‘Pose’: da lacração cintilante aos dramas da aids e da LGBTfobia

(Em exibição no Fox Premium e disponível no aplicativo Fox) Na Nova York de 1987, um grupo de transexuais protagoniza uma travessura inacreditável. Sob comando da matriarcal (e ditatorial) Elektra Abundance (Dominique Jackson), elas entram no Museu Metropolitan requebrando nos saltos altos e roubam uma coleção de vestuário histórico das monarquias europeias. Na cena seguinte do primeiro episódio de Pose, a turma arrasa ao exibir os modelões num concurso de transformistas, com desfecho apoteótico. Antes mesmo de estrear, a nova produção com a grife de Ryan Murphy (de Glee e American Crime Story) já fazia história: a série ostenta o número recorde de cinco protagonistas transgêneros, incluindo a própria Dominique. Mas a trama não é só “lacração”: com a costumeira propriedade, Murphy ilumina não apenas o universo cintilante das festas e desfiles, mas os dramas humanos de personagens atingidos pela aids, pela homofobia e pela vida errática.