PF investiga pagamento de propina para anular Operação Castelo de Areia

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 7, uma operação para investigar o pagamento de supostas propinas pela empreiteira Camargo Côrrea a agentes públicos que teve como objetivo anular a Operação Castelo de Areia, desencadeada em 2009. São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Fortaleza, expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

São alvos da operação na capital paulista os escritórios do ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, o ex-ministro Asfor Rocha, e da empreiteira — ambos ainda não se manifestaram. A investigação tem como base a delação premiada de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil durante os governos petistas. A Operação Appius, como foi batizada, ocorre em parceria com o Ministério Público Federal e apura os crimes de corrupção passiva e ativa, previstos no Código Penal, além dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de ativos, previstos pela Lei 9.613/2018.

No acordo que Palocci firmou com a PF, ele envolveu doze políticos e dezesseis empreiteiras em transações supostamente criminosas. Muitas das revelações presentes na delação foram antecipadas por VEJA em reportagens publicadas em 2017, como a operação petista para sepultar a Operação Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justiça (STF). A empreiteira pagou 50 milhões de reais em propinas, na forma de doação eleitoral, para Dilma Rousseff (PT) em 2010 e outros políticos do partido.

Operação Castelo de Areia

A Operação Castelo de Areia foi uma operação da PF, deflagrada em 2009, que investigou supostos crimes financeiros, de corrupção, de fraude à licitação, de lavagem de dinheiro, dentre outros. O centro das investigações foi a Camargo Corrêa e principal objetivo do pagamento das propinas era a obtenção de contratos públicos.

A ação penal decorrente desta operação foi suspensa por um Habeas Corpus, concedido em 2010 pelo ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), César Asfor Rocha, durante o plantão judiciário. Em 2011, a operação foi anulada pela 6ª Turma do mesmo tribunal sob a alegação de que a denúncia anônima não poderia embasar investigações. A Castelo de Areia, por investigar esquemas de corrupção envolvendo políticos e empreiteiras, pode ser considerada a antecessora da Lava Jato, que teve início em 2014.

Fonte: veja.abril.com.br/politica/pf-investiga-pagamento-de-propina-para-anular-operacao-castelo-de-areia