Violência contras as mulheres durante pandemia exige mais apoios

A romã simboliza a mulher em muitas culturas e a artista Haleh Chinikar usou-as numa performance para assinalar, em Bruxelas, o Dia Internacional sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que a ONU designou ser 25 de novembro.

O título “Tornar o invisível visível” faz uma alusão ao facto das agressões serem, habitualmente, cometidas à porta fechada. A notificação deste tipo de violência aumentou, consideravelmente durante o confinamento por causa da pandemia.

No caso belga, as linhas telefónicas de apoio receberam mais 50% de pedidos de ajuda. Os ativistas esperam que a resposta de emergência continue a ser reforçada.

“Medidas suplementares foram implementadas e agora as associações de mulheres e feministas lutam para que se tornem permanentes. De facto, a crise ajudou a avançar em alguns pontos que vínhamos exigindo há anos, nomeadamente mais lugares nos abrigos para estas vítimas, alargar as possibilidades de ouvir as suas queixas e fazê-lo não só por telefone, mas por outros meios como o “chat” ou SMS”, disse Irene Zeilinger, da associação belga Garance, em entrevista à euronews.

“Tudo isto é muito bom, mas tem que se tornar permanente, porque a violência contra as mulheres não vai desaparecer por magia assim que houver uma vacina contra a Covid-19”, acrescentou.

Lançada campanha de prevenção e combate à violência contra mulheres #EuSobrevivi – RTP Notícias https://t.co/wXigrt3CDH

— RTPNotícias (@RTPNoticias) November 25, 2020

Custo em sofrimento humano e na riqueza mundial

Uma em cada três mulheres da União Europeia foi vítima de violência física e/ou sexual. A ONU diz que em todo o mundo há 243 milhões de vítimas, com idades entre 15 e 49 anos.

Esta violência tem um custo económico de 1,3 biliões de euros, o que representa 2% da riqueza mundial. Mas é apenas a ponta do icebergue, porque menos de 40% dos casos são notificados, normalmente a amigos e familiares, sendo apenas 10% reportados à polícia.

A diretora do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, Carlien Scheele, diz que o tema deve ser prioritário no plano de recuperação: “O meu apelo é para que os governos conheçam bem a situação no seu país, façam análises de género de grande qualidade, percebam a quem se dirigem as vítimas de violência doméstica para pedirem ajuda e que treinem esses profissionais para lidarem de forma adequada com o problema”.

“Também devem verificar se têm suficientes serviços disponíveis. Se perceberem que pode haver um pico de grande violência doméstica, devem fazer o necessário para terem suficientes centros de acolhimento, camas e outros apoios”, disse ainda.

Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres: “Não estamos preparados para falar de um tema tão atroz e perverso como é o da violência contra as mulheres” https://t.co/GMPLJfCU8R

— VISÃO (@Visao_pt) November 25, 2020

Campanha ao longo de 16 dias

As instituições da União Europeia aderiram ao pedido das Nações Unidas para iluminarem em cor laranja os edifícios importantes de todo o mundo, numa campanha de sensibilização com vários eventos nos próximos 16 dias.

Mas seis Estados-membros da União – Bulgária, República Checa, Hungria, Letónia, Lituânia e Eslováquia – ainda não ratificaram a Convenção de Istambul.

Trata-se do primeiro instrumento juridicamente vinculativo a nível internacional para combater a violência contra as mulheres.

Fonte: pt.euronews.com/2020/11/25/violencia-contras-as-mulheres-durante-pandemia-exige-mais-apoios