Mercado de delivery cresce no Brasil: conheça alguns números

Por Diego Andrade

Com a crise causada pelo novo coronavírus, o mercado de aplicativos de delivery explodiu no Brasil. A bem da verdade, é fato que os apps como o Rappi, iFood, UberEats e outros já estavam bem populares antes.

No entanto, eles ainda viviam uma fase de implementação dentro da cultura do consumidor brasileiro. Ou seja: a regra ainda era o consumidor usar os métodos antigos, embora uma fatia cada vez mais estava experimentando a novidade.

Dito isso, a pandemia (que causou mais de 43 mil mortes no Brasil até o momento) influenciou para que os apps acelerassem o processo de adaptação e se tornassem mais vitais para os consumidores nacionais.

Alguns números divulgados recentemente mostram como os apps se tornaram muito importantes nessa pandemia e explodiram em utilização nos últimos tempos.

De acordo com o jornal Extra, por exemplo, os aplicativos de delivery já vinham em alta nos rankings de downloads da Play Store e da App Store. Só até o dia 16 de março deste ano, o número de downloads desses aplicativos representou mais de 60% o total de downloads em 2019 inteiro.

No entanto, esse número mais que dobrou assim que o Ministério da Saúde anunciou que o primeiro caso de contaminação comunitária no Brasil.

A Rappi, por exemplo, registrou um aumento de 30% na sua demanda desde o início da pandemia. Uma razões disso é que o aplicativo foi um dos primeiros a trabalhar com vários segmentos e não só restaurantes. Por isso, pode pegar uma fatia maior do público que alimentou o aumento de vendas de Farmácias e Supermercados nos aplicativos.

ALiás, essa é uma das características mais significativas dessa mudança de patamar nos hábitos de consumo das pessoas. Antigamente, delivery era algo apenas para refeições prontas, vendidas por restaurantes. No entanto, a pandemia normalizou a compra de remédios e comida de supermercado pelos apps também.

Isso significa que praticamente tudo que pode ser levado em uma caixa por um motociclista pode ser comercializado pela Internet e entregue pelos apps. Prova disso é que a Loggi, especializada em entregas via motoboys, espera triplicar o seu número de pedidos durante a quarentena.

Ainda não dá para imaginar o impacto que isso terá no setor. Para se ter uma ideia, a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) divulgou que, em 2019, o segmento de aplicativos delivery já movimentava 11 bilhões de reais por ano. Isso só com restaurantes, sem considerar farmácias, mercados e afins.

Com o aumento de pedidos na quarentena e a adição de novos segmentos, esse número deverá aumentar consideravelmente em 2020.

Prova disso é que o número de entregadores de aplicativos subiu em 20% na capital de São Paulo e na sua região metropolitana, chegando a 280 mil profissionais cadastrados para fazer esse tipo de serviço.

Além de mais entregadores, eles estão fazendo mais serviços também. Antes, a média de corridas por dia era de 7 a 8. Atualmente, gira ao redor de 12 a 15 corridas diárias para os aplicativos.

Considerando um rendimento de R$8 por corrida, um entregador produtivo pode faturar ao redor de R$100,00 por dia com o seu trabalho. Se trabalhar 22 dias por mês, chega a mais de R$2.000,00.

Claro que teria de descontar os gastos com combustível, manutenção e outros custos do trabalho, mas é um valor considerável para quem precisa sobreviver durante a crise. Afinal, R$2.000,00 equivale a 2 salários mínimos.

Se o crescimento seguir assim, a perspectiva é que o faturamento do setor seja muito maior em 2020 mesmo. Para se ter uma ideia, o setor faturou globalmente 182 bilhões de dólares em 2018, especialmente porque o delivery é muito mais comum em países como os EUA e da Europa.

Agora, com a sua popularidade explodindo no Brasil, o potencial de faturamento é enorme.Lembra da Loggi, que previa triplicar seus pedidos durante a quarentena? Isso não é nada perto do que pode acontecer no futuro. Em 2019, a Loggi realizou uma média de 100 mil entregas diárias. Em 2022, esse valor deve chegar a 5 milhões.

Exato: 5 milhões, um crescimento de 5.000%. Isso: cinco mil porcento! É muita coisa. Esse potencial pode chegar a outros setores também. Claro, quando falamos de apps de entrega, pensamos logo na Rappi e em comida, mas existem empresas que atuam em mercados “menos famosos”.

Um exemplo é a CargoX, que funciona mais ou menos como um Uber, mas para caminhoneiros e empresas que precisam de frete.

Já a Raínz trabalha com pequenos produtores agrícolas e consumidores, entregando produtos direto da horta para as pessoas. Entre 2018 e 2019, a empresa teve um aumento de 200% do seu faturamento (ou seja, triplicou as suas receitas).

Com isso, os números do mercado de aplicativos de entregas deverá aumentar muito nos próximos tempos. Esse é só o começo.

Coronavírus em Tempo Real