Dólar sobe para R$ 3,76, maior valor de fechamento em quase 1 mês

O dólar encerrou a terça-feira com alta de 0,83%, a 3,7583 reais na venda. Esse é o maior nível de fechamento desde 11 de outubro, quando terminou em 3,7788 reais. O movimento foi influenciado pelas atenções do mercado com o desfecho das eleições parlamentares americanas, que podem acabar com a maioria republicana na Câmara dos Deputados.

“A configuração das Casas é importante para determinar o grau de dificuldade que Donald Trump terá nos seus últimos dois anos de mandato”, disse o operador de câmbio da Advanced Corretora Alessandro Faganello, citando expectativas de que o Partido Republicano mantenha o controle do Senado enquanto os democratas devem ficar com a maioria na Câmara.

Por conta dessa preocupação, o dólar passou o dia rondando a estabilidade, com o mercado aguardando o resultado da eleição americana e as possíveis consequências desse resultado para a maior economia do mundo.

“Seja qual for o resultado das eleições de meio de mandato de hoje, achamos que a economia dos EUA diminuirá drasticamente no próximo ano, à medida em que o estímulo fiscal anterior se esvair e o Fed [banco central americano] apertar as subidas”, escreveu a empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics em relatório.

Internamente, os investidores continuaram monitorando o noticiário político, em dia de visita do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a Brasília, onde participou da sessão solene dos 30 anos da Constituição na Câmara dos Deputados. Na quarta-feira ele irá se reunir com o presidente Michel Temer.

Na véspera, Bolsonaro afirmou que o governo fará “alguma reforma da Previdência” no começo do ano que vem. E ponderou que a Previdência pode receber ajustes graduais com o mesmo resultado de uma reforma mais profunda e sem levar alarde à população.

Ao mostrar desconfiança sobre o modelo de capitalização proposto por seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Bolsonaro trouxe um pouco de cautela ao mercado, diante da indefinição ainda do que será de fato proposto e perseguido.

Nesta tarde, Guedes disse que caso a reforma da Previdência enviada pelo governo Michel Temer não seja aprovada neste ano no Congresso, caberá a Bolsonaro trabalhar com uma “nova reforma” no ano que vem.