal de casos alcançou picos de 11 mil e 700. A quantidade de óbitos, que chegou a ficar acima de 400 por período levou o sistema funerário local ao colapso.

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Vista aérea de sepulturas abertas para vítimas da covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (segunda, 20) / MICHAEL DANTAS / AFP

Os números caíram e por quase dois meses,até 30 de agosto, os casos fatais não superaram 100 a cada sete dias. Mas os dados consolidados da primeira semana de setembro mostraram um aumento expressivo no número de mortes. O governo do estado afirma que a alta ocorreu por revisão na contagem de casos antigos. Mas o resultado coincide com a volta às aulas na rede pública. Em dez dias de testagem em massa entre os profissionais da educação, já foram identificados mais de 600 casos positivos da covid-19. 

Entre os indígenas do estado, a covid-19 já infectou mais de 13 mil pessoas até o dia 07 de setembro. Os óbitos nas comunidades tradicionais ultrapassam 220 casos. Mais de três mil contaminados têm origem em São Gabriel da Cachoeira, município com a maior população indígena de todo o Brasil. 

O pico de contaminações e mortes pela covid-19 em Roraima foi registrado em maio, quando o estado ultrapassou 5.500 infectados e 80 mortos em uma semana. De lá para cá os números baixaram e, na semana passada foram inferiores a 2 mil infectados pela primeira vez em mais de dois meses. Os óbitos estão em declínio consistente desde o fim de julho.

Frente a isso, o governo planeja retorno às aulas presenciais ainda este ano. As atividades estão suspensas pelo menos até 30 de setembro. Até 5 de agosto mais de 2.800 indígenas do estados tiveram a confirmação de que estavam com a covid-19 e seis etnias já foram atingidas. 

No Amapá, o primeiro caso de coronavírus foi registrado em março e cerca de três meses depois o estado passava por picos com mais de 50 mortes e seis mil casos por semana. Com isso, chegou a ter a maior taxa de infectados do país a cada 100 mil habitantes. Em maio, proibiu a realização de atividades não essenciais e impôs restrições rígidas à circulação de pessoas e veículos. 

O estado chegou a registrar esgotamento do sistema de saúde, tanto público quanto privado. No início de junho o governo anunciou o fim do lockdown, mas manteve ações de distanciamento. De lá para cá, os números de infectados e mortos diminuíram em relação à fase mais crítica, mas a flutuação semana a semana é grande.

No início do mês de agosto, por exemplo, o número de infectados registrados em sete dias ficou abaixo de 1.300. Agora, na primeira semana de setembro, foram quase 2 mil. Em primeiro de  setembro, o governo prorrogou as medidas de distanciamento por mais trinta dias. As aulas presenciais estão suspensas e os serviços públicos estão em fase de retomada gradual do funcionamento. 

O Pará é o único estado do Norte que está na lista dos 10 que mais registram casos da doença no Brasil. Atualmente são mais de 208 mil confirmações de infectados. O número total de mortes está acima de 6 mil. Já há tendência de queda consolidada, no entanto. Há mais de seis semanas, o estado não registra mais de 150 óbitos por período. O total de infectados confirmados vem diminuindo há três semanas.

Em maio, após semanas em que o crescimento de mortes chegou a superar 220%, o governo do estado decretou lockdown em 17 municípios. Em cidades como Belém e Santarém, houve colapso no sistema de saúde e corpos chegaram a ser amontoados no chão de unidades de atendimento e do Instituto Médico Legal.

Atualmente, o governo estadual considera que todo o Pará está em risco intermediário ou médio de propagação do vírus. Isso significa que os municípios estão autorizados a abrir parte do comércio com restrição de lotação e a autorizar o funcionamento de escritórios e igrejas. Para as cidades com risco intermediário, as aulas presenciais foram autorizadas desde o começo de setembro, mas a participação dos estudantes não é obrigatória e as instituições precisam garantir a possibilidade de aulas remotas. 

Até a metade do mês de abril, o Tocantins era o único estado brasileiro sem registro de mortes por covid-19. Hoje, com mais de 56 mil infectados e 758 óbitos, apresenta aumentos constantes nos números há mais de um mês. Há seis semanas o número de óbitos por período registra sucessivas altas.

