Cobertura vacinal contra covid-19 está estagnada no Brasil, alerta Fiocruz

São Paulo – Em seu Observatório Covid-19, divulgado nesta quinta-feira (19), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta que a vacinação contra a covid no Brasil está estagnada. De acordo com o boletim, o maior desafio atualmente é a imunização das crianças de 5 a 11 anos. Após quase cinco meses, a cobertura vacinal completa (duas doses ou dose única) alcançou apenas 32% dessa faixa etária. O documento também destaca a estagnação da cobertura vacinal na população adulta, além da desaceleração da curva de cobertura da terceira dose.

Desde o final de fevereiro, o avanço da vacinação passa pelo seu “pior desempenho”, com crescimento de apenas 0,29% por semana, afirmam os pesquisadores. O quadro é preocupante, já que a vacinação passou a ser praticamente o único recurso de proteção contra os sintomas mais graves da doença no país. Isso porque houve um desincentivo ao uso de máscaras e até mesmo a obrigatoriedade do uso do passaporte vacinal vem sendo abandonada.

Para a população acima de 25 anos, a cobertura no território nacional para o esquema vacinal completo é de 80%. No entanto, em relação às faixas etárias, os dados mostram que a terceira dose nos grupos mais jovens segue abaixo da média considerada satisfatória. Nas faixas etárias acima de 65 anos, a cobertura está acima de 80%.

Por outro lado, enquanto na faixa de 55 a 59 anos, 63,9% tomaram a dose de reforço, esse índice vai caindo progressivamente conforme a idade se reduz. Entre os de 25 a 29 anos, pouco mais de um terço (35,5%) tomaram a terceira dose. Entre 20 e 24 anos, cai para 30,4%. Entre os que têm 18 ou 19, apenas um em cada quatro (25,2%) aderiu ao reforço. Já a quarta dose foi aplicada em 17% da população com mais de 80 anos.

Os pesquisadores também destacam que a cobertura comparada entre os estados brasileiros continua bastante desigual. Enquanto São Paulo já vacinou 86,7% da população com duas doses, e 59,1% tomaram o reforço, no Acre esses índices despencam para 60,1% e 24,5%, respectivamente.

“É importante reconhecer que a ampliação da vacinação, priorizando especialmente regiões com baixa cobertura e doses de reforço em grupos populacionais mais vulneráveis, pode reduzir ainda mais os impactos da pandemia sobre a mortalidade e as internações”, afirmam.

Na última terça-feira (17), as plataformas Conecte SUS, e-SUS Notifica e SI-PNI ficaram indisponíveis. Segundo o Ministério da Saúde, os sistemas foram alvo de uma nova tentativa de invasão por hackers. A pasta alega que o Conecte SUS, e o e-SUS Notifica voltaram a funcionar no dia seguinte. O SI-PNI, no entanto, que computa os dados da vacinação ainda apresenta instabilidade. Chama a atenção que o episódio ocorre justamente no momento em que o Brasil passa por um novo aumento no número de casos e óbitos pela covid-19.

O mesmo ocorreu no final do ano passado, durante o avanço da ômicron, quando os sistemas da Saúde também ficaram fora do ar, após um suposto ataque hacker. O apagão de dados durou cerca de 20 dias, impedindo o acompanhamento da evolução da doença no período. “A quem pensam que enganam? É só piorar os indicadores para providenciarem um hacker como desculpa para interromper a alimentação de dados”, comentou o jornalista Luis Nassif pelas redes sociais.

Também nesta quinta (19), o colunista Carlos Madeiro, do portal UOL, informou que o Ministério da Saúde não tem dados de quantas pessoas buscaram serviços de saúde após realizarem autotestes de covid-19. De acordo com a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), entre março e abril 32 mil pessoas informaram resultado dos testes no aplicativo. Desse total, 22% deram resultado positivo.

No entanto, para que passem a fazer parte das estatísticas oficiais, é preciso que os pacientes realizem testes laboratoriais, no SUS ou na rede privada. Nesse sentido, especialistas afirmam que essa situação contribui para subnotificação dos casos da doença no país.

O país registrou oficialmente hoje 114 mortes e 10.415 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Os estados do Acre, Piauí e Roraíma, no entanto, não divulgaram seus dados, em função da instabilidade nos sistemas do Ministério da Saúde. A média móvel de casos calculada em sete dias, que ficou em 16.157. Há um mês, a média estava 13.041 casos, aumento de 23,9%. A média de óbitos ficou em 113, aumento de 20% no mesmo período. Ao todo, desde o início da pandemia, o Brasil tem 665.433 óbitos e cerca de 30,7 milhões de casos da doença confirmados oficialmente.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2022/05/cobertura-vacinal-contra-covid-19-esta-estagnada-no-brasil-alerta-fiocruz