Avanço do câncer de próstata é um dos mais preocupantes – ViDA & Ação

Exames de rotina e procedimentos foram adiados e até suspensos devido à pandemia do novo coronavírus. Antes da chegada da Covid-19 no país, o Inca estimava que 66 mil novos casos de câncer de próstata fossem diagnosticados neste ano no Brasil. No entanto, o isolamento social necessário para evitar a propagação do vírus respiratório pode ter retardado o diagnóstico precoce do tipo de câncer mais prevalente na população masculina, sem considerar os tumores de pele não melanoma.</p>    <p><strong>Carlo Passerotti, </strong>coordenador do <strong>Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz</strong>, alerta sobre a importância da realização dos exames de check-up oncológicos mesmo em tempos de Covid-19. “Em uma conta muito simples, estimamos que entre março e junho deste ano, cerca de 22 mil novos casos da doença podem não ter sido diagnosticados em consequência da&nbsp;pandemia”, aponta o especialista.</p>    <p>Deixar de realizar exames de check-up anualmente aumenta as chances de detecção da doença em estágio avançado. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia mostram que 20% dos tumores de próstata são diagnosticados tardiamente e 25% dos pacientes morre em decorrência da doença. No entanto, quando há a detecção precoce, no estágio inicial, as chances de cura são em torno de 90%. Alguns dos tumores de próstata podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, no entanto, se desenvolve lentamente, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³.</p>    <p>O especialista reforça que um centro de excelência como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz está preparado para receber os pacientes de especialidades não relacionadas à Covid-19 com total segurança em tempos de&nbsp;pandemia&nbsp;e adota todas as medidas sanitárias estabelecidas pelas entidades internacionais de saúde e definiu fluxos rigorosos de atendimento para todos os pacientes, independente da patologia.</p>    <p>Entendemos que vivemos um momento atípico, mas a evolução do&nbsp;câncer&nbsp;não espera o fim da&nbsp;pandemia, é importante seguir com os tratamentos para evitar que a evolução dos tumores acelere e interfira no sucesso dos desfechos clínicos”, alerta Passerotti.

Também especialista em cirurgia robótica em pacientes de câncer de próstata, Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal), alerta que os pacientes não devem suspender o tratamento sem orientação médica: “A interrupção dos cuidados pode levar a perda da ‘janela’ de tratamento do paciente e a doença avança até chegar em uma situação irreversível”.

As orientações são as mesmas para aqueles pacientes que adiam o diagnóstico da doença sem orientação de um especialista. “O medo do novo coronavírus não pode ser motivo para desistir da consulta médica. O câncer é uma situação de emergência e deve ter a mesma prioridade da Covid-19”, ressalta o professor da Unifesp.

O diagnóstico precoce do tumor oncológico aumenta as chances de resultados positivos para os pacientes. Em alguns casos, é até possível adiar a cirurgia ou início de uma quimioterapia, mas uma espera de três meses faz uma grande diferença”, explica o médico.

‘O câncer não espera. Nem três meses, nem duas semanas. O paciente não pode esperar‘, diz oncologista

Por Bruno Ferrari*

O tempo é decisivo em muitas condutas. Na pandemia que parou o mundo, a evolução da curva epidemiológica da Covid-19 impactará nossas vidas nos próximos meses. Os oncologistas estão na linha de frente da luta contra o câncer e agora, como todos, travamos a batalha mundial contra o novo coronavírus.

Os tratamentos oncológicos não devem ser interrompidos. A atenção para a doença ser detectada precocemente não pode ser descuidada. O adiamento de cirurgias e de exames diagnósticos pode afetar chances de cura. Temos procurado informar pacientes que temem prosseguir tratamentos. Isso vale para profissionais em toda linha de cuidado oncológico. É imprescindível garantir a segurança dos que precisam ir às clínicas e aos hospitais, com sistemas ainda mais rigorosos para evitar o contágio de Covid-19.

Por terem a imunidade comprometida, pacientes em tratamento ativo fazem parte do grupo mais vulnerável a desenvolver a Covid-19 na forma grave. Como todos, é essencial seguir as orientações de higiene, como lavar sempre as mãos, e evitar contato com pessoas com sintomas de gripe, febre e falta de ar. Se não há necessidade de sair de casa, não saia. Neste cenário, a telemedicina desponta como aliada. Mas muitas pessoas com câncer terão de enfrentar a angústia e o mundo externo às suas janelas para combater uma doença que é terrivelmente letal se não tiver tratamento adequado.

Assim como há serviços essenciais que precisam continuar, existem tratamentos essenciais que devem prosseguir, sob risco de perdermos vidas que podem ser salvas. É preciso que cada paciente discuta com seu oncologista benefícios e riscos de manter ou adiar procedimentos. Condutas devem ser individualizadas. Se houver diagnóstico de Covid-19, o tratamento da infecção será priorizado. Mas o mantra é: converse com seu médico.

Já são conhecidos relatos em países severamente atingidos pelo novo coronavírus que enfrentam interrupções na cadeia de suprimento de remédios. A comunidade médica internacional avalia mudanças substanciais em como a pesquisa e a medicina serão praticadas. Nos adaptaremos até que os efeitos da crise se concretizem por completo.

Médicos lidam com situações limite. O desafio é imenso, mas lutaremos. Uma pandemia dessa magnitude requer extremo cuidado e equilíbrio. O mundo tem aprendido: para cuidar de si, deve-se cuidar de todos. Temos a missão de cuidar da vida dos pacientes como se fossem nossas vidas e saberemos dar o melhor de nós até que tudo passe, com segurança para todos.

Bruno Ferrari é oncologista clínico, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Oncoclínicas

Fonte: www.vidaeacao.com.br/avanco-do-cancer-de-prostata-e-um-dos-mais-preocupantes

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