No começo de agosto os registros de infectados passaram a superar cinco mil pessoas a cada sete dias e se mantêm nesse patamar. Hoje, o estado tem a maior taxa de incidência da doença de toda a região. O governo estadual publicou decretos em que recomenda às prefeituras a proibição de atividades e serviços não essenciais e a adoção de medidas sanitárias. No entanto, não há um plano único estadual. 

Região Nordeste

O Nordeste é hoje a segunda região com os maiores registros absolutos de casos e mortes e tem cinco estados com mais de 100 mil infectados. No entanto, nas últimas semanas, quase todos eles viram cair as notificações. 

A Bahia já registrou mais de 270 mil infectados está atrás apenas de São Paulo na lista dos que mais tiveram pacientes da covid-19. Mas tem taxa de letalidade abaixo da média nacional, em 2,1%. Os períodos mais críticos da doença no estado são recentes e o recorde de mortes foi registrado entre os dias 16 e 22 de agosto. Foram quase 500 óbitos em uma semana.

Nos períodos anteriores a Bahia vinha registrando altas consistentes nos registros de pessoas contaminadas pela covid, que chegaram a superar 26 mil em sete dias entre 16 e 25 de julho. Na primeira semana de setembro, no entanto, o número volto a ficar abaixo de 15 mil, patamar que não era registrado desde junho. Onze cidades da região metropolitana de Salvador chegaram a ter toque de recolher no mês de julho.

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Funcionários da prefeitura desinfectam pontos turísticos em Salvador nesta quinta (27) / Jefferson Peixoto/Secom

Atualmente a capital permite abertura de alguns comércios com horários limitado, clubes para praticas de esportes individuais, igrejas restaurantes e lanchonetes, por exemplo. No entanto, ainda há mais de 350 municípios com proibição de transporte entre cidades, pelo menos até a segunda semana deste mês.

O Ceará, que chegou a registrar mais de mil mortes em uma semana no começo do mês de junho, completou um mês com menos de 100 óbitos por período no dia 05 de setembro. O total de infectados identificados a cada sete dias, que ultrapassou 17 mil em maio, também diminuiu consideravelmente e está abaixo de 10 mil há um mês.

Já no começo de maio o governo do estado decretou medidas rígidas de isolamento, com lockdown, na capital Fortaleza. Posteriormente, outros municípios também passaram a cumprir a medida. A retomada de atividades vem sendo realizada com base em um plano que prevê escalas de funcionamento a depender da situação de cada região.

Hoje, quase todo o estado está na fase mais branda de isolamento, que permite abertura de comércio de rua e shoppings centers e funcionamento de igrejas, academias salões de beleza, com limitação de público. Apenas na região do Cariri, as restrições seguem mais rígidas, mas já com autorização de funcionamento dos templos religiosos, por exemplo. A continuidade da reabertura depende da manutenção da tendência de queda nos números de infectados e óbitos e da capacidade de atendimento da rede de saúde.

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O Ceará já entrou na fase mais branda do isolamento

No Maranhão, os registros de mortes pela covid por semana estão em queda expressiva desde julho. O Estado registrou recorde de casos entre o fim de maio e a segunda semana de junho quando os números semanais chegaram a superar trez mil novos infectados por semana. Por nove semanas os casos fatais ficaram acima de 200 a cada sete dias.

O Maranhão foi o primeiro estado brasileiro adotar o lockdown. Por decisão judicial, quatro municípios maranhanses tiveram que implementar restrições rígidas nas atividades no dia 30 de abril, entre eles a capital São Luís e outros três municípios da região metropolitana. Duas semanas depois o governo colocou em vigor um decreto que previa fechamento de comércio não essencial, paralisação das aulas e controle de acesso aos setores que continuassem abertos.

O estado registra menos de 100 mortes por semana há um mês e há cerca de dois meses o número de casos registrados a cada sete dias é inferior a dez mil. Com isso, as atividades começaram a ser retomadas. O comércio teve permissão para reabrir em junho e, no dia 28 de agosto, o governo liberou eventos com até 100 pessoas, desde que  seja garantida a possibilidade de rastrear convidados em eventual caso de infecção.

Desde maio, quando os registros de casos por semana passou dos cinco mil em Pernambuco pela primeira vez, o estado vem apresentando flutuações constantes nos números de infectados por período. Houve picos de mais de oito mil pacientes confirmados entre 17/05 e 23/ 05 e de quase dez mil entre 26/07 e 01/08.

