Em defesa da Folha de São Paulo

Bolsonaro, auxiliado pelos filhos e seus discípulos mais próximos toca o governo numa lógica de guerra permanente. Se não há uma polêmica, ele a cria e faz dela um fato a ser discutido, pró e contra o governo. Ele opera o governo numa lógica inversa ao que se poderia considerar normal. Aos governos geralmente interessa um clima de estabilidade, de segurança jurídica para tocar suas políticas com sucesso e incentivar investimentos no país e crescimento da economia. Bolsonaro aposta em criar instabilidade, sem se importar em como os interlocutores irão enxergar o governo. Essa visão é compartilhada pela sua equipe, a ponto de o ministro da Economia, Paulo Guedes ir a Washington e pregar a adoção de um novo AI-5, sob o pretexto de abafar eventuais futuras manifestações de rua contra o governo.

Permito-me de opinar sobre esta guerra: torço para que a Folha. Não porque eu concorde com tudo o que a Folha publica, não se trata disso, mas simplesmente porque defendo uma imprensa livre, que exerça seu direito à expressão de todos, algo que inclusive está garantido em nossa Constituição.

Aposto que, como Collor, Bolsonaro vai perder essa guerra. Não estou afirmando que haverá impeachment. O mais provável é que o atual presidente ajude a Folha, mais uma vez, a se afirmar como o principal jornal do Brasil. Quanto a Bolsonaro, vai seguir com seu governo, acumulando mais uma derrota. Ele não será derrotado pela Folha, mas pela democracia, suas instituições sólidas e seus defensores amplamente majoritários.

Fonte: veja.abril.com.br/blog/alberto-carlos-almeida/em-defesa-da-folha-de-sao-paulo