O discurso militar que acena contra o golpe e o radicalismo

No momento em que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, inconformados com a derrota na eleição, pedem aos militares que deem um golpe para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, chamou a atenção nesta quinta-feira, 24, o discurso sensato de um general em posição de comando contra o engajamento dos militares em episódios armados contra os próprios brasileiros.

O autor do discurso foi o general Laerte de Souza Santos, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. O evento, um dos mais tradicionais das Forças Armadas, foi a homenagem às vítimas da Intentona Comunista de 1935, promovida pelo Comando Militar do Leste na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

“O episódio da Intentona, literalmente intento louco, também nos alerta para os riscos que os extremismos e a polarização insensata podem representar à estabilidade de uma nação, fraturando o amálgama da identidade nacional e colocando desnecessariamente irmãos em trincheiras opostas”, disse o general.

E completou: “Os heróis de 1935 não morreram em vão. E as lições do passado e o sangue derramado pelos que tombaram na defesa da pátria contra um movimento — que foi inclusive articulado do exterior pela Internacional Comunista — sirvam de referencial para que jamais brasileiros peguem novamente em armas contra seus compatriotas”.

E defendeu a coesão e a hierarquia dos militares. “Forças Armadas disciplinadas, seguindo estritamente a cadeia de comando e sob a liderança de seus comandantes, aptas e desejosas de cumprirem suas missões constitucionais e, acima de tudo, coesas (…) são a melhor defesa contra aquele estado de coisas”, disse.

Na sua página oficial, o Comando Militar do Leste também ressaltou o compromisso com a democracia ao lembrar que a solenidade é realizada anualmente “a fim de manter viva em nossa memória a renovação do permanente compromisso das Forças Armadas com a defesa da pátria e dos ideais democráticos”.

Participaram do evento oficiais generais, chefes de Estado-Maior e comandantes das organizações militares das guarnições do Rio de Janeiro.

A Intentona Comunista enfrentada pelas Forças Armadas foi um conjunto de levantes revolucionários, de inspiração marxista, promovidos por militares brasileiros entre os anos de 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas. Os revoltosos agiram sob articulação da Aliança Nacional Libertadora (ALN), uma organização ligada ao líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes.

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Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/o-discurso-militar-que-acena-contra-o-golpe-e-o-radicalismo/