Precisamos falar mais sobre as doenças inflamatórias intestinais

Apesar de possuir uma data oficial, 19 de maio é o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), as discussões sobre esse assunto ganharam relevância nos últimos anos, expandindo as campanhas de conscientização para todo o mês, conhecido como Maio Roxo. Durante esse período, ao redor de todo o globo, palestras, simpósios e campanhas na mídia levam informações sobre as DIIs, que acometem cerca de 5 milhões de pessoas no mundo.[1]

Pesquisa enfocada no público respondente da Jornada do Paciente com Doença Inflamatória Intestinal, realizada pela Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), aponta que a maioria tem entre 18 e 34 anos e é do sexo feminino.[2] 

“As doenças inflamatórias intestinais são uma forma de defesa exagerada do organismo, que acaba causando lesões no próprio intestino. Isso resulta em alterações estruturais que provocam uma inflamação crônica do aparelho digestivo”, explica o dr. Flavio Steinwurz, gastroenterologista e presidente da Organização Panamericana de Crohn e Colite (Pancco).

As duas principais doenças inflamatórias intestinais são a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, que, apesar de possuírem sintomas similares, apresentam diferenças significativas. A retocolite ulcerativa acomete a mucosa – eventualmente a submucosa — do cólon e do reto, enquanto a doença de Crohn pode ocorrer em qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus, com predileção pelas regiões ileal e ileocecal.[3] 

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Ambas possuem causas ainda desconhecidas. “Indícios apontam para uma predisposição genética, não hereditária, pela associação de vários genes. O indivíduo também precisa entrar em contato com um fator ambiental que funcione como gatilho desencadeador”, detalha Steinwurz.

Identificando sintomas para o diagnóstico precoce

De acordo com o estudo conduzido pela ABCD, a jornada do paciente no Brasil se inicia com o surgimento dos primeiros sintomas, seguidos de vários meses de “tentativas e erros” e visitas a diversos especialistas, salas de emergência e prontos-socorros.[2]

Segundo o gastroenterologista Flavio Steinwurz, diarreia, sangue e muco nas fezes, cólica abdominal e urgência evacuatória são sintomas típicos da retocolite ulcerativa. Os traços sintomáticos da doença de Crohn costumam ser similares e podem até se confundir. Além de cólica e diarreia, os pacientes de Crohn apresentam dores e distensão abdominal, devido à grande formação de gases, perda de peso e até febre. Em alguns casos, ambas as condições podem desencadear manifestações extraintestinais, como incômodos nas articulações, dor nas juntas, lesões na pele e nos olhos e alterações no fígado.

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Levando em conta os respondentes da pesquisa Jornada do Paciente com Doença Inflamatória Intestinal, estima-se que 41% dos pacientes demoraram mais de 12 meses para receber seu diagnóstico final. O diagnóstico tardio é devido, entre outros fatores, à falta de informação da rede primária de atendimento em reconhecer os sinais da doença. Assim, o paciente demora muito até chegar a um especialista e realizar os testes adequados.[2]

“Se o indivíduo está com diarreia prolongada – com duração de mais de um mês –, sente dores, cólicas e perda de peso, a recomendação é procurar um médico imediatamente, de preferência um gastroenterologista”, alerta o presidente da Pancco. Ele ainda complementa que caberá ao especialista levantar o histórico detalhado do paciente e, a partir daí, realizar exames que excluam ou ajudem a confirmar o diagnóstico de doença inflamatória intestinal. 

Tratamento e qualidade de vida

Flavio Steinwurz explica que, de maneira geral, o tratamento é dividido em duas etapas. Na primeira, o objetivo é tirar o paciente da crise, depois a intenção é manter o período de remissão. “Até 1999 não havia muitas opções de tratamento. De lá para cá, houve um grande avanço. Em abril deste ano, por exemplo, tivemos a aprovação do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retocolite Ulcerativa, que não era revisado há quase duas décadas. Trata-se de uma conquista muito importante. Vale lembrar que, em momentos de crise, as doenças inflamatórias intestinais podem, sim, impactar a vida dos pacientes. Entretanto, em situações controladas, a rotina social segue normalmente”, completa.

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Tempos de pandemia

“Durante esse período de pandemia provocada pelo novo coronavírus, é de extrema importância que os pacientes não suspendam o uso de seus medicamentos sem a orientação de um especialista, pois isso pode comprometer o andamento e o sucesso do tratamento”, finaliza o gastroenterologista.

Referências

[1] ABCD. Especialista tira dúvidas sobre doenças inflamatórias intestinais. 2020. Disponível em https://abcd.org.br/blog/noticias/especialista-tira-duvidas-sobre-doencas-inflamatorias-intestinais/. Acesso em 18 de Maio de 2020.

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[2] ABCD. Jornada do paciente com doença inflamatória intestinal. Estudo quantitativo e qualitativo sobre a vida do paciente com DII no Brasil. 2017. Disponível em  https://abcd.org.br/wp-content/uploads/2017/12/JORNADA_DO_PACIENTE_PRINCIPAIS_RESULTADOS.pdf?utm_source=jornada&utm_medium=site&utm_campaign=resumido. Acesso em 18 de Maio de 2020.

[3] GEDIIB. International Journal of Inflammatory Bowel Disease. Volume 5 – Número 1. Diretriz sobre retocolite ulcerativa. 2019. Disponível em https://gediib.org.br/wp-content/uploads/2019/10/L3_REVISTA-INTERNATIONAL-JOURNAL_VOL5-N1_PORTUGUES_16-08-2019-1.pdf. Acesso em 18 de Maio de 2020.

Material destinado ao público geral e imprensa. Em caso de dúvidas, ligue gratuitamente. SAC: 0800 771 0345. BR/EYV/2005/0030 – Maio de 2020.

Fonte: saude.abril.com.br/medicina/precisamos-falar-mais-sobre-as-doencas-inflamatorias-intestinais

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