Pais não querem volta às aulas sem vacina da Covid-19, mostram pesquisas – ViDA & Ação

O retorno das aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus divide opiniões e cria expectativas entre pais e educadores e especialistas em Saúde e Educação em todo o país. Uma pesquisa recente do Ibope, encomendada pelo jornal O Globo, demonstrou que 72% dos entrevistados acreditam que as aulas presenciais devem retornar somente quando houver vacina disponível contra a Covid-19. No entanto, os estudos com vacina de Oxford, uma das mais promissoras do mundo, foram suspensos temporariamente por possível reação adversa grave, sendo retomados no Brasil a partir desta segunda-feira (14), por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Outra pesquisa divulgada em agosto mostrou que mais da metade (51,6%) dos pais de alunos de escolas particulares não querem o retorno das aulas presenciais. A pesquisa encomendada pelo Grupo União pelas Escolas Particulares de Pequeno e Médio Porte, mostrou que 26,3% querem que as aulas presenciais retornem e 21,8% consideram essa possibilidade.

A maioria (59,6%) dos pais e responsáveis imaginava que as aulas presenciais voltariam em setembro, mas apenas 40,4% viam isso acontecer somente em 2021. O levantamento foi feito com 14.307 responsáveis de estudantes de 407 escolas de todo o país, entre os dias 22 e 29 de julho, pela empresa Explora – Pesquisas, Métricas e Inferências Educacionais.

A pesquisa colheu as opiniões dos pais e responsáveis sobre o regime de ensino remoto. Em uma escala de 0 a 10, na média entre os ensinos infantil, fundamental e médio, os responsáveis deram a nota 7,33 para o sistema. Já 31,3% preferem que todas as aulas continuem à distância, enquanto 24,7% afirmam que o sistema presencial deveria voltar completamente, mas a maior parte (44,2%) dos entrevistados pensa que as aulas remotas deveriam ser mescladas com as presenciais.

Já em São Paulo, a retomada do calendário escolar no estado, anunciada anteriormente pelo governo para 8 de setembro, foi adiada após uma análise das autoridades apontar novos casos de coronavírus entre pessoas envolvidos neste processo. A decisão é uma tentativa de impedir que se repita em São Paulo o mesmo episódio de Manaus, onde as escolas foram reabertas, mas precisaram fechar suas portas pouco mais de 20 dias depois, por causa da onda de novos casos da doença.

O dilema não aflige apenas entre os pais e responsáveis. O tema tem gerado controvérsias também entre médicos. “Nem a Sociedade Brasileira de Pediatria e nem a de Infectologia têm um posicionamento formal sobre o tema, o que demonstra que a questão é complexa e polêmica mesmo entre os especialistas”, afirmou o médico intensivista Guilherme Penna, coordenador do Centro de Estudos da Casa de Saúde São José (CSSJ), do Rio de Janeiro.

A declaração foi dada durante mais uma edição da Sessão Clínica On-line, série de encontros virtuais entre médicos para debaterem assuntos em alta na área da saúde, no contexto da pandemia. Com o tema “Afinal, é o momento de reabrirmos as escolas?”, especialistas da saúde e cerca de cem participantes debateram os impactos do isolamento social na educação das nossas crianças.

Para o infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da CSSJ, Vitor Martins, não há evidências no mundo de que o fechamento das escolas auxilie na contenção da pandemia.

A maioria dos dados que usamos até agora decorrem da experiência com o vírus da gripe, o Influenza. Mas há muitas diferenças entre ele e o novo coronavírus com relação à transmissibilidade, patogenicidade e, principalmente, a gravidade dos sintomas em crianças”, disse o especialista.

Segundo ele, as sociedades alemã e americana de pediatria já concluíram que os pequenos têm um papel secundário na cadeia de transmissão da Covid-19, e estudos feitos em “cluster familiares” pelo mundo, ou seja, quando todas as pessoas de uma casa contraem o vírus ao mesmo tempo, a criança foi o caso primário apenas entre 5% e 10% das vezes.

Já para o infectologista e epidemiologista Bruno Scarpellini, do Departamento de Medicina da PUC-Rio, flexibilizar o isolamento social é fazer gestão de riscos, e eles podem ser mitigados, mas não evitados completamente.

Para reabrir escolas, não podemos usar apenas questionário de sintomas e aferição de temperatura, como foi feito para reabrir bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais. Seria essencial uma estratégia de testagem em massa da população e acompanhamento diário de sintomas das famílias, coisa que o Brasil não fez”, afirmou.

De acordo com o médico, a decisão de reabrir não é apenas multidisciplinar na área da saúde, e sim multifatorial – ela deve incluir aspectos econômicos, sociais, psicológicos e também as particularidades das redes de ensino pública e privada brasileiras. Os especialistas lembraram que, no Brasil, cerca de 50 milhões de crianças e adolescentes estão longe presencialmente das escolas há quase 200 dias, enquanto na França, por exemplo, esse período foi de apenas 56 dias. Na Alemanha, foram 68 dias, e nos vizinhos do Uruguai, 93 dias.

Com Assessorias

Fonte: www.vidaeacao.com.br/pais-nao-querem-volta-as-aulas

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