O adeus a José Ramos Tinhorão e sua grande contribuição à música brasileira – Hora do Povo

O jornalista e historiador da música brasileira morreu nesta terça-feira – Foto: Divulgação/Flip

Incansável estudioso da música e da cultura brasileira, o jornalista e crítico musical José Ramos Tinhorão morreu na terça-feira (3), aos 93 anos, de causa não divulgada.

Embora dono de opiniões polêmicas e consideradas por muitos como muito rígidas, o pesquisador foi um nome fundamental na historiografia da nossa música, não apenas pela quantidade de obras publicadas, mas pela qualidade e abordagem da cultura de maneira geral, e da música em particular, sob o prisma histórico, socioeconômico e político da formação do país, desde o Brasil Colônia até os nossos dias.

Uma de suas polêmicas mais conhecidas se deu logo no início de sua carreira de crítico musical, ao tachar a Bossa Nova simplesmente como um subproduto da música comercial norte-americana.

Controvérsias à parte, a profundidade de suas pesquisas, a defesa do homem como sujeito da história, a visão anti-colonialista e anti-mercadológica na Cultura, se sobrepuseram a essas polêmicas, e o que fica é a grande contribuição que ele nos deu no melhor entendimento da formação da música brasileira.

Tinhorão começou a escrever sobre música nas décadas de 1950 e 60 e, de pra lá cá, publicou mais de 25 livros sobre o tema, como “História Social da Música Popular Brasileira”, “Música Popular: um tema em debate”, “Os sons dos negros no Brasil”, “A música que vem das ruas”, “As origens da canção urbana” e “A música popular no Romance Brasileiro”, entre outros.

Além dos livros, produziu uma infinidade de artigos, matérias e pesquisas publicados em jornais e periódicos como a Revista da Semana (RJ), Revista Guaíra (PR), jornal Última Hora, revista Veja, Cadernos de Estudos Brasileiros e Caderno B do Jornal do Brasil, entre outros, e teve participações em redes de TV como a Globo e a extinta TV Rio.

Também foi um colecionador voraz, reunindo um acervo de cerca de seis mil discos de 78 rpm, mais de 10 mil LPs, além de livros, jornais, revistas, filmes e fotos sobre música e cultura brasileira.

O acervo de Tinhorão foi vendido ao Instituto Moreira Salles, que o digitalizou e está disponível na internet em http://tinhorao.ims.com.br.

Fonte: horadopovo.com.br/o-adeus-a-jose-ramos-tinhorao-e-sua-grande-contribuicao-a-musica-brasileira