O estado tem a segunda maior taxa de letalidade (total de infectados que evoluem para óbito) do país e hoje contabiliza quase oito mil casos fatais entre os mais de 132 mil contaminados. Pernambuco tem um plano de retomada de atividades que também classifica cidades em etapas a depender da situação de cada município.

A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata são as mais avançadas e têm permissão para reabrir o comércio de praia, escritórios, serviços de alimentação e museus, por exemplo. Nenhuma região do estado passa pelo estágio de limitação mais rígida e as aulas presenciais em universidades foram autorizadas, desde que com 25% da lotação das salas e prioridade para turmas de formandos.

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Agentes Populares de Saúde em ação no bairro de Brasília Teimosa, Recife-PE / Comunicação do Mãos Solidarias

A Paraíba, que já confirmou quase de 110 mil casos da covid e tem mais de 2.5 mil óbitos registrados oficialmente, vem conseguindo manter a queda nos números há quase dois meses. O estado teve picos entre oito e nove mil infectados nos meses de junho e julho. Foi em julho também que os casos fatais alcançaram patamar recorde para o estado, com mais de 200 registro em uma semana.

Pelo planejamento estadual de reabertura da economia mais de 80% dos municípios segue com proibição de abertura de creches, escolas, universidades, espaços de lazer e com impedimento de realização shows, festas, eventos, festivais e comícios. Todas as outras atividades funcionam com restrições e novos protocolos de acesso. Desde 13 de julho a Paraíba não tem nenhuma cidade com restrições rígidas e funcionamento apenas das atividades essenciais.

Entre o fim de Junho e a segunda semana de agosto, o Piauí se manteve nos patamares mais altos de registros de caso da covid no estado com mais de 6 mil novos infectados confirmados por semana. Os recordes de óbitos para o estado ocorreram 28/06 e 18/07. Foram três semanas com registros de mais de 150 mortes por período. O governo determinou a suspensão das atividades não essenciais de comércio e serviço na última semana de março.  

Houve queda no número de mortes, mas o total de infectados por semana continuou acima de seis mil até metade do mês de agosto. Atualmente, o estado vem registrando declínio nos dois índices há quatro semanas seguidas. Em 27 de julho o governo deu início a um plano de reabertura parcial. Na fase mais recente do projeto, que começou após o feriado de 7 de setembro, foram liberadas atividades culturais com até 100 pessoas.

Eventos com público superior precisam garantir distanciamento e só podem ser feitos com a possibilidade de que cada grupo ou família fique dentro do próprio veículo, a exemplo dos chamados drive in. O comércio já está funcionando, mas as escolas seguem fechadas pelo menos até 22 de setembro.

Frente ao avanço no número de infectados pelo coronavírus em Alagoas, que começou a ser notado com mais força em maio, o governo decretou fechamento do comércio, proibição de aglomerações em espaços públicos e restringiu o número de passageiros no transporte público.O estado não adotou lockdown e o total de casos se manteve acima dos cinco mil por semana por praticamente 11 semanas seguidas.

No entanto, houve queda consecutiva no número de mortes desde 28 de junho e a tendência se mantém até agora. As aulas seguem suspensas, mas o plano de reabertura da economia está em fase que permite abertura de igrejas, comércio de rua e de shoppings centers, restaurantes, bares e academia com limitação de público. Alagoas tem, até agora mais de 80 mil casos da covid e quase dois óbitos pela doença.

Mesmo com decreto que proibia a realização de eventos com aglomerações e determinava o fechamento de serviços e comércios não essenciais valendo desde 24 de março, Sergipe viu os números de infectados e óbitos apresentarem crescimento praticamente constante por semanas até o fim de julho. O governo do estado chegou a afirma que a população não estava colaborando de maneira suficiente para o combate à propagação da covid-19.

Em junho, o estado registrou os piores índices de isolamento da região Nordeste e chegou a ter mais de 9 mil infectados e quase 200 mortes em uma semana. De lá para cá, os números caíram e vêm se mantendo em queda há mais de seis semanas. A reabertura do comércio foi autorizada na segunda semana de agosto.

No início de setembro foram liberadas as celebrações religiosas, academias e áreas abertas de lazer coletivo. Não há previsão para retorno das aulas presenciais e de atividades de lazer e esporte em locais fechados e com aglomerações. Atualmente o estado tem quase 74 mil infectados e o número de óbitos se aproxima de 2 mil.

