Euphoria, da HBO, é o retrato nu e cru da adolescência

A CH assistiu ao primeiro episódio da nova série de Zendaya, que estreia neste domingo (16) na HBO

Com o fim de Game of Thrones, a HBO precisou buscar uma série que mantivesse o público jovem ligado no canal e em sua plataforma de streaming, e a resposta veio mais rápido do que a gente imaginava. Euphoria, que estreia neste domingo (16), às 23h, nos apresenta Rue, uma garota com transtornos psicológicos que volta à escola depois de passar um tempo em uma clínica de reabilitação por causa de uma overdose. Zendaya brilha no papel da protagonista e se entrega de verdade à personagem, com a fala arrastada e o olhar perdido.

Além de acompanhar a história da jovem, que não tem nenhum interesse em largar o vício, a gente conhece também alguns de seus amigos e colegas de escola, que enfrentam outros dilemas comuns da adolescência. O popular Nate (Jacob Elordi, de A Barraca do Beijo), por exemplo, é um cara machista que tem dificuldade em controlar o temperamento. A novata Jules (interpretada pela ativista trans Hunter Schafer) é abusada sexualmente por um homem adulto que conheceu na Internet. Já a tímida Chris (Barbie Ferreira, filha de mãe brasileira) é virgem e está descobrindo sua sexualidade. E por aí vai…

A grande questão de Euphoria é que a série, dirigida por Sam Levinson e produzida por Drake (sim, o rapper), vem para mostrar a verdade nua e crua do que é a vida real. Cenas de nudez são extremamente comuns. Pode se preparar para ver diversos pênis, vaginas, seios, bundas… A violência e o uso de drogas também não foram suavizados só porque a ideia é que a série seja vista por adolescentes, não. As escolhas de Levinson durante as cenas que acontecem em uma festa, por exemplo, fazem com que, através de flashes e da câmera girando, o público se sinta tão doidão quanto Rue.

Por falar nisso, pode esperar muitos comentários problematizadores sobre a produção. Se 13 Reasons Why, da Netflix, gerou um debate sobre incitar o suicídio entre os jovens, podemos dizer que Euphoria também vai gerar temas bem delicados. Em uma cena do primeiro episódio, por exemplo, a protagonista explica com todas as letras como faz para burlar o teste de drogas que sua mãe a obriga a fazer depois que ela volta tarde para casa.

Com isso em mente, é bom reforçar que a nova produção da HBO talvez não seja a melhor opção para quem vem enfrentando problemas como vício, depressão ou distúrbios psicológicos graves, pois pode, sim, se tornar um gatilho para esses expectadores. Contudo, em um mundo onde qualquer pessoa, de qualquer idade, encontra qualquer informação facilmente na internet, a série vem para mostrar que os adolescentes não devem ser menosprezados. Sim, eles passam por problemas sérios; sim, eles afogam suas mágoas muitas vezes de formas que não são nada saudáveis; e sim, se eles quiserem eles abrem em dois minutos a foto de um pinto ou uma lista de que droga usar para cada ~vibe~ específica em seus computadores, então por que deveríamos fingir que questões como essas não existem?

É com séries como Euphoria que se inicia o debate, tanto entre os pais como entre amigos, colegas ou até mesmo desconhecidos. Ao abordar assuntos reais e polêmicos sem romancismo, a produção coloca sob holofotes temas encarados por muitos como tabus, mas que deveriam ser expostos e discutidos, até para que a gente aprenda as consequências que algumas escolhas erradas podem ter em nossas vidas.

Por Gabriela Zocchi

Fonte: capricho.abril.com.br/favorito/euphoria-da-hbo-e-o-retrato-nu-e-cru-literalmente-da-adolescencia