Fiocruz aponta tendência de estabilidade nos casos de Síndrome Respiratória Grave

São Paulo – O novo boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quarta-feira (22), sugere uma possível interrupção na tendência de crescimento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Isso porque há sinais de queda na tendência de curto prazo (últimas três semanas), apesar de os números permanecerem altos na tendência de longo prazo (últimas seis semanas). Assim, os dados recentes apontam para a formação de um “platô” no crescimento de casos de SRAG.

Para o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, esse quadro deve ser interpretado com cautela e reavaliado nas próximas semanas para confirmação. Além disso, ele alerta que o feriado prolongado na última semana pode ter algum impacto na curva de casos de SRAG.

“Embora ainda apresentem sinal de crescimento na tendência de longo prazo, os estados das regiões Sudeste e Sul dão sinais de possível interrupção nesse aumento de casos, com formação de platô nas primeiras semanas de junho”, disse o pesquisador.

Por outro lado, a covid-19 já responde por 80,6% dos casos e 94% dos óbitos por SRAG com diagnóstico positivo para algum tipo de vírus respiratório nas últimas quatro semanas, sendo predominante na população adulta. Nos demais casos, 3,2% foram de Influenza A, 0,2% de Influenza B e 9,9% do vírus sincicial respiratório (VSR). Entre os óbitos, a presença desses vírus foi de 1,8% para influenza A; 0,3%, influenza B; 2,0%, VSR.

Em crianças e adolescentes, o boletim também aponta sinal de queda dos casos de SRAG entre os grupos de 0 a 4 e de 5 a 11 anos. No primeiro grupo, os casos seguem sendo fundamentalmente associados ao VSR. Mas também se observa presença relevante da covid-19, juntamente com o rinovírus (causador de resfriados) e o metapneumovírus (infecções respiratórias agudas). 

Desse modo, caiu para 13 o número de unidades federativas que apresentaram crescimento na tendência de longo prazo, aponta a Fiocruz: Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. As demais apresentam sinal de estabilidade ou queda na tendência de longo prazo. 

Contudo, 17 das 27 capitais ainda têm sinais de crescimento dos casos de SRAG no longo prazo: Belo Horizonte, plano piloto e arredores em Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Natal, Porto Alegre, Porto Velho, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Teresina.

Além disso, também diminuiu o ritmo de crescimento de novas internações de pacientes com covid-19 no sistema público em São Paulo. Nesta quarta, são 1.447 pacientes internados em UTIs, crescimento de 9,13% em uma semana.

No mesmo período, as internações em enfermarias tiveram crescimento ainda menor, de 6,6%, passando de 2.896 para 3.087. Os dados são da plataforma SP Covid-19 Info Tracker (USP/Unesp). Em 14 dias, os aumentos das internações em UTIs e enfermarias ficaram em 17,19% e 13,58%, nesta ordem. Na semana passada, esses índices registravam avanços de 39,59% e 28,82%, respectivamente.

O Brasil registrou hoje 140 mortes e 71.906 novos casos de covid-19, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Os estados de Tocantins e Paraíba, no entanto, não divulgaram seus dados. Com essas informações ausentes, a média móvel de óbitos calculada em sete dias ficou em 120, menor marca desde o dia 7.

A média móvel de casos ficou em 39.852, redução de 5,7% na comparação com a semana anterior. Em 14 dias, no entanto, a média de casos registrou crescimento de 9%. Ao todo, desde o início da pandemia, o Brasil tem 669.530 óbitos e quase 31,9 milhões de casos da doença.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2022/06/fiocruz-aponta-possivel-estabilidade-nos-casos-de-sindrome-respiratoria-grave-srag