TESTEMUNHO DO BEM: PROFESSOR CAMINHA

Por José Maria Vasconcelos

Não preciso sair pela cidade, pleno meio-dia, portando tocha na mão, feito filósofo grego, a procurar gente do BEM. Topei PROFESSOR CAMINHA. Do BEM. Outros eu encontrarei, sem temor aos bandos de anjos do MAL.

PROFESSOR CAMINHA passeava na PIÇARRA, a pé. CRISTÃO fervoroso. Quase diariamente participa da missa na IGREJA DE SÃO RAIMUNDO NONATO e integra a ORDEM FRANCISCANA DOS LEIGOS. Excelente professor de PORTUGUÊS, ele pontificou nas melhores escolas de TERESINA, conquistou enorme popularidade e admiração, décadas de 70/  80, dirigiu vários colégios, assumiu a delegacia do MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NO PIAUÍ. Permaneceria mais tempo em honrosos cargos, com chances de alçar patamares cobiçados, não fosse a extremada conduta de CRISTÃO. CAMINHA indignava-se ao enfrentar comportamentos pouco éticos, inclusive de PADRES e FREIRAS com os quais trabalhou.

No COLÉGIO DAS IRMÃS enfrentou batalha com as FREIRAS, causada por duas alunas da “alta sociedade”. Além de PORTUGUÊS, CAMINHA lecionava FRANCÊS e RELIGIÃO. As duas adolescentes birravam com o professor, na aula de RELIGIÃO. Sentadas na primeira fila das carteiras, distraíam-se com revistas profanas. Inúteis advertências. CAMINHA solicitou à direção da escola que afastassem as duas estudantes da sala. As FREIRAS não concordaram.  As garotas continuavam a tripudiar a aula de RELIGIÃO. CAMINHA decidiu expulsá-las de sala, trancando a porta. As duas serelepes levantaram a perna, apareceu a calcinha, chutaram a porta. As FREIRAS conversaram com os pais, em detrimento da autoridade de CAMINHA, preterido pelo cachê social. O professor nunca mais regressou ao COLÉGIO, apesar de as freiras tentarem persuadi-lo a voltar ao trabalho.

        Fundou o COLÉGIO PEDRO II, com outros sócios, ao lado da PRAÇA SARAIVA, início dos anos 70. Sua fama de bom professor provocou generosa quantidade de matrículas. Deixou a sociedade por não compartilhar a ambição de um dos sócios.  

Na DELEGACIA DO MEC, entre 1981/185, poderosos da política tentaram envolvê-lo em safadezas, que costumavam cometer, menos na administração do CAMINHA. O professor os recebia, logo os despachava de mãos vazias. PROFESSOR CAMINHA não amarelava diante de superiores que lhe tentavam embaraçar a transparência. O COLÉGIO DAS IRMÃS pagou caro por receber BOLSAS DE ESTUDOS do MEC, acima do limite acertado em contrato: “Irmãs, deem exemplo de honestidade: Devolvam o excesso.” Ameaçava ESCOLAS PARTICULARES que recebiam BOLSAS, mas exigiam que os estudantes pagassem a diferença, não permitida pelo MEC.

No COLÉGIO DIOCESANO, lecionou por longos anos, ao lado de sua esposa. O casal desligou-se da escola, por não aceitar conduta desrespeitosa dos PADRES. Perfeccionista? “Não, mas gosto do bem feito, do transparente.” Temperamental? “Não, apenas prefiro sair vermelho a permanecer amarelo.”

PROFESSOR CAMINHA dirigiu o famoso COLÉGIO ANDREAS. desentendeu-se com os sócios, porque não lhe aprovavam a disciplina imposta. Abandonou o cargo. Também não demorou como diretor do COLÉGIO ESTADUAL PAULO FERRAZ, pelo descaso da SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO para com a manutenção da escola. Ademais, não aceitava que a SEDUC acrescentasse seu antigo contracheque de professor do LICEU ao salário de DIRETOR do PAULO FERRAZ: “Não aceito receber de um emprego onde não trabalho mais”. No CEFET (antiga ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO PIAUÍ), integrou o conselho da escola, na qual se aposentou.

PROFESSOR CAMINHA e tantos homens do BEM,  sobrevivem, heroicamente, em  mundo cão, dominado por ambições imorais e indecentes, PECADO que viceja até em altares da religiosidade. O filósofo grego continua sua missão a erguer a tocha, em plena LUZ, atrás de homens de BEM. Raros, mas heróis sobreviventes.

Coronavírus em Tempo Real