Existe jeito certo para namorar? Professor de português responde

Na língua falada e na informalidade, percebe-se bastante o “tá” em vez de “estar”; “cê” em vez de “você”. O nome desse recurso linguístico é aférese.

Essa supressão, no entanto, nem sempre indica informalidade: pode indicar, na diacronia da Língua, evolução e formação de vocábulos. Em termos mais simples e didáticos, foi o que aconteceu entre “enamorar” e “namorar”.

Namorar, verbo tradicionalmente transitivo direto (sem a exigência da preposição), pode ser assim exemplificado:

“O poeta namorava todas as palavras de Helga.”

À visão dos puristas, não faz sentido algum o uso da preposição “com” na regência desse verbo. Na frase acima, o verbo indica  “desejar ardentemente”, “cobiçar”. Em suma, a preposição tiraria o brilho poético da sentença, uma vez que não se busca a semântica de “companhia, encontro, conversa”.

Celso Luft, no seu dicionário de Regência Verbal, cita nossa Literatura:

“E o Dr. Carmo, namorando agora com aquela sem-vergonha.” (José Lins do Rego)

“O Promotor namorava com a filha do coronel Quincas.” (Bernardo Élis)

No Aurélio, vê-se que, moldado como “casar com” ou  “noivar com”, a regência “namorar com” é perfeitamente legítima.

Para o uso assertivo, leitor, vale planejar o significado pretendido, pois – além de a expressão poder ficar mais elegante – poderá ser muito mais romântica e precisa.

Por essas e outras, caminho convicto: conhecimento gramatical é viajar (com) seguro pelas estradas da representação sentimental.

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DIOGO ARRAIS http://www.ARRAISCURSOS.com.br YouTube: MesmaLíngua Autor Gramatical pela Editora Saraiva Professor de Língua Portuguesa Fundador do ARRAIS CURSOS

Fonte: exame.abril.com.br/carreira/existe-jeito-certo-para-namorar-professor-de-portugues-responde