Com menos de 64 mil casos, o Rio Grande do Norte é o estado do Nordeste com menor número absoluto de infectados pela covid-19. No entanto, tem a terceira maior taxa de letalidade, atrás apenas de Pernambuco e Ceará. O pico da epidemia no RN até agora foi registrado na semana entre os dias 28/06 e 04/07, quando houve mais de 10 mil confirmações da doença e quase 300 óbitos. Desde então houve queda considerável nos dados. 

Há uma mês, o  total de pessoas contaminadas por semana está abaixo de três mil e na semana que se encerrou em 05/09 foram confirmados 43 óbitos. O Rio Grande do Norte não registrava menos de 50 mortes por semana desde maio. Embora estejam liberadas as atividades religiosas, de lazes e econômicas, todas devem seguir medidas sanitárias. Nesta terça-feira (09), o governo anunciou que não vai retomar as aulas presenciais da rede pública de ensino este ano em nenhum município do estado.

Região Centro-oeste

O Centro-oeste ainda registra menor número absoluto de casos da covid-19 em todo o país. No entanto, os óbitos alcançaram recordes nas últimas três semanas em três das quatro unidades da federação que fazem parte da região. Duas delas já têm mais de 100 mil casos da doença.

No Distrito Federal, o pico de casos fatais foi detectado entre os dias 16/08 e 22/08, quando quase 300 mortes foram registradas. Nas quatro semanas anteriores, o DF havia contabilizado mais de 13 mil casos por período. São os números mais expressivos para a capital desde que o vírus foi detectado pela primeira vez.

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Bolsonaro deixa a Catedral de Brasília após agredir repórter em entrevista: "A vontade é encher tua boca com porrada" / Sergio Lima / AFP

A capital federal já vinha confirmando mais de 10 mil pacientes a cada sete dias desde a segunda semana de junho. No total, mais de 170 mil pessoas já tiveram a confirmação da doença e houve mais de 2,7 mil casos fatais. Ainda assim, todo o comércio está liberado para funcionar há mais de dois meses.

Nesta semana, o governo autorizou também a abertura de teatros e cinemas. As igrejas podem realizar cultos sem restrição de intervalo entre uma atividade e outra. A volta às aulas na rede pública ainda não tem data, mas as instituições privadas entraram em acordo com o Ministério Público e devem retomar as atividades presenciais ainda em setembro.

Goiás também registrou recorde nos registros de óbitos entre os dias 16/08 e 22/08, quando houve confirmação de 427 mortes pela covid-19. O resultado foi contabilizado uma semana depois do número de contaminados alcançar o pico semanal, com mais de 16,4 mil novos pacientes em sete dias. Desde 19 de julho, o estado se mantém em um platô acima de 14 mil novos contaminados por semana.

Até 27 de julho estava valendo um decreto do governo estadual que determinada períodos intercalados de fechamento e abertura das atividades econômicas. Cada fase duraria 14 dias. Desde que a determinação foi suspensa, ficou a cargo das prefeituras definir as próprias medidas.

No entanto, eventos esportivos não podem reunir torcidas e aglomerações estão proibidas em atividades de lazer, por exemplo. As aulas seguem suspensas, tanto nas escolas púbicas quanto nas privadas. Goiás tem atualmente mais de 145 mil confirmações de infectados pelo coronavírus e soma quase 3,5 mil óbitos.

O Mato Grosso do Sul, um dos estados brasileiros com menos registros absolutos de contaminados, também viu o maior registro de óbitos entre os dias 16/08 e 22/08. Foram 124 casos fatais. Uma semana antes, o estado havia contabilizado quase seis mil novos pacientes infectados, recorde até então.

No último mês, os números se mantêm em um platô de patamares altos, nunca abaixo de 100 mortes e 5,3 mil casos a cada sete dias. Ainda assim, mais da metade dos 79 municípios do estado tem risco considerado médio para a propagação da doença e podem abrir bares e restaurantes, por exemplo.

Em 22 municípios, considerados de alto risco, as atividades não essenciais estão proibidas. Entre eles está a capital Campo Grande. O Mato Grosso do Sul já registrou mais de 54 mil infectados e tem quase 1 mil casos fatais da covid-19. 

