A estátua de Borba Gato e seus incendiários – Hora do Povo

A estátua de Borba Gato em São Paulo (foto: reprodução/Instagram)

Na antiguidade grega, houve um certo Heróstrato, que incendiou o Templo de Diana em Éfeso – uma das Sete Maravilhas do Mundo – simplesmente para aparecer. O complexo ou síndrome de Heróstrato, entretanto, não desapareceu com o próprio. Que o diga o incêndio, no último sábado (24/07), da estátua de Borba Gato em São Paulo. Abaixo, o comentário do escritor Elder Vieira (C.L.).

ELDER VIEIRA (*)

Ódio de classe, pra ser consequente, tem que ser dirigido à superação da sociedade de classes. O artista que criou o monumento ao mameluco bandeirante é o mesmo que criou monumento em homenagem aos negros no Paissandu. Obras de arte não devem ser destruídas, mas contextualizadas. Por essa batida, é o caso de demolir as Pirâmides do Egito, ou o Coliseu de Roma. Ou meter fogo nos quadros de Dalí, nos retratos de reis, rainhas, cardeais, nos livros de Borges, Alencar, Lobato, Guimarães Rosa, etc. Temos ódio à burguesia, aos senhores de engenho, aos escravistas, não às obras criadas sobre eles, laudatórias ou não. Queimar a memória e o patrimônio é ato fascista sim, venha de quem vier.

(*) Escritor, autor de Os Anos Verdes de Lindaura (e-book, Editora Serra Azul), gestor e servidor público. É militante comunista desde 1983.

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