6 anos de BTS: um especial sobre a trajetória do grupo que a gente ama

Se algum dia o ocidente relutou em valorizar ou aceitar um conteúdo cultural tão diverso do que estava acostumado a consumir, esse estigma foi apagado de vez pela globalização da música popular sul-coreana.

O K-pop nasceu no país asiático no começo da década de 90 e ganhou potência no exterior a partir dos anos 2000. Agora, já ocupa as primeiras posições entre os maiores charts de música do planeta e, mesmo sob um território hostil e dominado anteriormente por nomes de peso, isso nunca foi barreira para o estrelato do BTS acontecer.

Apesar dos recordes diários, das participações em programas de TV, dos hits aclamados, dos prêmios, das parcerias com grandes marcas e outras inúmeras conquistas, a trajetória do grupo de K-pop passa longe de ser apenas mais uma no cenário da música internacional. O começo de carreira não foi nada fácil para os sete jovens. Em 2013, Jin, RM, J-Hope, Suga, V, Jimin e Jungkook passaram por uma estreia conturbada e desacreditada dentro de uma empresa que estava prestes a falir, mas a esperança e o trabalho duro foram fundamentais para a grande virada acontecer.

Muitas vezes comparado pela mídia com a febre da beatlemania, o septo já deixou claro que apesar dos feitos – e até mesmo de uma homenagem ao quarteto britânico no programa The Late Show –, prefere não ser intitulado como Beatles do século XXI: “Nós somos o BTS. Queremos ser o BTS do século XXI”, declarou Suga durante uma coletiva de imprensa realizada antes do primeiro show no épico estádio Wembley, em Londres – que já serviu de palco para ícones como Queen, Madonna e Oasis.

UM GRANDE DISCURSO

Fugindo do padrão de K-pop produzido em sua época – quase sempre dedicado a falar sobre amor –, o BTS inovou trazendo para sua música rimas que abordam temas mais profundos e poucas vezes citados entre os grandes hits. Letras que questionam problemas sociais, conflitos geracionais, sistemas educacionais e até o amadurecimento são recorrentes entre os primeiros momentos do grupo. A música produzida pelo BTS busca ser o grito para uma juventude que, mesmo cheia de incertezas e conflitos pessoais, é extremamente motivada a fazer diferença e provar sua existência. Todas essas tensões transitam perfeitamente pelas produções que vêm sendo entregues desde o debut da boyband.

O DEBUT

A pressão social e cultural vivida pelos jovens estudantes na Coreia do Sul está clara nos três primeiros projetos: 2Cool4Skool, de 2013, que inclui o primeiro single do grupo, No More Dream, o miniálbum O!RUL8,2?, também de 2013, e Skool Luv Affair, EP lançado no ano de 2014. O tão sonhado debut stage gravado para TV – algo quase impossível para grupos de pequeno porte – só foi possível porque outro artista não poderia mais se apresentar naquele mesmo dia.

Dark & Wild, o primeiro álbum completo de estúdio do grupo, foi gravado dentro de uma garagem enquanto os meninos estavam nos Estados Unidos produzindo um reality show para o canal Mnet. Ele trouxe canções compostas inteiramente pelos membros do grupo, como Let Me Know, escrita por Suga, e ainda outros hits de destaque, como a faixa-título Danger e War of Hormone, que receberam videoclipes poderosos. Com boas posições no chart World Digital Songs da Billboard, Dark & Wild se tornou um dos álbuns mais vendidos da Coreia do Sul em 2014.

A juventude e seus temores foi tema central do projeto The Most Beautiful Moment in Life, Part 1, de 2015. A faixa I Need U, que também ganhou uma versão em japonês, atingiu milhares de visualizações e se destacou pelo mv classificado como 19+, no qual os membros do BTS retratam uma passagem conturbada da adolescência.

I Need U também se tornou especial por marcar a primeira vitória dos meninos num programa de TV.

Talvez as maiores teorias chegaram em outubro de 2016, através do misterioso álbum Wings. Com uma série de curta-metragens na qual cada membro ganhava espaço promovendo uma faixa solo, o single principal, Blood Sweat & Tears, explorou ao máximo referências literárias, simbolismos e conflitos internos.

Durante o emocionante discurso do BTS para a Assembléia Geral da ONU em 2018, o líder Namjoon (RM) deixou pública a importância de que todas as pessoas, independentemente de sua cor, gênero ou lugar, precisam se aceitar e falar por si mesmas. Mostrar a sua voz é o slogan da última tour, Love Yourself: Speak Yourself, que vem lotando estádios ao redor do mundo nos últimos meses. Essa busca por autoaceitação e encorajamento se faz presente na trilogia de discos Love Yourself: Her, Tear e Answer, iniciada em 2017 e completa em 2018.

