Um cabana pra chamar de sua | Olha o mundo, filho!

Filho. O tempo vai passando e você se torna cada vez mais, como você mesmo diz, um menino grande. A cada dia aparecem mais descobertas, questionamentos, pensamento lógico e me pergunto até quando vai ter Papai Noel, Coelho da Páscoa e as viajadas lúdicas em torno de contos de fadas.

Hoje me lembrei de uma experiência muito especial, teu aniversário de 5 anos numa praia deserta, no auge da pandemia em 2021, bem no rebote do contágio pós-festas de Natal e Ano Novo – festas que a gente não teve, por mais que me doesse ter o primeiro Natal longe dos meus pais, teus avós queridos.

Pela primeira vez não tínhamos feito tua animada festa de aniversário com família e amigos. Mas eu e teu pai, já separados, decidimos fazer um esforcinho (tá bom, um baita esforço de tolerância mútua) e te dar esta alegria: pegar a estrada em uma segunda-feira pra fazer uma festa privativa na praia de Ubatumirim, um mini paraíso de águas calmas e quentes em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Tivemos direito a bolo de chocolate (feito por mim como manda a tradição) decoração, balões e brigadeiros. Até hoje sinto a areia nos meus dentes.

Nunca, jamais vou esquecer da gente montando um cenário de festa na praia e te induzir a encontrar “sem querer” o teu presente, um Lula Molusco de feltro que você acreditou piamente ter vindo da ilha bem em frente a praia, um fictício marco na Fenda do Biquíni. De convidados, o Bob Esponja, seu melhor amigo Patrick – que meses antes também foi “encontrado” perdido numa moita perto de casa – e o Haroldo, o cão mais simpático e bom viajante de todos os tempos.

O ápice da viagem foi uma hospedagem literalmente encantadora, o Bangalô Surucuá, todinho feito de bambu no meio da floresta, sem serviço de café da manhã por causa do isolamento social, quase sem contato humano (pena, a família anfitriã era muito, muito fofa), mas com ar condicionado e wi-fi. Tivemos a certeza que foi a experiência mais lúdica e especial que poderíamos ter escolhido para a data quando terminamos a trilha com cheiro de mata úmida e você gritou: “É a casa dos três porquinhos!”

Foram três dias felizes, com você alternando dormir com teu pai no andar debaixo e comigo no andar de cima. O sobe-e-desce era feito por uma escada engenhosa de bambu e a vista para a vegetação era linda, chegava bem pertinho.

Nestes três dias de sol e calor, tomamos banho de rio, nadamos no mar morno, vimos os mais lindos pores do sol, tomamos banho em uma nascente que jorrava de um cano d’água na frente da cabana, comemos as comidas gostosas do teu pai, tivemos cafés da manhã demorados com pedaços generosos de bolo e doces que sobraram da festa.

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A gente nem sabia, mas foi a despedida, a quebra da utopia de achar que dá pra continuar viajando todos juntos depois do divórcio. Foi uma viagem cheia de significados e, sim, de belezas.

Te amo mais que tudo, não a ponto de fazer viagens com ex-marido pra te agradar, isso é desnecessário, mas sim a ponto de lembrar deste dia com as melhores recordações de amor, companheirismo e bons momentos a três, fazendo o melhor que podíamos naquela hora.

Foi a coisa mais linda. Te amo, meu peixinho.

[Leia mais sobre viagens y otras cositas da vida de uma mãe 360º no meu Instagram @rivotrip.oficial]

Leia também um relato bacana de um fim de semana na Barra do Sahy.

 

 

 

 

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Fonte: viagemeturismo.abril.com.br/coluna/olha-o-mundo-filho/era-uma-vez-um-bangalo-de-bambu-no-meio-da-mata-em-ubatumirim