Roda de Poesia Tensão, Tesão & Criação leva programação variada e gratuita para a Praça Pedro II nesta sexta (05)

Há mais de três anos chamando a atenção para a valorização e revitalização do Centro Histórico de Teresina, com uma programação variada e gratuita, o projeto Roda de Poesia Tensão, Tesão & Criação realiza, nesta sexta-feira (05), mais uma edição da temporada 2018, a partir das 17h58, na Praça Pedro II, Centro Histórico, cultural e artístico de Teresina. O projeto acontece uma vez ao mês, sempre com programação gratuita e em horário acessível a todos os públicos, com foco na poesia contemporânea brasileira feita no Piauí.

Roda de Poesia Tensão, Tesão & Criação (Foto: Divulgação)

O projeto traz mais uma vez uma programação diversa e autoral, com microfone aberto para recital poético, lançamentos literários e apresentações musicais. “O Despertar Selvagem do Azul Cavalo Domesticado”, do poeta Francisco Gomes é o lançamento desta edição. Já a música ficará por conta da banda Modstock e do grupo de rap Reação do Gueto.

O evento se constrói de forma coletiva, colaborativa e independente, como uma trincheira de resistência, é o que afirma o idealizador do projeto, João Henrique Vieira. “Vejo o projeto como uma política cultural independente, uma trincheira de luta por nosso Centro Histórico, reunindo artista e movimentando a praça, que infelizmente ainda padece com o abandono e ausência de programações culturais gratuitas. Reunimos artistas e produtores e ocupamos a Praça Pedro II chamando a atenção para nosso Centro Histórico, afirmando que praça não é lugar de medo, nem de abandono, é lugar de circulação de ideias. Junto a isso, buscamos criar um espaço de abrigo e expressão de nossa produção poética contemporânea. Em três anos insistimos em formar público e revelar novos artistas no Centro Histórico de nossa capital”, afirma.

Modstock

Na década de 50 o mod era considerada uma subcultura na moda, música e comportamento. Na música se destacavam bandas que tinha como timbre marcante as bandas de órgãos Hammonds, Vox, Continental, Farfisa, Ginson, Kalamazoo, Fender, Rhodes, entre outros. Seguindo essa linha, surgiu a banda Modstock, com uma pegada retro, trazendo de volta a sonoridade marcante dessa época, com um instrumental consistente como apoio para efeitos de guitarra e um órgão alucinante e nervoso. A Modstock promete abrir a programação da noite com uma apresentação dançante e vibrante, coisa boa de ouvir e se deixar levar pelas sonoridades marcantes da cultura mod.

imagem04-10-2018-04-10-14Modstock (Foto: Divulgação)

Reação do Gueto

Desde 2009, o grupo composto por Lucas, Dodoca (Dorneles), Xuxão (Rondinele) e Xinxar (Ricardo), representa a região da grande Santa Maria da Codipi, abordando a realidade das periferias, alertando a comunidade para as armadilhas do sistema. O grupo lançou o primeiro álbum em 2011, “A ideia que rola”, e um segundou em 2016 intitulado “Nordestinamente”. Atualmente grava o terceiro álbum, intitulado “Mova-se”. O grupo também participou, como protagonista, de dois documentários, “Ouça Gueto” e “Reação do Gueto”, com destaque e prêmios em festivais onde foi exibido.

imagem04-10-2018-04-10-15Reação do Gueto (Foto: Revista R.E.P. – Ritmo e Poesia)

O Reação do Gueto já se apresentou no Festival Beleza Negra; Juventude em alerta contra as drogas e Festival Chapadão, ficando em terceiro lugar na categoria estudante, por dois anos, 2012 e 2013. Também se apresentou no projeto Boca da noite e Salve Rainha. Fora do Estado, já se apresentou na Marcha da Periferia, em São Luís e 1º Encontro de Negros, em São Paulo.

Ao Entrecultura, Dorneles informa que o grupo vai lançar duas músicas nesta edição do Roda de Poesia. “A gente sempre quis fazer um show lá, a gente acompanha a roda desde a primeira temporada e é muito bom participar de sarau, porque o rap em si é ritmo e poesia. Por isso, queremos fazer um show diferente, sem falar que na Praça Pedro II começou o movimento Hip Hop no Piauí, então é uma grande honra fazer esse show. Nosso objetivo maior é atingir outros públicos, levar a mensagem através do rap, falando o que  gente vive, vê e sente”, coloca.

Francisco Gomes

O poeta Francisco Gomes inicia o livro  O Despertar Selvagem do Azul Cavalo Domesticado com a invocação a EO, ou, como compreendemos nós,“Eos”, a aurora, a Deusa do amanhecer, irmã do Sol e da Lua, cuja função era proporcionar a vinda e ida do Sol. Nesses primeiros versos, estabelece sua poética, que será desenvolvida em capítulos que evocam a passagem da semana, em Língua Latina, demonstrando um conhecimento da cultura clássica, capaz de fazer seus versos hodiernos dialogarem com a tradição.

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Em princípio, a obra sugere até mesmo algo de narrativo, mas esta seria uma leitura equivocada, uma vez que seus versos, ao serem lidos, ficam ressoando até o final da obra, num efeito polifônico, que recupera o conceito de verso harmônico de Mário de Andrade. No entanto, ao contrário do despojamento estético do modernista, Gomes nos sugere um rigor e, ao mesmo tempo uma ousadia, que lembram Elizabeth Bishop.

O Despertar Selvagem do Azul Cavalo Domesticado é, sem dúvida, uma obra de um poeta já completo, capaz de nos levar por uma viagem poética solar, complexa e fascinante. Apesar da semana sugerida pela estrutura da obra, ela nos convida a ler tudo de súbito, pela maestria que os versos demonstram.