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Reabertura do comércio também é vista em cidades de outros estados, como Cuiabá (foto), capital do Mato Grosso / Christiano Antonucci / Secom-MT

No Mato Grosso, o número de casos da covid-19 alcançou recordes entre os dias 19/07 e 15/08, quando os registros semanais ficaram próximos a 10 mil infectados durante todo o mês. Neste mesmo período houve picos de mortes próximos a 300 registros por semana. Nos últimos 21 dias as confirmações mostraram queda, mas o cenário ainda é inconsistente.

Em nenhum período foram notificados menos de 100 óbitos e o total de infectados não ficou abaixo de  sete mil a cada. Por meio de decreto, o governo do estado vem fazendo recomendações aos municípios para combate à pandemia. As medidas variam de acordo com a classificação de risco de cada cidade.

Atualmente, mesmo sem a queda consistente nos números, as atividades econômicas não essenciais estão autorizadas a operar, respeitando limite de 70% da capacidade normal. Eventos de esporte, lazer e cultura com aglomerações sem controle seguem proibidas. No entanto, cinemas e teatros podem funcionar desde que tenham no máximo 40% da lotação usual. 

Região Sudeste

Região com maior número de casos e óbitos absolutos, o Sudeste abriga o estado com a mais alta taxa de letalidade do país (Rio de Janeiro) e o que tem os dados totais mais expressivos do país (São Paulo). No entanto, nas últimas três semanas os registros totais de infectados vêm diminuindo na região seguidamente. Nesse período, as confirmações que por um mês ultrapassaram o teto de 100 mil, ficaram abaixo desse patamar.

São Paulo, onde o coronavírus foi identificado pela primeira vez no Brasil, tem hoje mais de 850 mil casos e cerca de 31,5 mil mortes. Após picos com registos de mais de 75 mil confirmações da doença por semana, o estado conseguiu baixar as números, mas está há três semanas em um platô de mais de 51 mil novos pacientes por período.

Há mais de um mês o ritmo de crescimento dos óbitos vem caindo. Na semana passada, ficou abaixo de 1,5 mil pela primeira vez desde maio. O governo estadual divulgou um plano de retomada há pouco mais de três meses e, atualmente, mais de 95% das cidades paulistas estão em fase de flexibilização. Comércio e serviço estão autorizados a funcionar, desde que com limitação de público e garantia de medidas sanitárias. 

O Rio de Janeiro, que tem a maior taxa de letalidade do país, já registrou três grandes picos de contaminados desde o início da circulação do vírus na região. Os números ficaram acima de 17 mil pacientes confirmados por semana em semanas dos meses de maio, julho e agosto. No fim de maio, por duas vezes, o total de óbitos registrados ficou acima de 1,3 mil por semana. Esse dado vem registrando queda nos últimos 21 dias, mas nunca abaixo de 500 por período.

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Covid muda rotinas: Exército faz limpeza do Cristo Redentor no Rio de Janeiro contra o coronavírus. / Mauro Pimentel/ AFP

Apesar de eventos com presença de público estarem proibidos até 20 de setembro, inclusive com impedimento de permanência nas praias, o feriado de sete de setembro teve faixas de areia lotadas. O governo anunciou ainda um plano de retomada do turismo, com informações para quem quiser visitar o estado.

As aulas presenciais em escolas privadas têm previsão de serem retomadas ainda este mês. Nas rede públicas, as atividades devem recomeçar na primeira semana de outubro. Em ambos os casos, a medida vale apenas para municípios que o governo considera terem risco mais baixo de contaminação. Atualmente estão nessa classificação mais de 95% das cidades fluminenses.

Terceira unidade da federação com maior número absoluto de infectados, Minas Gerais registra um platô superior a 19 mil casos a cada sete dias desde a segunda semana de julho. O recorde de mortes por período foi registrado há menos de um mês. Entre 16/08 e 22/08 foram 693 óbitos e a soma total ultrapassa 5,8 mil.

O planejamento das medidas de distanciamento leva em consideração a situação de cada município, com fatores como número de infectados, propagação da doença e disponibilidade de leitos. Cidades da região Noroeste permanecem em estágio em que somente os serviços essências podem funcionar.

No restante do estado, já é possível abertura de comércios e serviços fora desses critérios, mas com manutenção de medidas sanitárias e de distanciamento. Nessas regiões estão autorizadas também as aulas de mestrado e doutorados. As outras atividades educativas seguem suspensas em todo o estado. 

