Três em cada 10 brasileiros morrem de AVC, infarto ou insuficiência cardíaca – ViDA & Ação

Três em cada 10 brasileiros ainda morrem por consequência de doenças cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. Estas são hoje as principais causas de morte no mundo, sendo responsáveis por um terço dos óbitos ocorridos no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Organização Pan-Americana da Saúde estima 15 milhões de óbitos todos os anos, representando 30% do total de mortes pelo mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 300 mil pessoas sofrem infarto agudo no miocárdio anualmente, e 30% desses casos são fatais. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), somente em 2020, cerca de 270 mil brasileiros já morreram por doenças cardiovasculares.

A situação é ainda mais preocupante em tempos de pandemia, já que pessoas com doenças cardiovasculares são as mais frequentes vítimas fatais da Covid-19 no Brasil, representando quase 40% do total de óbitos pela doença no país. É o fator de risco mais comum para o novo coronavírus, na frente de diabetes e problemas pulmonares. Levantamentos recentes mostram que 25% dos brasileiros que moram em capitais têm pressão alta, o que pode piorar a evolução de uma infecção viral. A taxa sobe para 60% entre pessoas acima dos 65 anos.

Por tudo isso, a adoção de hábitos saudáveis e a conscientização sobre os fatores de risco para doenças coronarianas tornam-se ainda mais relevantes no atual momento de pandemia mundial. Neste dia 29 é celebrado o Dia Mundial do Coração. A data serve de alerta para as doenças cardiovasculares (DCV). E, para ampliar a conscientização para os cuidados com o órgão surgiu o Setembro Vermelho.

Thiago Siqueira, médico cardiologista e coordenador da Cardiologia do Hospital Anchieta de Brasília ressalta cuidados indispensáveis, ainda mais em tempos de pandemia, já que portadores de doenças fazem parte do grupo de risco para a doença, com maior probabilidade de desfecho clínico.

É importante permitir que as pessoas tenham acesso a programas de prevenção primária a fim de evitar o primeiro evento cardiovascular, e após este, que todos tenham o acesso a prevenção secundária, para que se possa tratar adequadamente”, acrescenta.

De acordo com o cardiologista Diego Gaia, do Hospital Santa Catarina (HSC), de São Paulo, para quem tem uma insuficiência cardíaca, qualquer inflamação no corpo é como se fosse um grande estresse para o organismo, e a infecção viral leva a uma série de reações responsáveis por desequilibrar o funcionamento do coração.

No início da pandemia, havia o receio de que medicamentos para hipertensão e outros problemas do coração pudessem agravar a evolução da Covid-19, mas hoje já há estudos comprovando que isso não ocorre. Na verdade, interromper os tratamentos das cardiopatias é o que aumenta o risco à saúde, podendo gerar uma crise hipertensiva, trombose ou infarto”, afirma o médico.

Falta de ar, aperto, queimação ou pontadas no tórax, associadas a formigamento ou dores nos braços, mandíbula ou nas costas, são alertas para procurar imediatamente um cardiologista. Alguns fatores de risco são determinantes para a ocorrência de cardiopatias, como diabetes, hipertensão, tabagismo, estresse, obesidade, doença da tireoide, colesterol alto e histórico familiar.

Os especialistas alertam: quanto antes começar a prevenção, mais efetivo será o tratamento. “As doenças cardiovasculares podem ser silenciosas no começo, o que leva o indivíduo a não se cuidar e evitar uma complicação do quadro”, explica Fabio Lario, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “Muitas vezes os pacientes chegam no consultório quando estão com algum sintoma, e isso já pode ser um indicativo de que a doença está evoluindo para um quadro mais grave”, complementa.

Qualquer doença descoberta precocemente tem muito mais chances de ser tratada e controlada, e com o coração não é diferente. O eletrocardiograma é o exame mais importante, mas, inicialmente, uma simples coleta de sangue pode detectar níveis de colesterol, glicemia, função renal e tireoidiana que estejam fora do padrão. Outros exames, como raio-x de tórax, ecocardiograma, teste ergométrico, cintilografia miocárdica e angiotomografia de coronárias, quando indicados, ajudam a elucidar as doenças cardiovasculares”, destaca o Dr. Diego Gaia.

