Qual é o tamanho do pentacampeão Hamilton na história da F1?

Lewis Hamilton chegou ao GP do Brasil de 2018, em Interlagos, como o mais novo integrante do grupo de pentacampeões de Fórmula 1, feito conquistado na última etapa, no México. Aos 33 anos, o piloto britânico da Mercedes igualou a marca do argentino Juan Manuel Fangio e está a apenas dois títulos mundiais do recorde do alemão Michael Schumacher. As marcas de seu ídolo Ayrton Senna, três vezes campeão, já ficaram para trás, assim como as do tetra Alain Prost e outros pilotos memoráveis.

Neste domingo, no GP que começa às 15h10 (de Brasília), Hamilton largará na pole position pela 82ª vez na carreira – um recorde pulverizado pelo britânico (são 14 a mais que Schumacher e 16 a mais que Senna). Os dois anos de contrato que ainda têm com a equipe alemã e a maneira como vem reinando na categoria lhe permitem sonhar com as únicas marcas relevantes que lhe faltam, ambas impostas por Schumacher: o heptacampeonato e as 91 vitórias na carreira – Hamilton tem 71, restando ainda duas etapas da temporada 2018.

Mas os números excepcionais refletem o tamanho de Hamilton na história da Fórmula 1? Ele já é maior que Senna, Fangio, Prost e até que o próprio Schumacher? VEJA ouviu especialistas sobre o assunto em São Paulo:

Felipe Massa: ‘É top 3’

“Hamilton já tem uma grande parte dos recordes da Fórmula 1 e boas chances de bater os que faltam, até ultrapassando ou pelo menos igualando o Schumacher em número de títulos. Ele tem tudo para alcançar não só isso, mas ser o que mais venceu na Fórmula 1. É um dos pilotos mais importantes da história, talvez já seja Top3.” 

Felipe Massa, ex-piloto de Fórmula 1

Reginaldo Leme: ‘Já é o maior!’

“Para mim Hamilton já é o maior! E vai crescer ainda mais, caminha a passos largos. Vejo nele tudo que o Senna tinha, o que o Alonso tem… o Fangio eu nunca vi. E todos esses para mim já são maiores que o Schumacher. Eu acho que ele nem precisa bater os recordes, mas para quem faz questão de números, acho que o Hamilton vai bater também. Sua maior qualidade é que ele não erra de jeito nenhum. Faz uns dez anos que ele é melhor que os outros em qualquer pista, pode chover, fazer sol, botar gelo na pista… ele é o melhor!”

Reginaldo Leme, comentarista de automobilismo da Rede Globo

Ecclestone: “Lewis age como os campeões”

“Obviamente, Lewis está entre os melhores. Ele faz o trabalho que têm de ser feito, é o que os campeões fazem. É muito difícil dizer quem é o melhor da história, depende de carros e outras coisas, mas ele está entre os tops, com certeza.”

Bernie Ecclestone, ex-chefe da Fórmula 1

Emerson Fittipaldi: ‘Hamilton foi além do automobilismo’

“O cara é excepcional. Ele é um dos grandes da história do automobilismo, sem dúvidas. É espetacular. Não só como piloto, mas ele foi muito além do automobilismo, conseguiu atingir um público que a gente não conseguiu.”

Emerson Fittipaldi, ex-piloto, bicampeão de Fórmula 1

Damon Hill: ‘É dificil sobreviver num ambiente tão exigente’

“Lewis teve diferentes temporadas na carreira e acho que foi ficando mais fácil para ele vencer o campeonato a medida que foi ficando mais velho. O mais difícil é vencer pela primeira vez. Eu não posso falar muito, porque só ganhei uma vez (risos)… mas Lewis foi ganhando mais reputação e crescendo, é um dos melhores. Não dá para dizer que antes era mais difícil vencer, a F1 continua sendo a maior competição de pilotos, é muita pressão, um esporte global, a atenção da mídia, tudo que você faz é analisado e isso exige muito dos pilotos para sobreviver nesse ambiente.”

Damon Hill, ex-piloto e uma vez campeão de Fórmula

Rubinho: ‘Não dá para dizer’

“Ele é sem dúvidas, muito bom, um piloto muito completo, mas não dá para dizer se é Top 3 ou Top 10, é impossível comparar épocas.”

Rubens Barrichello, ex-piloto de Fórmula 1

Silvio Nascimento: ‘Hamilton tem um pouco de cada’

“Senna foi o mais rápido (as definições de pole position eram espetaculares com ele na pista); Piquet o mais técnico (acertava carros com extraordinária capacidade); Prost, cerebral (era capaz de fazer dezenas de voltas na mesma tomada, com o mesmo tempo e terminação), Schumi, vencedor (era obcecado por vencer, não curtia estratégias). Hamilton consegue ser um pouco de cada um e ainda é frio, calculista, se mexe bem nos bastidores e não erra na pista.”

Silvio Nascimento, editor de esportes de VEJA

Luciano Burti: ‘Difícil comparar épocas’

“É difícil de comparar, cada época tem sua dificuldade, uma necessidade técnica diferente. Hoje, sem dúvidas, ele é o melhor da Fórmula 1, mas não dá para saber se seria o melhor na década de 70, por exemplo. O que dá para dizer é que, sem dúvidas, o Hamilton está entre os 10 maiores da história”

Luciano Burti, ex-piloto de F1 e comentarista da Rede Globo

Castilho de Andrade: ‘Quebrou os padrões’

“Acho que o Hamilton criou um novo patamar na F1. Tecnicamente, é inquestionável, tem diversas marcas, então já é uma dos grandes pilotos da história, uma figura excepcional. Mas fora isso me chama muito a atenção o lado cultural e pessoal dele, ele quebrou muitos padrões por ser negro, muito mais próximo de uma cultura negra esportiva americana, é parceiro de grandes jogadores de basquete, futebol americano e também do futebol, como é Neymar e Daniel Alves. Ele é diferente dentro e fora da pista.”

Castilho de Andrade, diretor de imprensa da F1

Schmidt: ‘É como Fangio, Clark, Niki e Senna”

“Acho que ele é um dos grandes de todos os tempos, como Fangio nos anos 50, Jim Clark nos anos 60, Niki Lauda nos 70, Ayrton nos 80, Schumacher nos 90…e aí aparece Lewis. Tem diversos títulos, já venceu com carros que não eram os melhores, também com os que eram, ele sempre entrega resultados. Sua melhor qualidade é que ele raramente erra, tem pouquíssimos acidentes em sua carreira.”

Michael Schmidt, jornalista alemão da revista Automotor Und Sport