Setembro Amarelo: como cuidar da saúde mental na terceira idade? – ViDA & Ação

Assunto que ganhou muita visibilidade na última década, a saúde mental é pauta de diversas discussões que habitam desde o ambiente corporativo até as redes sociais. Porém, é perceptível o foco majoritário nos jovens, quando falamos de doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade. Isto porque as associamos às fases ativas, cheias de insegurança e questionamentos, como se a maturidade extinguisse essas características da personalidade de todos os indivíduos.

A verdade é que a terceira idade é uma fase que contém novidades como qualquer outra, mas os parentes e outras pessoas jovens próximas dos idosos podem não saber lidar direito com ela. A depressão nessa idade, por exemplo, pode se manifestar de maneira diferente da usual tristeza, falta de motivação etc., “muitas vezes o aumento de dores físicas e a perda de memória são resultantes de uma doença psicológica”, explica , psicólogo membro da plataforma Doctoralia ().

Segundo levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, pessoas entre 60 e 64 anos são as mais afetadas pela depressão no País, representando 11,1% dentre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença.

Outro ponto de atenção quando se toca no assunto com os mais idosos é a questão geracional. “Há algumas décadas, as doenças psicológicas eram vistas como ‘frescura’, ‘falta do que fazer’, principalmente por pessoas que cresceram em um ambiente atarefado, trabalhando desde cedo ou que constituíram família ainda muito jovens, o que era comum há 25, 30 anos”, conta o especialista.

Assim, a dica de Maximino é que os mais jovens ao redor tentem dialogar e explicar para as pessoas que estão envelhecendo a importância de exercitar o corpo e a mente. “Estimular uma alimentação saudável, por exemplo, é um passo importante para que os idosos tenham mais qualidade de vida. Pessoas que fazem algum tipo de acompanhamento psicoterapêutico também podem compartilhar suas experiências de maneira a exemplificar os benefícios que têm tido a partir delas”.

Além disso, é preciso lembrar que os tempos mudaram e os mais velhos também podem e devem estar antenados. “Incluí-los nas atividades digitais, apresentar conteúdos que possam os interessar em canais da internet, auxiliá-los e incentivá-los na interação com tecnologias as quais não estão habituados, pode ser uma grande ajuda para dispersar sentimentos de solidão ou até mesmo de obsolescência, sem contar que é uma ótima maneira de aproximar as gerações”, finaliza o psicólogo.

A perda cognitiva está sendo uma realidade para muitos idosos que estão em isolamento social desde março. Alguns, por até trabalharem ainda, nunca ficaram tanto tempo dentro de casa fazendo a mesma rotina diariamente.  Como os dias estão todos iguais, eles acabam perdendo a noção de tempo e isso pode até agravar o quadro daqueles que já possuíam uma predisposição ao desenvolvimento de alguma demência.

O ser humano precisa viver em comunidade. Ele é um ser social. Muito mais do que os jovens, o idoso necessita dessa troca entre as pessoas. Muitos deles estão isolados da maioria dos seus familiares. Sem datas festivas, sem feriado e fim de semana e isso piora muito a parte cognitiva”, afirma Andre Gustavo Lima, neurologista.

Uma maneira de fazer com que essa perda da cognição seja menor é manter o idoso conectado aos dias da semana pelo menos. O familiar que está próximo pode motivar uma atividade diferente a cada dia.  Por exemplo, segunda-feira é dia de pedir as compras no mercado, terça de fazer alguma atividade física mesmo que dentro de casa ou apartamento, quarta colocar roupa na máquina e assim por diante.

O idoso pode ser incentivado a ver um filme, ler um livro, fazer trabalhos manuais. Dessa forma, quando voltar o retorno das atividades normais, aquele idoso terá menos chance de sequelas na sua cognição e mais facilmente voltará ao normal. Vale a pena também tomar cuidado com os sintomas de depressão. A depressão pode acentuar as perdas cognitivas neste período”, ressalta o especialista.

Aqueles pacientes que já apresentavam alguma perda de memória ou raciocínio devido a uma doença, como o Alzheimer ou outras demências, estão tendo seu quadro clínico agravado também. Eles não conseguem entender sobre a pandemia, a Covid-19 e o motivo pelo qual suas rotinas terem sido modificadas. 

Para os que já apresentam doenças neurológicas, é importante que continuem suas atividades de fisioterapia e fonoaudiologia, caso as tenham. Isso vai fazer com que o quadro não seja agravado. Se o idoso puder contar com um atendimento domiciliar, melhor ainda. Se não, procurar agendar em horários que ele tenha contato com o mínimo de pessoas. Nos dois casos, manter todos os cuidados necessários para que não haja contaminação”, orienta o médico.

Com Assessorias

Fonte: www.vidaeacao.com.br/setembro-amarelo-como-cuidar-da-saude-mental-na-terceira-idade

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