‘Aniversário’ da facada vira tema de ministros e assessores

O governo Jair Bolsonaro é tão previsível em sua fabricação de idolatria que chega a ser enfadonho. Às 9h escrevi aqui que a hashtag #QuemMandouMatarBolsonaro estava subindo com força entre os bolsonaristas, e escrevi que eram esperados posts do próprio presidente, dos filhos e quiçá de órgãos do governo em razão da efeméride.

Não deu outra: além da confusão hilária de Mário Frias que postou como se fosse o próprio Bolsonaro, como mostrei aqui tabém, começou a fila de assessores querendo prestar seu tributo a Bolsonaro e cobrar a resolução do que chamam de atentado político.

A lista inclui alguns dos mais empenhados auxiliares na arte de adular o presidente: o chanceler Ernesto Araújo e o assessor especial para assuntos internacionais, Filipe G. Martins, com suas citações em latim.

Segundo o primeiro, há dois anos “tentaram matar a esperança do Brasil com uma facada”.

Há dois anos tentaram matar a esperança do Brasil com uma facada.

Algumas semanas depois, um “especialista” em política externa afirmava que, se JB ganhasse, o MRE não implementaria suas ideias: “o Itamaraty vai empurrar Bolsonaro com a barriga”.

Eu disse: “Mas não vai mesmo.”

— Ernesto Araújo (@ernestofaraujo)

O segundo diz que não há nenhum empenho em esclarecer o crime, a despeito de sucessivos inquéritos que chegaram à mesma conclusão: a de que Adélio Bispo agiu sozinho e tem problemas mentais. Ainda assim, diante da insistência da narrativa bolsonarista, o caso está no STF, e caberá ao ministro Luiz Fux decidir sobre os pedidos de reabertura das investigações.

No dia 6 de setembro de 2018, um militante de esquerda esfaqueou Jair Bolsonaro e tentou pôr fim à sua vida. Dois anos se passaram, mas não há notícia de qualquer esforço real para esclarecer as circunstâncias de um dos maiores atentados políticos de nossa história. Cui bono?

— Filipe G. Martins (@filgmartin)

Fonte: brpolitico.com.br/noticias/aniversario-da-facada-vira-tema-de-ministros-e-assessores

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