Prevent Senior responde a Mandetta: “Queremos que nos deixem trabalhar”

Fachada de hospital da Prevent Senior no Tatuapé

O presidente da operadora de planos de saúde Prevent Senior, Fernando Parrillo, recebeu com espanto as críticas feitas ontem pelo ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à companhia. Em pronunciamento, Mandetta disse que criou-se um “ambiente de transmissão” da doença em um hospital da operadora e questionou o modelo de negócio da empresa, focada em clientes idosos. Das 136 mortes por coronavírus confirmadas no estado de São Paulo, 79 ocorreram em hospitais da operadora.

Em entrevista a EXAME, Parrillo respondeu às afirmações do ministro. Mandetta criticou a concentração de idosos doentes em um único hospital e disse que estudava com o governo de São Paulo uma intervenção na unidade onde ocorreram as mortes. No início da crise, a rede concentrou o atendimento a esses pacientes em uma unidade, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Hoje já são três atendendo aos casos de coronavírus, nos bairros do Paraíso, Santa Cecília e Mooca. As mortes ocorreram em dois hospitais e não em um, diz a empresa.

Sobre o isolamento dos pacientes com covid-19 em algumas unidades, Parrillo afirma: “Não estamos inventando moda. Estamos seguindo os protocolos e recomendações da Organização Mundial da Saúde. O isolamento nos hospitais é uma estratégia para não precisar parar completamente o atendimento aos pacientes com outras necessidades. Isolamos hospitais para os pacientes que estão com o vírus, e o restante atende aos demais beneficiários que continuam com suas demandas”, afirma.

Em nota, a companhia afirma que os pacientes com covid-19 internados em seus hospitais não foram contaminados dentro das unidades, “conforme atestam os exames laboratoriais, colhidos fora dos estabelecimentos”. O presidente da empresa também afirma que os casos de infecção e as mortes causadas pelo vírus são notificados rapidamente pela operadora, o que pode ampliar a proporção de casos vindos da Prevent Senior.

Ainda de acordo com Parrillo, a taxa de mortalidade de pacientes com coronavírus nas unidades da rede está abaixo da taxa média divulgada pela OMS para infectados com idade acima de 80 anos. Segundo a OMS, a letalidade do vírus para essa faixa etária é de 14,8%. Dentre os pacientes atendidos pela Prevent Senior com a doença, ela está em 12%. Segundo a companhia, os mortos em seus hospitais têm em média 80 anos. A empresa afirma ainda que 68 dos seus pacientes com coronavírus receberam alta desde o início da crise.

Outro indicador destacado pelo executivo é a taxa de contaminação pelo vírus dentre os profissionais da rede. A Prevent Senior tem 10.000 funcionários no estado, espalhados por 60 unidades. Desses, 179 tiveram suspeita de infecção, sendo 82 que tiveram teste positivo para o coronavírus e 97 tiveram teste negativo. Segundo a companhia, “ao que tudo indica, as infecções ocorreram fora das unidades”.

O ministro Mandetta também questionou o fato de a operadora focar seu modelo apenas no público idoso e disse que a Prevent Senior não considerou que, com isso, corria um risco mais alto. “Ele achou na sua cabeça de empresário que os idosos compram muito plano de saúde, então pensou: vou vender um plano de saúde mais barato. Ele não diluiu o risco da carteira, e ficou com a carteira dos mais complexos. Não contava com a entrada de um vírus de tropismo para esse paciente e provavelmente não tomou as barreiras que precisaria ter tomado antes da chegada do vírus”, disse o ministro.

Sobre esse ponto, Parrillo afirma: “Risco mais alto a gente corre desde que abrimos. Tratamos das pessoas mais debilitadas há 23 anos e provamos que nosso modelo funciona. Não faz sentido discutirmos modelo de negócio agora. O que queremos é apenas que nos deixem trabalhar”, afirmou à reportagem. O executivo diz que não há risco de falta de leitos na operadora. A expectativa do executivo é de que os pacientes com covid-19 usem até 25% dos leitos da rede. “Estamos preparados para montar um hospital de campanha com 1.900 leitos, mas não deve haver necessidade”, afirma. Em nota a empresa afirma que “está à disposição para mostrar às autoridades públicas e a qualquer jornalista interessado todos os procedimentos adotados pela operadora, cuja gestão é atestada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”.

O executivo diz que a experiência da pandemia não ameaça seu modelo de negócio e que não haverá impacto significativo nos resultados da empresa ou na sinistralidade da operadora. “Estamos aprendendo muito sobre o tratamento da covid-19 em idosos e nos colocamos à disposição das autoridades para auxiliar”, diz o executivo. A operadora foi uma das primeiras a usar o medicamento cloroquina de forma experimental para o tratamento da doença. Até agora 276 pacientes confirmados com a doença receberam o medicamento.“Os resultados tem sido muito bons, quando o medicamento é usado no momento certo”, afirma o executivo.

A manifestação do ministro Mandetta não foi a primeira vinda de agentes públicos com críticas à Prevent Senior desde o início da crise do coronavírus no Brasil. Na última sexta-feira (27), a Secretaria da Municipal de Saúde de São Paulo solicitou a intervenção no Hospital Sancta Maggiore, da operadora, devido ao elevado número de mortes por coronavírus registrados e aos resultados de laudos das inspeções da Vigilância em Saúde do Município, realizados na instituição. O Ministério Público de São Paulo investiga se a operadora deixou de notificar casos da doença em seus hospitais. A Prevent Senior afirma que tem cumprido rigorosamente as normas de atendimento.

 

Fonte: exame.abril.com.br/negocios/prevent-senior-responde-a-mandetta-queremos-que-nos-deixem-trabalhar