Sabino: ‘Não tenho interesse em sair do PSDB’

O deputado Celso Sabino (PSDB-PA) foi o principal protagonista em um dos mais recentes imbróglios na Câmara dos Deputados. Indicado pelo Centrão para o cargo de líder da maioria, acabou sem o posto e agora enfrenta um processo interno no PSDB. Processo, que Sabino considera que está sendo “injusto” até aqui. Em entrevista ao BRP, o parlamentar diz que deseja tudo resolvido e que quer continuar na sigla, mas faz algumas observações sobre algumas posições da legenda, em especial sobre a relação com o governo de Jair Bolsonaro.  Confira:

Deputado Celso Sabino. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

BRP: O senhor está enfrentando um processo de expulsão do PSDB. O senhor considera justo essa decisão da sigla?Celso Sabino: Foi um procedimento muito rápido, decidido inicialmente sem a minha participação e conhecimento dos termos da denúncia, não dando possibilidade de me manifestar e esclarecer os fatos. Então realmente não, não considero ter sido justo o processo até aqui, mas falhas acontecem e creio no PSDB, nas diretrizes e princípios estabelecidos no partido, no Código de Ética que aprovamos ano passado, então agora sou confiante que no Conselho de Ética isso tudo será devidamente analisado e resolvido.

A alegação é que o senhor violou o código de ética do partido ao não ouvir a sigla antes da sua indicação. Isso procede? O senhor entende que precisaria ter ouvido a sigla antes de aceitar a indicação?Na denúncia que tive acesso dias depois da imprensa informar sobre o encaminhamento do pedido de expulsão ao Conselho consta “infração ao art. 49, parágrafo 1°, do Estatuto”. Lendo e relendo o Estatuto, afirmo que não há nada em minha ação parlamentar que enseje em descumprimento de direção partidária expressa. (N.R: O artigo em questão fala  que “os integrantes das bancadas do Partido nas Casas Legislativas deverão subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos e às diretrizes estabelecidos pelos órgãos de direção partidários, na forma deste Estatuto.”)

O PSDB tem se colocado como um partido neutro, fora do governo e fora do chamado “Centrão”, mas existem indicações de parlamentares da sigla para cargos no governo, como é o caso do filho do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), que ocupa o posto de Diretor de Administração da GEAP, e do cunhado do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), que tem um cargo de superintendente na Sudene. Vê como uma contradição do partido?Posso falar por mim: eu não tenho nenhum cargo no governo federal, nunca tive, seja em Belém ou Brasília. Só penso que, se meus colegas do partido indicaram ou deixaram de indicar pessoas para cargos importantes no Governo, isso deve ser uma questão que também merece ser debatida internamente e firmada uma posição, da mesma forma que para indicação da liderança da maioria, ou da liderança do governo, ou oposição, para ser estabelecida expressamente uma direção a ser seguida e assim evitar mal entendidos como esses de agora.

O senhor entende que no PSDB existem outros casos semelhantes, como do senador Izalci, que é vice-líder do governo no Senado, e o senador Roberto Rocha, líder da maioria no Congresso. Vê com uma perseguição? Eles ouviram o partido antes de aceitar estes cargos?Eu não conheço como se deram as tratativas com os nobres Senadores. O que todos sabem é que o Senador Izalci, mesmo na condição de vice-líder do Governo, em certas matérias se posiciona publicamente contrário ao Governo. O senador Roberto, líder da Maioria, escolhido por seus colegas parlamentares, também não tem obrigação governamental. Se assim o fosse para que teria a representação da liderança do governo e também da liderança da maioria? O próprio regimento da Câmara estabelece, assim como o site da Casa explica. Perseguição é uma palavra muito forte. Realmente prefiro acreditar em falha na comunicação.

Caso não seja expulso, pensa em continuar no PSDB depois disso? Alguma outra sigla lhe procurou já?Sim, temos convites, mas não são só de agora. É comum parlamentares com expressiva votação e atuação na Câmara receberem convites de outros partidos. Hoje posso dizer que não tenho interesse em sair, não. Há anos sou filiado no partido, me identifico com os ideais reformistas, me inspiro em grandes nomes que temos aqui no Pará e no Brasil, vivos e também que já se foram. No PSDB tenho grandes amigos, de Norte ao Sul. Porém, se eu, nosso grupo, entender que meu tempo no partido chegou ao fim, vou continuar muito grato, mas terei que ir para onde possa contribuir.

Por outro lado, os partidos do chamado “Centrão” desistiram de tentar trocar o líder da maioria. Muito por conta da desistência do PSL e do Republicanos. Como o senhor viu essa situação?A verdade é que não houve um protocolo de fato. Houve sondagem, contentamentos e descontentamentos, intenção de troca. Se houve realmente alguma desistência ou indicação de outro parlamentar não tenho conhecimento.

Mesmo que não seja o senhor, avalia que seria positiva a troca do deputado Aguinaldo Ribeiro da liderança da maioria?O líder da maioria hoje, que claramente não é porta-voz do governo, como muitos tentaram atribuir à liderança da maioria, tem uma grande missão este ano que é a Reforma Tributária, causa esta que sou grande defensor, não sendo só necessária, como também urgente.

“Trocas” são completamente normais no Congresso, não sendo demérito algum para líderes partidárias ou de blocos que os deixam, mas isso tudo depende de muitas questões e cenários. Como fui sondado como todos sabem sobre uma possível mudança na liderança que o nobre colega ocupa, não me sinto confortável (eticamente falando) em opinar.

Fonte: brpolitico.com.br/noticias/sabino-nao-tenho-interesse-em-sair-do-psdb

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