Número de jornalistas assassinados no México chega a 7 apenas este ano

Uma repórter investigativa foi a sétima vítima de uma série de assassinatos contra jornalistas no México. Norma Sarabia, de 46 anos, já havia relatado ameaças por denunciar corrupção policial e foi atingida por tiros na noite de terça-feira 11 quando voltava para casa em Huimanguillo, uma cidade no estado de Tabasco, terra natal do presidente Andrés Manuel López Obrador.

“Ela era uma trabalhadora incansável. Sempre gostava de chegar às notícias primeiro”, contou um amigo próximo de Sarabia, Laurencio Palma, ao site mexicano Animal Político.

Segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México, a repórter foi a sétima profissional da área assassinada apenas este ano e a 149ª jornalista mexicana vítima de homicídio desde 2000, o que faz do país latino-americano um dos mais perigosos para se desempenhar a profissão.

Em um artigo de repúdio à morte de Sarabia, escrito para o jornal Tabasco Hoy, em que ela trabalhava, um colega criticou a “indolência e apatia” com que os políticos tratam o massacre contra os jornalistas locais.

“Aparentemente, os poderosos não ligam muito para estes assassinatos”, escreveu o colunista Luis Antonio Vidal, líder da associação de imprensa local.

Além da morte de Sarabia, o sequestro de outro repórter, apenas 12 horas depois do primeiro crime, foi fonte de preocupação para a comunidade do estado de Veracruz, no leste do México. Mas as autoridades anunciaram a libertação do editor Marcos Miranda Cogco, capturado por homens armados na manhã de quarta-feira 12, na tarde de ontem.

Ao assumir a presidência mexicana, em dezembro de 2018, López Obrador, conhecido como Amlo, foi elogiado por exaltar a liberdade de expressão e se esquivar da censura.

“Nós devemos proteger os jornalistas, defendê-los, e não matá-los”, insistiu o presidente durante entrevista coletiva no mês passado. Mas, apesar das declarações, outros dados extra-oficiais sugerem que o número de repórteres assassinados desde que Amlo assumiu o gabinete pode chegar a 10.

Impunidade

Jan-Albert Hootsen, o representante do México no Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), lamentou a ausência de medidas significativas para parar a série de ataques à segurança jornalística.

“Uma das maiores diferenças entre o México e a Turquia, China ou Rússia é que não existe um esforço conjunto do governo federal para silenciar repórteres críticos. Não há políticas de repressão deste presidente. Mas com certeza existe uma falta de comprometimento para solucionar os problemas reais, que são o crime, a impunidade e a corrupção.”

Em 2017, nove jornalistas mexicanos foram mortos por sua profissão. O recorde foi batido no ano seguinte, com dez homicídios, de acordo com a CPJ. O sétimo assassinato deste ano em apenas seis meses fortalece a especulação de que as estatísticas irão ser superadas novamente em 2019.

“Odeio analisar os números porque estamos falando sobre pessoas, mas, se nada mudar, nós terminaremos o ano com 12, 13 ou talvez até 14 jornalistas assassinados. As perspectivas não parecem boas”, lamentou Hootsen.

Entre as mortes dos últimos anos, a do editor Javier Valdez foi a que mais ganhou atenção da mídia local. O jornalista ficou famoso por documentar as perdas humanas causadas pela guerra contra o narcotráfico no México.

Valdez foi baleado em 2017 e o suspeito pelo crime foi preso no ano passado, enquanto a maioria dos responsáveis pelos assassinatos nunca são identificados ou processados.

“O principal problema com que lidamos no México é a impunidade. A taxa de impunidade para crimes cotidianos é de cerca de 90%. No caso de crimes contra os repórteres, especialmente os letais, é de quase 100%”, concluiu o representante do CPJ.

Fonte: veja.abril.com.br/mundo/numero-de-jornalistas-assassinados-no-mexico-chega-a-7-apenas-este-ano