Aplicativo remove filtros embelezadores e expõe o crescente vício da manipulação da imagem – ViDA & Ação

Por Andrea Ladislau*

Na última semana um verdadeiro “rebuliço” movimentou as redes sociais. Milhares de pessoas questionando a respeito do desaparecimento dos famosos filtros embelezadores de imagem, que são a sensação de um determinado aplicativo da internet.

Ocorre que esse episódio (não se sabe se será definitivo ainda) reacende a polarização e maximização do belo e perfeito, propagado pelas mídias, popularizada com a utilização exagerada de ferramentas como os filtros que evidenciam uma necessidade em apresentar uma aparência, distante da realidade, marcada pelo efeito computadorizado de medidas simétricas perfeitas para impressionar.

O exagero no uso dos filtros virtuais destaca o desejo da perfeição, estabelecendo um senso de estética e padronizando perfis. E onde foram parar os nossos rostos reais? As olheiras marcadas? As manchas na pele causadas pela acne acentuada?

E as imperfeições naturais provocadas pelos sinais da idade que os filtros insistem em esconder? Não tenham dúvidas quanto a afetação do bem-estar e do psicológico do indivíduo que vive a partir de uma realidade virtual distorcida, alimentando através da insatisfação com sua aparência, uma tendência de baixa autoestima e, possível depressão, desconstruindo o real.

Atendendo aos apelos de uma sociedade que cultua o belo e promove uma extrema exposição, através do vício danoso da manipulação da própria imagem. Neste caso, o desejo e a vontade em pertencer ao grupo dos belos e perfeitos, dos rostos simétricos classificados por rótulos, em contraponto a busca de expressão de sua própria individualidade que, na maior parte das vezes, justifica-se por um sentimento de insuficiência e competição.

O exagero nesta utilização dos filtros embelezadores alimenta o sentimento narcísico do ser humano e aumenta sua necessidade de espelhamento, pois estimula o desejo de que o outro o perceba sempre belo e perfeito, expondo, de forma excessiva, suas emoções e promovendo distorções depressivas através de crises de ansiedade e de uma possível sensação de opressão, uma vez que não se consegue ser feliz sendo ele mesmo. Da forma como se é.

Por isso, é importante estarmos atentos a estes efeitos psicológicos da vida digital que, superestimam a nossa imagem e podem desencadear o que chamamos de Síndrome da decepção continuada, quando não mais me reconheço como sou. Minha imagem real não agrada e só consigo aceitar a imagem que será perfeita para a sociedade.

Portanto, a busca e predileção por imagens e perfis mais positivos e, esteticamente, mais atraentes, refletem uma falsa realidade e a mais pura rejeição da imagem real e segura em prol de uma imagem desejável e aceitável por todos.

Perceba que, quando isso acontece, também está sendo rejeitado o amor próprio e evidenciado os mais variados complexos, camuflados por uma necessidade de reconhecimento. Porque eliminar sua individualidade através das redes sociais? Onde está sua aceitação? Ou seja, se faz necessário refletir sobre seu comportamento e postura nas mídias.

Controlar o vício da manipulação da imagem e fugir da imposição neurótica de uma vida de aparências, pois o ser humano não morre quando o coração para de bater, ele morre quando deixa de se sentir e se perceber de verdade.

Dra. Andréa Ladislau   /  Psicanalista

Fonte: www.vidaeacao.com.br/aplicativo-remove-filtros-embelezadores-e-expoe-o-crescente-vicio-da-manipulacao-da-imagem