Depressão e transtorno bipolar são as principais causas do suicídio – ViDA & Ação

O suicídio é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado. A Organização Mundial de Saúde divulgou que uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. As estatísticas, tanto no Brasil quanto em outros países, têm aumentado exponencialmente. Por ano, 12 mil suicídios são registrados no Brasil e mais de um milhão no mundo. Trata-se de uma realidade alarmante e que requer atenção redobrada.

Os dados assustam, mas fundamentam a relevância da campanha Setembro Amarelo, que surgiu para alertar a população sobre a importância de se falar sobre o assunto. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já destacou que 96,8% dos casos no país estão relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias.

A depressão é uma das principais causas do suicídio, pois as variáveis são inúmeras. Podemos até pensar que mesmo o indivíduo que cometeu suicídio teria dificuldades de explicar os motivos, pois é uma angústia muito relevante com uma sensação de vazio significativo e sem uma explicação lógica”, explica o psicólogo do Hapvida Saúde, Wilton Cabral.

Além disso, ele alerta que é preciso ficar atento e compreender o suicídio como uma realidade que pode afetar pessoas próximas e é fundamental conversar a respeito. “Os suicídios podem ser evitados desde que tenhamos conhecimento sobre seus sintomas, causas e formas de evitá-lo”, destaca o especialista.

Para contribuir na prevenção do suicídio, Wilton afirma que devemos ser capazes de perceber os sinais de alerta que uma pessoa emite. Uma pessoa potencialmente suicida pode apresentar sintomas de tristeza significativa, com falta de vontade de estar com outras pessoas, mudanças repentinas do comportamento e roupas diferentes do habitual, por exemplo.

Buscar realizar várias pendências e às vezes até realizar um testamento é outro sinal. A pessoa ainda pode apresentar calma e despreocupação após um período de crise de depressão ou ansiedade, bem como pode realizar ameaças de suicídio com frequência.

Se você perceber que uma pessoa está desinteressada, não tem mais a mesma produtividade em suas atividades de rotina, está isolando-se de amigos e parentes, descuidando-se da aparência ou diz muitas frases relacionadas à morte, isso pode ser sinais de depressão e esse indivíduo está precisando de ajuda”, afirma o psicólogo.

Por ser considerado ainda um tema “tabu”, as pessoas fogem do assunto e, por medo ou por desconhecimento, não conseguem reconhecer sinais de que uma pessoa próxima está com ideias ou comportamento suicida.

Higor Caldato, psiquiatra especialista em psicoterapias e transtornos alimentares pela UFRJ e médico da Clínica Nutrindo Ideais, destaca que a não banalização do sofrimento do outro pode ajudar muitas pessoas.

Não se pode diminuir a dor do outro, afinal, o sofrimento não tem medida. É importante ser compreensivo e colocar-se no lugar dele, orientando e auxiliando na busca por ajuda profissional, se for necessário”, explica Caldato.  

Segundo ele, é importante saber que o trabalho de prevenção do suicídio nunca é solitário, envolve uma parceria com a família e os diversos profissionais (médico, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, etc), para que se possa estabelecer um plano de segurança.

– Comportamento retraído ou dificuldade para se relacionar com parentes e amigos;

– Alcoolismo;

– Ansiedade, pânico;

– Mudança na personalidade, irritabilidade, agressividade;

– Pessimismo, depressão;

– Mudança no hábito alimentar ou no padrão de sono;

– Sentimento de culpa, de se sentir sem valor;

– Perda recente importante (separação, divórcio, morte);

– Sentimentos de solidão, desesperança;

– Doença crônica limitante ou dolorosa.

O médico explica que atualmente existem diversos canais em dar atenção e atendimento às pessoas que podem estar precisando de ajuda. Um dos primeiros passos é procurar auxílio com um especialista sobre o assunto, como um psicólogo, o qual irá realizar o acompanhamento adequado e pode encaminhar ao psiquiatra para realização de intervenção medicamentosa.

Outro canal de atendimento é o número 188, do Centro de Valorização à Vida (CVV), que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita. Caso considere melhor escrever, pode utilizar o atendimento por chat e e-mail, disponíveis no site do CVV. Todos os atendimentos são mantidos em estrito sigilo.

Com Assessorias

Fonte: www.vidaeacao.com.br/depressao-e-transtorno-bipolar-sao-as-principais-causas-do-suicidio

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