Desde o início da pandemia, os hospitais registraram, de forma geral, uma queda acentuada nos atendimentos, o que traz preocupações para o diagnóstico e continuidade do tratamento dos pacientes com doenças cardiológicas. Para reverter esse cenário, os hospitais adotaram uma série de medidas preventivas, reforçando as ações de segurança para os pacientes.

O HSC, por exemplo, adotou novos fluxos, com distanciamento, monitoramento seguro nas catracas de acesso, telemedicina e medicação por drive-thru, aplicação de exame Covid-19 sem custo para todos os pacientes cirúrgicos 72 horas antes do procedimento, segregação de leitos e salas cirúrgicas para que não haja contato com pacientes com Covid-19, acompanhamento após a alta.

Outro ponto que anda preocupando os especialistas é a diminuição da procura por consultas de rotina, e da realização de exames de check-up, que são essenciais para manter o controle das doenças. “Já tínhamos uma dificuldade grande para conscientizar os pacientes para que começassem os exames preventivos o quanto antes, e com a pandemia, as coisas se agravaram”, diz Fabio Lario.

O médico explica ainda que é sempre importante tomar as medidas de higiene e precauções necessárias para combater o vírus da Covid-19, mas isso não pode ser um fator exclusivo no momento de procurar auxílio médico. “O paciente pode checar antecipadamente quais as medidas de segurança o hospital está adotando, como ele deve seguir na consulta, e seguir as orientações. Deixar de acompanhar a sua saúde pode ser perigoso a longo prazo”, explica.

Com uma pandemia sem precedentes e com a população tendo que rever sua rotina e hábitos de vida, muitas pessoas reduziram a frequência da prática de atividades físicas ou passaram a ser sedentárias. Isso somado ao estresse, ao aumento do consumo de bebidas alcóolicas e do tabagismo podem influenciar diretamente na saúde do nosso coração. Para reverter a situação, é preciso se reinventar e retomar alguns pequenos hábitos, para que o corpo entre em um ritmo saudável.

O cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz esclarece que introduzir na sua rotina uma dieta mais saudável, rica em vitaminas, alimentos naturais, sem excessos, já é um bom começo principalmente em tempos em que as tentações na alimentação estão ainda maiores. “Evitar os alimentos ultra processados, gordurosos e com muito sal é essencial para manter a saúde do coração e reduzir os índices de colesterol, principal causador da aterosclerose, que é a formação de placas de gordura nas artérias. Essa gordura provocam o endurecimento e o entupimento dos vasos sanguíneos”, aponta Lario.

O médico ainda indica que a prática de 150 minutos de atividade semanal moderada oferece 98% dos benefícios para o coração. Esse tempo pode ser distribuído ao longo dos dias, como sessões de 10 minutos a 30 minutos, por exemplo. Atividades moderadas como uma caminhada rápida, e afazeres cotidianos como ir a pé aos locais mais próximos da residência ou trabalho, ou ainda priorizar o uso de escadas aos elevadores podem ser facilmente incorporados à rotina diária e fazem grande diferença na saúde do indivíduo. Atividades que podem diminuir o estresse, como yoga e meditação, são bem-vindos nesse momento além de trazer mais qualidade de vida.

Dieta não balanceada é principal fator de risco para mortalidade precoce

Além de consultar um médico periodicamente para manter um tratamento adequado, o especialista do Hospital Santa Catarina lembra que a prática de atividades físicas, aliada a uma alimentação balanceada, com baixa concentração de sódio e açúcar, são fundamentais para combater as principais doenças do coração. Fabio Lario, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “

Thiago Siqueira destaca que há uma correlação entre fatores de risco (hipertensão, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo e diabetes) com hábitos de vida e hereditariedade. “Conhecer esses três pilares é a peça chave no combate a essas patologias. Assim, após a estratificação de risco com base neles, traçamos a meta do tratamento individualizado, com foco naqueles fatores que são modificáveis, principalmente, no controle dos fatores de risco e a mudança de hábitos de vida”, destaca o médico.

A OMS diz que uma dieta não balanceada é o principal fator de risco para mortalidade precoce. E isso, conforme o médico, é um fator que agrava – se em diversos países pela perda do hábito, antes saudável, de preparar alimentos em domicílio. “O fato de deixarmos de cozinhar em casa nos expõe a maior consumo de produtos industrializados com maior carga de sódio, conservantes e estabilizantes, ingredientes estes nocivos aos sistema cardiovascular”, explica Siqueira.

