Banda OUSE lança primeiro EP e discute conservadorismo e feminicídio

Dos movimentos de resistência às relações da sociedade moderna. São esses alguns dos pontos que costuram o EP de estreia da banda OUSE, “Desculpe Por Todo Esse Sangue”. O grupo cearense lançou o o trabalho no último dia 15, com show gratuito no Porto Iracema das Artes, em Fortaleza. imagem18-03-2019-23-03-37Capa do EP Com sonoridade agressiva e discurso fortemente político, a música transborda impressões e experiências do quarteto formado por Juliana Pessoa (voz), Ícaro Manfrinni (guitarra e programações), Suiane Pessoa (baixo) e Nyelsen Bruno (bateria). Produzido por Manfrinni, o título traz seis faixas, incluindo o single “A Cura”, lançado em 2018 com clipe gravado nas ruas do Centro de Fortaleza. A banda de rock carrega influências da música eletrônica e de grupos como Smashing Pumpkins, Nine Inch Nails, The Prodigy, Depeche Mode e Garbage, além da brasileira Letrux. Outra grande referência é a obra da poetisa indiana Rupi Kaur, autora do fenômeno “Outros jeitos de usar a boca”. imagem18-03-2019-23-03-39Banda Ouse (Foto: Rafael Félix) A onda de conservadorismo que o país atravessa é o grande estopim criativo do EP. “Sentimos muito esse baque. Parece que parte da sociedade resolveu colocar pra fora o que há de pior no ser humano, e é daí que vem a necessidade de se expressar”, explica Nyelsen Bruno. “A música é uma forma de se rebelar. É um dos caminhos que encontramos para ir contra essa enxurrada de ódio, intolerância e ausência de humanidade”. É esse o desconforto que inspirou o título “Desculpe Por Todo Esse Sangue”, que levanta debates sobre lugar de fala e feminismo nos dias atuais. A referência é da simbologia do sangue ligada à feminilidade, da menstruação aos casos de feminicídio registrados no Brasil – onde mais de 500 mulheres são agredidas fisicamente a cada hora, segundo o Fórum Brasileiro da Segurança Pública. “Nesse caminho também nos deparamos com um exercício de empatia e alteridade por outras lutas. O sangue do título representa a resistência daqueles que mais sofrem a opressão conservadora. São negros, índios, LGBTQ+”, afirma Juliana Pessoa. “Nosso lugar de fala é o da mulher, mas isso não torna a nossa luta maior do que a de quem está perto de nós”.  

Fonte: entrecultura.com.br/2019/03/18/banda-ouse-lanca-primeiro-ep-e-discute-conservadorismo-e-feminicidio