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Após reabertura do comércio, Belo Horizonte tem aglomerações por várias regiões da cidade / PBH

Nas últimas duas semanas, o Espírito Santo conseguiu manter o total de infectados por período abaixo de seis mil. O estado não registrava números inferiores a esse patamar desde o início de junho. O total de óbitos registra quedas consecutivas há três semanas, mas não fica abaixo de 100 desde maio.

São dados consideravelmente inferiores aos registrados no pico de contágio das infecções e mortes no estado. Entre 28/06 e 04/07 as confirmações de pacientes com covid ultrapassaram 11 mil. Atualmente, o estado tem mais de 117 mil pessoas que já foram contaminadas pelo coronavírus e número de óbitos é superior a 3,2 mil. 

As atividades econômicas nos municípios dependem do número de casos ativos, da quantidade de testes realizados e dos índices de ocupação de leitos de UTI. As aulas da educação básica não têm data para serem retomadas, mas no ensino superior as atividades presenciais estão autorizadas a partir da segunda semana de setembro. 

Região Sul 

Na semana que se encerrou no dia 05 de setembro, o Sul do Brasil viu os números de contaminados pela covid-19 chegarem a patamares recordes. O total de novos pacientes registrados nos três estados da região ficou acima de 67 mil. Ate então, o dado sempre esteve abaixo de 44 mil. 

Apesar de ter as menores taxas de incidência, mortalidade e letalidade do país, as semanas mais críticas da epidemia no Sul são recentes e o avanço da doença alcança patamares preocupantes. Todos os estados já têm mais de 100 mil registros de infecção pela covid-19.

Em Santa Catarina, o total de contaminados nunca tinha ultrapassado 20 mil por semana até o fim do mês passado. Mas os dados da primeira semana de setembro causaram espanto, O número de pacientes confirmados chegou a quase 42 mil em sete dias.

Os recordes de óbitos até agora foram registrados em agosto, quando houve registro consistente de mais de 200 casos fatais por perídodo. O estado já confirmou mais de 192 mil casos da doença. Os pacientes que evoluíram para óbito ultrapassam 2,4 mil.

Há duas semanas, o total de mortes registradas segue abaixo desse patamar. Porém, o estado não consegue diminuir os números para menos de 100 por semana há mais de dois meses. Segundo dados do governo estadual, mais de 70% dos municípios de Santa Catarina têm risco grave de contaminação. Nesses locais estão proibidas as atividades com aglomerações.

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Dom Peruzzo abençoa e participa das entregas de marmitas em Curitiba / Joka Madruga

O Paraná também tem registros recordes recentes. Os números mais expressivos de óbitos e infectados foram confirmados na semana que terminou em 15 de agosto, há menos de um mês. Foram quase 15 mil de pessoas contaminadas e e mais de 390 mortes. De lá para cá houve queda nos dados, mas os números de pacientes, por exemplo, não fica abaixo de 12 mil há três semanas.

Ainda assim, o estado  autorizou funcionamento do comércio e de serviços. Academias, shopping centers e locais para esportes podem receber frequentadores. Não há data para retomada das aulas presenciais, suspensas para todas as faixas etárias. O Paraná tem hoje mais de 146 mil contaminados e 3,6 mil óbitos.

O Rio Grande do Sul tem o maior número de casos fatais da região. São quase quatro mil registros de óbitos até o momento. O estado já confirmou cerca de 147 mil infectados.Os dados mais expressivos também ocorreram no mês passado. Entre os dias 23/08 e 29/08, mais de 15 mil pessoas receberam a notícia de que estavam com a doença. Uma semana antes o número de mortes chegou a quase 400. 

Nas semanas seguintes os registros baixaram, mas ainda assim em patamares acima de 12 mil casos e 150 mortes em sete dias. As atividades econômicas não pararam, mas seguem restrições baseadas nos índices da doença e na possibilidade de atendimento de cada cidade. 

O governo considera que a maior parte do estado tem risco médio de propagação. No entanto, há oito regiões em estágio de risco alto, entre elas a capital, Porto Alegre. Ainda assim, alguns setores estão autorizados a funcionar, desde que respeitem restrições estabelecidas pelo governo estadual.

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A enfermeira Jéssica Marques mostra as marcas no rosto causadas pelo uso prolongado de máscaras, na UTI da Santa Casa de Porto Alegre / SILVIO AVILA / AFP

 

 

 

 

 

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Fonte: www.brasildefato.com.br/2020/09/09/128-mil-mortos-veja-como-cada-estado-vem-lidando-com-a-covid

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