O médico aponta que é preciso implementar medidas saudáveis, como praticar atividade física aeróbica pelo menos 150 minutos por semana, o que já implica em redução de eventos cardiovasculares. Para ele, o sistema público integrado a assistência suplementar privada de saúde não deve medir esforços para o controle destas enfermidades. “Estratégias eficazes, como o exemplo do combate e o tratamento do tabagismo realizados no SUS, surtem efeito e salvam milhares de vidas. Portanto, o esforço deve ser coletivo”, relata.

Dr Thiago Siqueira conclui: “É imprescindível a conscientização de que a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são as ferramentas essenciais para o manejo destas patologias, que consomem vultosos recursos públicos e ceifam milhares de vida anualmente em todo o mundo”.

Na literatura médica não faltam estudos que comprovam o impacto do estilo de vida saudável na redução de doenças cardíacas. Praticar exercícios cinco vezes por semana, pelo menos 30 minutos por dia, e manter uma dieta equilibrada rica em minerais e vitaminas, são algumas das iniciativas que, segundo pesquisadores, auxiliam expressivamente na prevenção cardiovascular.

Outro fator relevante é manter o nível ideal de vitamina D, um nutriente essencial escasso em alimentos que poderia ser produzido pela exposição ao sol se nossos hábitos de vida atuais, formas de trabalhar, cuidados com a pele ou outros fatores permitissem.

A vitamina D desempenha uma ampla variedade de funções em nosso corpo, o que é reafirmado pela presença de receptores de vitamina D em mais de 37 tecidos humanos diferentes. Existem vários mecanismos que apoiam o papel da vitamina D na saúde cardiovascular, na inibição da inflamação, na prevenção da calcificação vascular, na regulação da homeostase da pressão e do volume sanguíneo, no controle do metabolismo da glicose, entre outros”, explica Héctor Cori, Diretor Científico da DSM Nutrição e Saúde Humana.

Diversos estudos apontam que a vitamina D tem relação com as contrações musculares, logo, agindo diretamente no músculo cardíaco, responsável pelo bombeamento de sangue para todo o organismo. Um estudo produzido pela Universidade de Bergen, na Noruega, por exemplo, destacou que manter o nível ideal de vitamina D pode reduzir em até 30% o risco de sofrer algum evento cardiovascular.

Entidades de classe recomendam que o nível ideal de vitamina D no organismo seja de 20 a 60 nanogramas por ml. Com a pandemia de Covid-19, pessoas enquadradas como grupos de risco devem estar com níveis entre 30 e 60 nanogramas por ml.

Também responsável pela saúde dos ossos e atuação nos sistemas imunológico e endócrino, sua ausência pode acarretar problemas em todas essas áreas. A suplementação é indicada por especialistas em casos de falta ou baixo índice no corpo.

De 0 a 100 (ou mais). Esse poderia ser um teste de velocidade de um carro potente, mas também representa todo o período em que devemos cuidar do motor do nosso corpo: o coração. De acordo com Leopoldo Piegas, cardiologista do HCor, ao contrário do que ainda se acredita, não são somente os idosos que convivem com as cardiopatias – e a atenção à saúde cardíaca deve começar cedo, levando em conta cada fase da vida e diferentes fatores de risco, como estresse, diabetes e hipertensão.

Segundo o Ministério da Saúde, desde 2013, os episódios de infarto entre adultos com até 30 anos subiram 13%. O estresse repentino, que é tido como a causa de cerca de 15% dos casos de infarto, por provocar o fechamento de uma artéria coronária, também não “escolhe” idade.

Outro número que mostra que a ameaça de infartar começa muito mais cedo do que se imagina é o de pacientes com pressão alta. No país, são 36 milhões de adultos brasileiros com diagnóstico de hipertensão arterial, de acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). O quadro é um alerta para o desenvolvimento de problemas cardíacos.

“Muitos fatores de risco para ocorrências de infarto não têm relação direta com a idade, por isso, a recomendação é que os cuidados com o coração e as consultas médicas sejam feitas de forma precoce”, reforça o especialista.

