Fui jurada do “Masterchef” da Tupperware e aprendi esta lição de carreira

São Paulo – “Não é que não cozinhávamos, a gente ainda não cozinha”, comenta Gabriel Orselli, supervisor de TI, com sua dupla Maria Hubsch, analista de Merchandising, após participarem da etapa final da primeira edição do Tupper Chef.

A competição de culinária no escritório da Tupperware em São Paulo pode ser uma versão amadora do Masterchef, mas, inesperadamente, foi tão envolvente quanto o programa profissional da Band.

Com o tempo contado, as duplas de funcionários trocaram suas mesas naquela manhã de junho pela cozinha conceito dentro da empresa, onde correram contra o tempo para preparar elaborados pratos de culinária japonesa. Para chegar ali, eles já haviam passado por outros dois desafios.

Assim como os voluntários do novo programa de iniciantes no universo “gourmet” da Tupperware, aceitei a proposta para a temporária mudança de ambiente.

Foi inusitado o e-mail que recebi na minha caixa de entrada com o assunto “Convite para júri”. De primeira, achei que era um engano. Afinal, como repórter de Carreira, julgar a competição de culinária não parecia bem a minha especialidade. Não era, queriam que eu acompanhasse e ajudasse a dar as notas na competição.

A curiosidade era grande. Não apenas para descobrir que estilo de jurada eu seria (a chata ou simpática?) ou experimentar comidas deliciosas, mas queria entender exatamente qual o sentido de organizar uma competição como essa.

A missão dos competidores não era simples. Eles precisavam preparar pratos típicos da culinária japonesa, incluindo temaki, guioza e os tradicionais sushi e sashimi com peixe cru, utilizando obrigatoriamente os produtos da empresa.

Além da pontuação pela apresentação final do prato, eles precisavam demonstrar criatividade e preparar uma refeição saudável. E tudo sem fazer muita bagunça: desperdício de comida e sujeira na bancada de trabalho eram parâmetros para redução de pontos.

Dada a largada, começou a correria. Eles definiram os pratos, separaram tarefas e colocam a mão na massa. Embora a execução denunciasse o nível de experiência de cada um, o foco mostrava a determinação para ganhar.

Ou apenas conquistar um desafio juntos. Em pouco tempo, era difícil dizer quem era companheiro e quem era rival. De mesa em mesa, todos pareciam estar no mesmo time, seja explicando seu método para cortar o salmão, segurando (literalmente) os pepinos do colega, lembrando do tempo e juntando cascas para jogar fora.

Entre os competidores, Andrea Aumond, gerente de desenvolvimento organizacional da Tupperware Brands Brasil, observava o desenrolar da atividade que ajudou a organizar.

Logo antes, ela havia me explicado que a ideia do programa de culinária surgiu da união de vários desejos da empresa: engajar os funcionários, promover bem-estar, descontrair o ambiente de trabalho e passar conhecimento sobre os novos produtos da marca.

“Uma ação única não gera engajamento. Por isso, pensamos em movimentos trimestrais para juntar pessoas de diferentes áreas em atividades fora do dia a dia e que melhorem o bem-estar”, conta ela.

E, no decorrer da competição, era aparente o sucesso do programa: o propósito de trabalhar na Tupperware estava presente na cozinha, porém o clima era agradável e divertido. Até mesmo fora da cozinha, os colaboradores faziam torcida e deixavam mensagens de apoio aos colegas.

Para a dupla do TI e do Marketing, Gabriel Orselli e o Maria Hubsch, o objetivo nunca foi ganhar: “Meu intuito era aprender, a todo momento isso foi muito incentivado e é algo que sai da competição. No dia a dia, estávamos aprendendo sobre os produtos e conversando com colegas. Todo mundo ficou bem animado”, conta Maria.

Outro ponto positivo foi conhecer melhor colegas de outras áreas. Como funcionário da TI, o contato de Gabriel com Maria até então só acontecia quando algo dava errado no computador dela. “Agora somos como parceiros, todos os participantes. Se precisar de alguém para um projeto, sei com quem contar”, fala ele.

Sinto dizer que os dois funcionários que bateram papo comigo não foram os vencedores. Quem levou o primeiro lugar foi a dupla Thatianne Ferreira, analista fiscal, e Maily Ferraresi, gerente de desenvolvimento da força de vendas.

As duas fizeram uma refeição completa, com salada de pepinos de entrada, sushi e sashimi como prato principal e uma surpreendente sobremesa feita no processador de alimentos e usando batata doce.

Como entusiasta da culinária japonesa, eu tive o trabalho mais fácil do dia: provar uma variedade de criações, com molhos, misturas e apresentações criativas. Dentro do clima amistoso, fui a jurada pronta para provar de tudo, prestando atenção no destalhes e requisitos que eles tinham que cumprir, junto com a apresentação e gosto.

E a turma do primeiro Tupper Chef pode virar uma forte competição para os rodízios japoneses de São Paulo, pois estava tudo delicioso.

De volta a editoria de Carreira, procurei a opinião do Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em vagas de início de carreira, para esclarecer os aprendizados da experiência. E ele também confessou que adora cozinhar.

“Acho que primeiro, quando pensamos em cozinhar em um ambiente colaborativo, vemos um cenário menos temeroso para que as pessoas troquem conhecimentos e se ajudem. Claro, a competição na empresa difere do Masterchef, onde eles têm um nível mais alto de pressão”, comenta ele.

Acima dos aprendizados mais imediatos, como o trabalho em equipe, a maior lição do desafio culinário é sobre erros.

“Na cozinha, todo mundo tem direito de errar, mas aprendemos que existem erros menores e erros mais impactantes. Os pequenos erros conseguimos contornar rapidamente, mas você corre o risco de queimar sua mão ou se cortar também”, explica ele.

Para ele, os participantes conseguiram desenvolver a capacidade de construir pensamento criativo e ter respostas rápidas para resolver problemas. Durante o processo, pequenos erros, como queimar o alho, exigem soluções para não afetar o produto final.

“Pela experiência própria, fazer um jantar envolve múltiplos trabalhos, como fazer a entrada, a sobremesa, um acompanhamento, a salada… a demanda e o caos da cozinha é um pouco do que vivemos no mundo real, dentro das organizações. Contratempos acontecem, como quando você coloca mais sal do que deveria no arroz ou coloca água demais”, diz ele.

O especialista também enxerga um resultado mais duradouro do que os pratos feitos e consumidos no dia: os laços e engajamento criados na equipe ao completar todo o processo juntos. Segundo ele, um bom engajamento da equipe é sinônimo de bons resultados.

Fonte: exame.abril.com.br/carreira/fui-jurada-do-masterchef-da-tupperware-e-aprendi-esta-licao-de-carreira