'O estresse quase me matou aos 44 anos. Não é exagero' – ViDA & Ação

Conheça a história de Amanda Pinheiro, uma das convidadas especiais da live “Estresse: como lidar com o inimigo nosso de cada dia”, que acontece nesta quarta-feira, 23 de setembro, Dia Nacional de Combate ao Estresse, no Facebook do Portal ViDA & Ação.

Por Amanda Pinheiro *

O ano de 2017 foi muito difícil. Precisei enfrentar uma série de desafios complexos, que me exigiram encarar de frente situações doloridas negligenciadas por anos. Veio tudo junto e não deu mais para correr. 

O pacote composto por decisões a tomar, tarefas burocráticas a executar, fantasmas no armário a expulsar incluiu também um aumento de 100% no número de cigarros que eu fumava por dia: passou de 3 para 6.

Tá, não é muito, mas cigarro é veneno e quase todos eles eram consumidos nas madrugadas de insônia, acendendo um na guimba do outro, enquanto tentava equacionar problemas, alguns que sequer existiam ainda.

Perto do fim do ano apareceu uma dor chata de estômago, que subia como uma onda pelo peito e se espalhava, tomando as costas, os braços e até o queixo. O médico gastroenterologista que procurei me pediu, além da endoscopia, que procurasse um cardiologista para uma avaliação “só para descartar qualquer outra origem” para meu desconforto. 

No dia seguinte, já estava no cardio. Dois dias depois, iniciei os exames. E daí pra frente o coração foi me mostrando o tanto que, em menos de 1 ano, eu o estraguei: duas artérias coronárias entupidas.  M u i t o  entupidas. 95% e 99%. 

“Garota, você tá batendo na trave. Se fosse minha paciente, ia daqui direto para o cateterismo”, me disse sem rodeios o médico responsável pela cintilografia do miocárdio, na salinha reservada onde ele me deu a notícia, numa clinica bacana do Leblon.

No dia 4 de novembro de 2017, coloquei dois stents. De repente, me peguei hipertensa. Eu, que não tomava uma aspirina, saí do hospital com prescrição para mais de 10 comprimidos por dia. Foram dois dias sem pregar o olho, achando que se dormisse iria morrer.

E passei a sentir diversas sensações estranhas que poderia jurar que eram sinais de infarto. Era ansiedade. Já estava boa fisicamente, mas a cabeça deu nó. Do cardiologista pulei pro psiquiatra e aí as coisas foram começando a voltar aos seus lugares.

O Mindfulness entrou na minha vida nessa época. Quase 20 anos antes eu havia praticado Kum Nye, que é uma meditação tibetana de atenção plena, e a memória dessa experiência voltou com força.

Eu já tinha desentupido as artérias, eu fazia exercício físico regular, eu me alimentava de forma saudável e abandonei de vez o cigarro no dia 1 de novembro de 2017 (no dia da conversa com o médico da clínica do Leblon, ele mesmo jogou meu maço no lixo).

Precisava, agora, lidar com o estresse. O que me inquietava, me chateava, me deixava estressada poderia não se modificar. Havia coisas na vida que, por mais que eu me empenhasse, não iriam mudar. Era preciso ter outras estratégias para conviver com tudo isso.

Bater de frente só iria entupir mais uma artéria e a meditação da atenção plena me pareceu o caminho mais inteligente para virar a chave. Comecei como praticante e hoje sou instrutora porque, para ensinar, preciso praticar todos os dias. E praticar todos os dias me mantém viva.

Conheça a história de Amanda em nosso Youtube

6 dicas simples para lidar com as tensões do dia a dia

Para encerrar, compartilho aqui 6 dicas simples de como qualquer um de nós pode lidar com situações do dia a dia que nos causam estresse e ansiedade de uma forma mindful:

  • Procure não sofrer por antecipação: Na maioria das vezes, o que nos causa ansiedade e, consequentemente, estresse é pensar em como lidar com situações que projetamos, mas que ainda não existem de fato. Tente resolver os problemas na medida em que surgem. Momento a momento.
  • Observe seu corpo: Esteja atento aos sinais que o seu corpo lhe dá. Um desconforto, uma mudança de temperatura ou o rubor no rosto podem antecipar emoções. Quando estamos no piloto automático, o corpo torna-se apenas um veículo que nos leva de lá pra cá e nem percebemos que ele “conversa” conosco. 
  • Reconheça e acolha suas emoções: Não importa se são emoções agradáveis ou desagradáveis, observe o que você sente, procure reconhecer a emoção (às vezes achamos que é uma emoção, mas quando observamos com atenção, é outra) e simplesmente acolha, procurando não se julgar ou se culpar.
  • Pratique a escuta atenta: Procure conversar com as pessoas ouvindo de fato o que elas têm para dizer antes de interromper e falar. Já pensou quantos mal entendidos podemos evitar apenas prestando atenção de verdade nos outros?
  • Faça pausas: Quando observar que está estressado, procure um lugar reservado onde você possa se manter quieto por uns 3 minutinhos. Feche os olhos, perceba suas emoções no momento, e tente fazer 5 ciclos de respirações conscientes, isto é, prestando atenção nos movimentos de inspiração e expiração. Ao terminar, o motivo do seu estresse pode continuar lá onde está, mas há boas chances de você voltar diferente para a experiência. 
  • Cultive a compaixão: Seja gentil com você e com os outros. Todos queremos fazer a coisa certa e sermos felizes. 
  • *Amanda Pinheiro é jornalista, instrutora de mindfulness

    Participe de nossa live nesse Dia Nacional de Combate ao Estresse (23/9) na fanpage do Portal ViDA & Ação:

    Como lidar com o estresse nosso de cada dia nesses tempos de coronavírus

    Fonte: www.vidaeacao.com.br/o-estresse-quase-me-matou

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