Já no mais recente disco, Map of the Soul: Persona, o psicólogo Carl Jung teve influência direta no som elaborado pelo grupo. Se aprofundando nas questões filosóficas que envolvem a psique, o ego e o inconsciente coletivo, temas frequentes nas pesquisas de Jung, o disco também faz uma forte referência ao teatro, em que as máscaras utilizadas por atores no palco possuem ligação com todos nós quando colocamos máscaras sociais para sobrevivermos no cotidiano.

TRABALHO EM EQUIPE

Trabalho em equipe sempre foi a marca registrada do grupo. Desde os primeiros projetos da carreira, todos os sete integrantes se preocupam em participar da maioria das faixas, seja na rapline preparada por RM, Suga e J-Hope, ou nos vocais que integram V, Jimin, Jin e Jungkook.

Visualmente, tudo também é planejado desde o começo – cada detalhe é pensado para dar continuidade ao enredo que vem sendo conduzido de forma brilhante pela Big Hit Entertainment, que agora circula entre as mais rentáveis empresas do país, desbancando o império gerenciado por anos pela BIG3 (YG, JYP e SM Entertainment) e estabelecendo um valor significativo para a economia local.

Os estilos únicos dos meninos também questionam estereótipos de beleza e quebram rótulos pré-estabelecidos sobre o homem asiático. A mistura de cores, cabelos, looks e acessórios passeiam quase despercebidos entre gêneros – algo que nunca pareceu incomodar os integrantes do grupo. Além disso, a autonomia que o septo conquistou pode ser mais um elemento considerado item-chave, uma vez que a participação de todos no processo de criação e produção é unânime.

O posicionamento aberto do BTS sobre diversos temas sociais também destoa dos demais grupos de K-pop. Além dos discursos sobre amor-próprio e outras questões atuais, o grupo apoia a comunidade LGBTQ+ e os direitos das mulheres, criando elos ainda maiores com o público. Seu trabalho humanitário continua estabelecido após o programa Love Myself, produzido em parceria com a UNICEF e arrecadando mais de 1.4 milhão de dólares.

O ARMY

O ARMY é peça fundamental de toda essa história. Nomeado como exército, em tradução livre, os fãs do BTS encontraram um ponto de apoio em comum. Sua base militar é o lugar mais amplo e poderoso da Terra: a internet. Neste lugar aparentemente sem muitas regras definidas, o fandom se espalhou tranquilamente nos últimos anos por todas as redes sociais.

Disseminando cada post, foto e lançamento produzido pelo grupo, os armys são os maiores responsáveis pela fama absoluta do BTS – e isso sempre foi notado pelos idols. Estar presente no dia a dia dos fãs é algo sagrado para os jovens músicos. Lives feitas antes ou após os shows, postagens de agradecimento, fotos engraçadas e momentos felizes de um dia comum fazem o BTS se tornar o melhor amigo de alguém, que muitas vezes pode se sentir sozinho, estar em casa trancado no quarto ou vivendo problemas familiares. Essa conexão construída pelo grupo devolve brilho para inúmeras vidas ao redor do globo – basta você conferir a chuva de relatos motivacionais com tags do BTS divulgadas pela rede, ou as selcas, que são selfies tiradas por usuários e postadas lado a lado com seus ídolos, e até mesmo depoimentos de familiares que aproximaram suas relações após ter contato com a música do Bangtan. Além disso, qualquer publicação feita pelas contas oficiais do BTS ultrapassa tranquilamente a casa das milhares de curtidas em questão de minutos.

Alimentando os fãs diariamente com novas informações sobre cada pedacinho conquistado, esse envolvimento mágico criado pela agência Big Hit nos torna muito mais do que meros espectadores. O BTS consegue botar todo mundo para fazer parte dessa jornada de heróis.

Celebrar o aniversário de debut do BTS não é uma festa preparada apenas para os sete garotos que conquistaram o mundo com seu carisma e talento. É um grande evento no qual todos podem  comemorar o trabalho bem executado de seus idols. A partir de hoje, começa uma nova era e nós estamos emotivos e orgulhosos de ver todos os feitos que o grupo conquistou nos últimos seis anos de carreira.

Fonte: capricho.abril.com.br/famosos/6-anos-de-bts-um-especial-sobre-a-trajetoria-do-grupo-que-a-gente-ama