Não é somente o infarto que pode comprometer o bom andamento do nosso motor. Apesar de não ser possível delimitar uma trajetória da saúde do coração, em cada “quilômetro rodado” há, sim, problemas mais incidentes e que merecem atenção e cuidados especiais. O especialista classifica quais são:

– Cardiopatia congênitaComo o próprio nome se refere, é uma condição cardíaca que engloba qualquer alteração do coração e dos vasos desde o feto até a idade adulta. O quadro atinge cerca de 30 mil crianças nascidas no Brasil, anualmente, e é a segunda maior causa de morte de crianças em todo o Brasil, perdendo apenas para a má formação cerebral. A depender do tipo de cardiopatia, essa pode ser diagnosticada e operada antes mesmo do nascimento do bebê, ainda na barriga da mãe. A maioria costuma ser diagnosticada após o nascimento, alguns casos, no entanto, só na fase adulta.

– Cardiopatias pediátricasSão diferentes das cardiopatias congênitas e se caracterizam por doenças do coração adquiridas na infância. Dentre as mais comuns, estão algum tipo de sopro, que pode estar relacionada com algum problema no músculo cardíaco; a miocardite, que geralmente é consequência de uma complicação em um quadro de infecção causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas; e a febre reumática, comum em crianças com até 15 anos, causada pela bactéria Streptococcus pyogenes e decorrente de faringites e amigdalites mal curadas.

– Cardiopatias geraisPodem acometer jovens e adultos nas mais diferentes etapas da vida, tais como: hipertensão arterial, condição cardiovascular caracterizada pelo elevado nível da pressão arterial; arritmia cardíaca, que reflete alteração no batimento cardíaco de forma descompassada, acelerada ou lenta; angina, desconforto no peito, causado por redução do fluxo sanguíneo na artéria coronária; insuficiência cardíaca, que consiste na incapacidade do coração em bombear sangue de forma satisfatória para as demais partes do corpo; miocardite, inflamação do coração, decorrente de alguma infecção do organismo; e o próprio infarto, caracterizado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo ao coração.

– Cardiopatias em idososAlém das cardiopatias já citadas, há ainda a estenose aórtica (estreitamento da válvula aórtica), que acomete cerca de 5% da população idosa acima dos 70 anos. Apesar de muitas vezes assintomática, a doença pode ocasionar síncope, insuficiência cardíaca e morte súbita, necessitando de intervenção, a depender do comprometimento da válvula. O diagnóstico tardio de uma estenose aórtica pode aumentar para 50% a chance de mortalidade nesses pacientes em até dois anos.

Diferentes fatores externos contribuem para o desenvolvimento de problemas cardíacos. Por isso, algumas medidas e mudanças de hábitos são primordiais para manter o coração “batendo forte”. São elas:

1. Praticar atividade física, uma vez que o sedentarismo aumenta em 54% do risco de morte por infarto e ainda contribui para o aumento do peso.2. Não fumar, pois as substâncias químicas presentes no tabaco provocam o estreitamento das artérias, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial.3. Não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas, já que o etanol danifica as células musculares do coração e ainda está associado ao desenvolvimento de arritmias.4. Evitar o estresse excessivo, que, como já dito, é tido como a causa de cerca de 15% dos casos de infarto, por provocar o fechamento de uma artéria coronária.5. Controlar a pressão arterial, monitorando constantemente a sua pressão e seguindo as orientações do seu médico.6. Manter o peso ideal e a circunferência abdominal, que não deve passar de 102cm para os homens e 88cm para as mulheres.7. Adotar uma alimentação saudável, reduzindo a ingestão de alimentos gordurosos e de sal, e adotando uma dieta cardioprotetora.

Como meio de prevenção e detecção de doenças cardiovasculares, existe o exame de perfil lipídico, ele deve ser realizado para avaliar se os níveis de gorduras no sangue estão elevados, que podemos chamar de dislipidemia. A dislipidemia constitui um dos fatores para a ocorrência de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e aterosclerose, que possuem como alvo o coração e vasos sanguíneos.Dia Mundial do CoraçãoNo emblemático ano 2000, a Federação Mundial do Coração (World Heart Federation-WHF) instituiu o dia 29 de setembro como o “Dia Mundial do Coração”. O objetivo da data é conscientizar as pessoas sobre a saúde cardíaca, importância da prevenção e diagnóstico precoce e ressaltar a adoção de hábitos saudáveis. Para lembrar a data e alertar a população, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz iluminará a portaria e os espelhos d’agua da Unidade Paulista.

Fonte: www.vidaeacao.com.br/doencas-cardiovasculares

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